Na Alemanha, os caracóis são uma espécie protegida. Os alemães ficam felizes quando vêem um.
2006/05/31
2006/05/30
Como se dividem as pessoas
Embora haja quem venha sempre com a lengalenga de que não se deve catalogar as pessoas e coisa e tal, a verdade é que a construção de modelos e a identificação de padrões fazem parte do meu trabalho de cientista. Por isso não resisto a este tipo de classificações. Só aqui têm três. Enquanto eu acabo de sacar todas as fotografias da Alemanha para pôr algumas aqui (devidamente comentadas), sugiro-vos qu epensem nalgumas divisões. A mais óbvia, a primeira que aprendemos, é entre a esquerda e a direita. Depois aparecem os chatos dos centristas... Há também os benfiquistas e os sportinguistas. Mas depois aparecem os chatos dos portistas... Eu proponho as pessoas que sabem a diferença entre porque e por que e as que não sabem (para estas é sempre "porque"). Pensem em mais divisões.
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Sentenças
2006/05/29
Europa
Faz hoje um ano que a Europa sofreu um sério revés. Ficaram patentes as ameaças que uma Europa forte e unida sofre e a força dos seus inimigos. Os perigos e as ameaças a que a Europa está sujeita é o que pretende simbolizar a escultura na fotografia, da autoria da portuguesa Filipa César e em exposição, em conjunto com outras 24 estrelas europeias, na praça do Hôtel de Ville em Paris. Ao fundo o Hôtel de Ville, cheio de bandeiras francesas.
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Europa
2006/05/28
Mau tempo
Sempre brinquei com a excitação dos meus anfitriões cada vez que, nos EUA, estava um dia de sol. Ficavam logo entusiasmadíssimos, diziam-me “look, the sun is shining!”. Se pudessem iam logo estender-se na relva a apanhar sol. Eu olhava-os com indiferença (para não dizer com desdém) e respondia-lhes que, na terra de onde eu vinha, o sol brilhava quase todos os dias, todo o ano.
Agora compreendo-os melhor.
Só hoje temos um verdadeiro dia de sol. Nos outros dias tem estado sempre a chover.
Agora compreendo-os melhor.
Só hoje temos um verdadeiro dia de sol. Nos outros dias tem estado sempre a chover.
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Viagens
Verde
A Alemanha é verde. Muito verde. As autoestradas seguem sempre no meio de florestas, onde é verdadeiramente agradável viajar. São muito diferentes das autoestradas do sul da Europa ou da vizinha Holanda. Parecem as “parkways” de Long Island, em Nova Iorque, planeadas por Robert Moses: verdadeiros parques. E sem limite de velocidade.
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Viagens
2006/05/26
Chauvinismo frances (sem acentos, de Heidelberg)
Isto é tal e qual a Alsacia (mas sem Kronenbourg).
Nélson, alguma vez experimentaste tarte flambée de salmao com espinafres? E supimpa.
Nélson, alguma vez experimentaste tarte flambée de salmao com espinafres? E supimpa.
2006/05/25
Na Alemanha
...para visitar velhos amigos (dos gloriosos tempos dos EUA) que há muito não vejo. É a minha primeira estadia neste país. A tarde passada na Alemanha quando fui visitar o Nélson no tempo em que ele bebia Kronenbourg e comia tarte flambée (limitámo-nos a atravessar o Reno a pé a partir de Estrasburgo) foi cheia de acontecimentos, mas mesmo assim foi só um "aquecimento". A Alemanha a sério vem aí. Por quatro dias, a partir de hoje.
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Viagens
2006/05/24
The Republican Left-Wing
Seria esta a tradução para inglês de "esquerda republicana", e se de política americana se tratasse julgar-se-ia estar na presença de um blogue de apoio à candidatura presidencial de John McCain. Ainda mais com textos como este, do meu velho camarada Rui Fernandes (que tem toda a razão, por sinal). Mas não: trata-se do "velho" Esquerda Republicana, fundado pelo Ricardo Alves e agora enriquecido, para além do Rui, com o "outro Ricardo" e o João Vasco. Tudo malta da LEFT, tudo boa gente. Se a isto acrescentarmos o Filipe Castro (que escreve directamente do Texas, e cujos comentários no BdE eu muito apreciava), temos reunidas as condições para um interessantíssimo blogue. Está de parabéns o Ricardo "fundador" pela equipa que conseguiu reunir. Vamo-nos lendo.
2006/05/23
Lápis