2006/06/02

A Verdade Inconveniente

Estreia hoje em várias cidades americanas o documentário "An Inconvenient Truth", onde o realizador David Guggenheim segue Al Gore na sua campanha de esclarecimento do grande público sobre o aquecimento global, as suas causas e os seus efeitos. De acordo com a organização MoveOn,
The movie is technically a documentary, but it's also been described as a thriller and some folks have even called it scary. It's scary because it's a serious look at the grave path we're heading down if we don't take real steps to stop global warming today.

De acordo com a New Yorker,
There is no substitute for Presidential power, but Gore is now playing a unique role in public life. He is a symbol of what might have been, who insists that we focus on what likely will be an uninhabitable planet if we fail to pay attention to the folly we are committing, and take the steps necessary to end it.

De acordo com o USA Today,
An Inconvenient Truth, based on a slide show Gore developed and has given for years, is part documentary, part dark comedy and part horror thriller. As narrator, Gore makes jokes at his own expense, presents a cartoon clip from Fox's cartoon Futurama about cooling the ocean with ice cubes and shows footage of storms, floodwaters and scorching drought that would be thrilling if they were fiction instead of fact.

Pode ver-se um trailer do filme aqui. É claro que o filme (e Al Gore) já estão a ser atacados pelas companhias petrolíferas. Por cá, o assunto sempre foi motivo de chacota dos blogues da direita liberal, embora nem sempre da melhor maneira. Por exemplo, gostava de saber com que base científica tradutores escrevem textos destes. Se o Rui Oliveira parasse para pensar, talvez concluísse que o facto que refere só é possível justamente por o homem então não existir. O homem não podia existir nessas condições. Pelos vistos tais condições climatéricas são "naturais" para o Rui Oliveira; se evoluirmos (ou regredirmos) nesse sentido a Terra voltará a ser inabitável, mas isso é só um pequeno pormenor para quem talvez até acredite que a habitabilidade do planeta só depende da vontade divina. Se o Rui Oliveira não fosse demagógico, talvez fizesse bem em ver o filme antes de escrever graçolas tão básicas.

Oh captain my captain



O melhor reforço da época.

2006/06/01

No Dia Internacional da Criança

(Estes dias nem sempre têm a palavra "internacional" associada. Este dia vem do "Ano Internacional da Criança". Eu gosto de "internacional", e só observo dias "internacionais".)

Neste dia, e para culminar a divulgação que aqui tenho feito do excelente álbum ao vivo In Cité de Lenine, proponho a audição da versão nesse mesmo álbum de Relampiano, de Lenine e Paulinho Moska. À distância de um clique.

O bem e o mal segundo André Azevedo Alves

...são respectivamente o Opus Dei e o Código da Vinci. Nada de que não desconfiássemos, mas é sempre bom ter uma confirmação pelo próprio.

2006/05/31

Das purezas ideológicas

Oitenta anos depois do golpe de 28 de Maio, parece que uma certa direita "moderna" e muito revisionista (na pessoa de dois jovens historiadores) põe abertamente em causa a natureza fascista do salazarismo. Pode com certeza discutir-se quão "fiel" à ideia original do fascismo, de origem italiana, era o regime em causa. Desde que não se conteste a sua natureza ditatorial e repressiva, tudo bem. Há muitas ditaduras de direita. Nenhum regime político é "puro", como na doutrina. A política tem muitas nuances. Mas não me incomoda que digam que Salazar não era fascista. Eu, por exemplo, digo que Estaline não era comunista.

Espécie protegida

Na Alemanha, os caracóis são uma espécie protegida. Os alemães ficam felizes quando vêem um.

2006/05/30

Como se dividem as pessoas

Embora haja quem venha sempre com a lengalenga de que não se deve catalogar as pessoas e coisa e tal, a verdade é que a construção de modelos e a identificação de padrões fazem parte do meu trabalho de cientista. Por isso não resisto a este tipo de classificações. Só aqui têm três. Enquanto eu acabo de sacar todas as fotografias da Alemanha para pôr algumas aqui (devidamente comentadas), sugiro-vos qu epensem nalgumas divisões. A mais óbvia, a primeira que aprendemos, é entre a esquerda e a direita. Depois aparecem os chatos dos centristas... Há também os benfiquistas e os sportinguistas. Mas depois aparecem os chatos dos portistas... Eu proponho as pessoas que sabem a diferença entre porque e por que e as que não sabem (para estas é sempre "porque"). Pensem em mais divisões.

2006/05/29

Europa

Faz hoje um ano que a Europa sofreu um sério revés. Ficaram patentes as ameaças que uma Europa forte e unida sofre e a força dos seus inimigos. Os perigos e as ameaças a que a Europa está sujeita é o que pretende simbolizar a escultura na fotografia, da autoria da portuguesa Filipa César e em exposição, em conjunto com outras 24 estrelas europeias, na praça do Hôtel de Ville em Paris. Ao fundo o Hôtel de Ville, cheio de bandeiras francesas.

2006/05/28

Mau tempo

Sempre brinquei com a excitação dos meus anfitriões cada vez que, nos EUA, estava um dia de sol. Ficavam logo entusiasmadíssimos, diziam-me “look, the sun is shining!”. Se pudessem iam logo estender-se na relva a apanhar sol. Eu olhava-os com indiferença (para não dizer com desdém) e respondia-lhes que, na terra de onde eu vinha, o sol brilhava quase todos os dias, todo o ano.
Agora compreendo-os melhor.
Só hoje temos um verdadeiro dia de sol. Nos outros dias tem estado sempre a chover.

Verde

A Alemanha é verde. Muito verde. As autoestradas seguem sempre no meio de florestas, onde é verdadeiramente agradável viajar. São muito diferentes das autoestradas do sul da Europa ou da vizinha Holanda. Parecem as “parkways” de Long Island, em Nova Iorque, planeadas por Robert Moses: verdadeiros parques. E sem limite de velocidade.

2006/05/26

Chauvinismo frances (sem acentos, de Heidelberg)

Isto é tal e qual a Alsacia (mas sem Kronenbourg).
Nélson, alguma vez experimentaste tarte flambée de salmao com espinafres? E supimpa.

2006/05/25

Na Alemanha

...para visitar velhos amigos (dos gloriosos tempos dos EUA) que há muito não vejo. É a minha primeira estadia neste país. A tarde passada na Alemanha quando fui visitar o Nélson no tempo em que ele bebia Kronenbourg e comia tarte flambée (limitámo-nos a atravessar o Reno a pé a partir de Estrasburgo) foi cheia de acontecimentos, mas mesmo assim foi só um "aquecimento". A Alemanha a sério vem aí. Por quatro dias, a partir de hoje.

2006/05/24

The Republican Left-Wing

Seria esta a tradução para inglês de "esquerda republicana", e se de política americana se tratasse julgar-se-ia estar na presença de um blogue de apoio à candidatura presidencial de John McCain. Ainda mais com textos como este, do meu velho camarada Rui Fernandes (que tem toda a razão, por sinal). Mas não: trata-se do "velho" Esquerda Republicana, fundado pelo Ricardo Alves e agora enriquecido, para além do Rui, com o "outro Ricardo" e o João Vasco. Tudo malta da LEFT, tudo boa gente. Se a isto acrescentarmos o Filipe Castro (que escreve directamente do Texas, e cujos comentários no BdE eu muito apreciava), temos reunidas as condições para um interessantíssimo blogue. Está de parabéns o Ricardo "fundador" pela equipa que conseguiu reunir. Vamo-nos lendo.

2006/05/23

Lápis!

Não adianta vir com lapiseira para mim,
é com lápis que eu quero escrever!




E o irritante que é, em inglês, pedir um lápis e receber uma lapiseira? E se se insiste "no, I want a pencil", ainda olham para nós como se fôssemos estúpidos e respondem "but this is a pencil!" O inglês é mesmo uma língua muito pobre. Não tem tradução de lapiseira e nem o equivalente a "meta-a pelo cu acima", que é a única resposta que merece quem se atreve sequer a insinuar que uma reles lapiseira é um lápis.
Há hábitos que eu nunca hei-de perder. Não me desabituo de usar o velho "pine" para ver o email (em ambiente linux) - é o único que faz "plim!" cada vez que surge uma mensagem nova! E nunca deixarei de escrever com lápis. Lápis autêntico, de madeira, com bico grosso ou fino. Nunca me habituei às lapiseiras. Sempre tive "mão pesada" (tudo o que requeira sensibilidade não é para mim), e sempre que tentei usar uma lapiseira parti o bico em três tempos. É evidente que há alturas em que se tem que escrever a tinta, mas sempre que posso para mim não há nada como escrever a lápis. É a lápis que eu faço todos os meus cálculos à mão. É fácil de corrigir erros e apagar. Adoro lápis e é daqueles objectos que gosto de coleccionar. Desde a escola fico doente sempre que perco um lápis. Guardo lápis há anos. De todos os institutos e países por onde passei. Mas os primeiros que me lembro, os primeiros com que escrevi, que foram deixados pelo meu avô materno, eram iguaizinhos aos da figura. Da Viarco. A Viarco que faz este ano 70 anos. Parabéns e espero que cumpram outros 70. E que vivam os lápis.

Teimosia (às três da manhã)

Há mais de uma hora que estava para colocar uma fotografia no servidor do blogger. Não conseguia. Às vezes o blogger.com tem destas coisas. Às vezes é a minha ligação à internet. Não era para uma entrada "urgente". É para uma entrada em projecto. Não importa. A fotografia tinha que ser "subida" hoje. Nem pensava noutra alternativa. Nem punha outra hipótese que não fosse subir a fotografia hoje. Passei mais de uma hora a ler o jornal, a escrever emails, a escrever outras coisas. E ia tentando. Finalmente a fotografia está no blogger.com, à espera da entrada. Vou-me deitar. Boa noite.

2006/05/22

Às Ordens

A recente (e lamentável) decisão unânime da Assembleia da República de só autorizar licenciados em arquitectura a assinar projectos é uma lamentável cedência à pressão corporativista da Ordem dos Arquitectos, surpreendentemente aplaudida por um dos arautos do liberalismo (no que foi logo - e muito bem - contradito).
Esta discussão sobre as Ordens profissionais interessa-me e tem muito mais a ver com a discussão anterior com o Santiago do que se possa julgar. As Ordens profissionais fazem sentido para atestar competência científica em profissões que requeiram o seu emprego de uma forma que diga respeito à sociedade e ao cidadão. Faz sentido uma Ordem dos Médicos? Sim, queremos ter confiança em quem nos atende nos hospitais. Faz sentido uma ordem dos advogados? Sim - é preciso quem nos garanta que o advogado a quem recorremos, apesar de ter um bom diploma por uma boa universidade, não é um vigarista. Faz sentido uma ordem dos engenheiros? É possível que sim, mas é mais discutível. Não queremos pontes que caiam nem instalações que não funcionem. Faz sentido uma Ordem dos Biólogos? Creio que não. Há outras formas mais fiáveis de se avaliar a competência de um biólogo, como o peer-review. E um bom biólogo deve sempre publicar, mesmo que trabalhe em projectos para a sociedade. Faz algum sentido que membros de uma "Ordem" que não produzem investigação nenhuma estejam a avaliar cientistas activos? Creio que não. Uma Ordem dos biólogos faz tanto sentido como uma ordem dos matemáticos ou dos físicos - ainda bem que ninguém se lembrou de tal ideia. Uma Ordem dos economistas, faz algum sentido? Pelos mesmos motivos, tanto quanto uma Ordem dos historiadores - nenhum. Uma ordem dos professores? Muito discutível. Embora o mérito pedagógico seja indispensável, tal ordem tenderia a proteger ainda mais os licenciados "via ensino", que já são escandalosamente protegidos nos concursos.
Apesar de tudo estas profissões que vim a enumerar requerem sem dúvida competência e aptidões científicas (chamemos-lhes assim), mesmo que não sejam profissões "científicas". Disso ninguém duvida. Agora, que aptidões científicas são necessárias para a profissão de arquitecto? Existirão, mas muito menos do que para as profissões anteriores. E podem sempre ser julgados... pelo engenheiro civil responsável, a quem deve sempre caber a última palavra sobre uma obra. No fundo uma Ordem dos arquitectos faz tanto sentido como uma Ordem dos poetas ou dos realizadores de cinema ou dos jogadores de futebol. São áreas que de científicas não têm nada; requerem sobretudo talento, algo que não se aprende (ao contrário das verdadeiras ciências, que se para serem exercidas também requerem talento, para serem aprendidas basta esforço). O esforço não basta para fazer um bom arquitecto, e para julgar o seu talento temos a sociedade. Não me parece que seja precisa uma Ordem. Mas essa Ordem existe e tem poder, como se vê.
Não quero acabar sem comentar que, nas recorrentes discussões sobre o eduquês que se vêm na blogosfera, estas diferenças não são tidas em conta. Parece-me haver no eduquês uma confusão entre o talento e o esforço, que resulta sempre no prejuízo deste último.

2006/05/21

A seguir a Abril vem Maio

...e com Maio vem finalmente uma lista de ligações, algo que já andava para fazer deste o início deste blogue e só não tinha ainda feito por preguiça. Aproveito para agradecer a todos os que ligaram ou de alguma forma divulgaram este blogue.
Falando em lista de ligações, uma das minhas curiosidades era saber em que categoria ia ficar nas ligações do Esquerda Republicana, um blogue entretanto bastante renovado (este hábito de catalogar as coisas, Ricardo...) Esquerda mais ou menos radical? Esquerda mais ou menos moderada? Nem uma coisa nem outra. Fiquei ao lado do meu amigo, ex-companheiro de blogue e agora também esquerdista republicano Caetera e fiquei muito bem.

2006/05/20

Os museus de Paris

Quando vai decorrer mais uma edição da noite dos museus (sobre este assunto já me expressei aqui), cheguei à conclusão de que uma das coisas de que mais gosto em Paris é a enorme oferta cultural, e sobretudo a quantidade de diferentes museus e exposições. Mesmo quem, como é o meu caso, já visitou todos os grandes museus de Paris (e a grande maioria dos pequenos), encontra sempre algo diferente para fazer no fim de semana. E os parisienses aderem à enorme oferta cultural da cidade. Mal seria se não aderissem, mesmo se ela é feita em grande parte dos casos sobretudo a pensar nos (muitos) turistas que visitam a capital francesa em todas as estações do ano e que a fazem um dos principais destinos mundiais. Também por isto é um privilégio viver em Paris. E em qualquer exposição razoavelmente importante que se vá, seja no Petit Palais ou no Instituto do Mundo Árabe, seja no Centro Pompidou ou no Hôtel de Ville, é certo e sabido que se vai ter que estar na fila para entrar, seja a exposição gratuita ou paga. É uma das sensações que me são mais familiares em Paris. Eu, que embora seja teimoso e tenaz sou em geral muitíssimo impaciente, gosto de estar na fila com os parisienses (sim, costumo estar com os parisienses, mais do que com os turistas que só vão para os grandes museus) para entrar numa das muitas exposições da cidade e desfrutar desse enorme privilégio que é estar em Paris. Sinto-me bem no meio desta gente. Sinto que sou um deles.

2006/05/19

Grande fête

Aos leitores que procuram o blogue escandaloso sobre Merche Romero

...anunciado numa notícia que vinha na primeira página do Correio da Manhã e que chegam aqui, via google, graças a um comentário nesta entrada, com a informação do tal blogue (antes de ele ser escandaloso): aqui nunca se falou na Merche Romero. Mas continuem a vir, que são bem vindos.

(Entre outras coisas acusam a pobre Merche de "pedofilia" (!!!) "por ter mais dez anos do que o craque do Manchester". Independentemente da ignorância sobre o que é realmente a pedofilia que tal revela - mas o que esperar de um blogue anónimo? -, a questão é sempre a mesma: o que diriam se fosse ao contrário? Se - sendo ambos adultos - o Cristiano tivesse mais dez anos do que a Merche?)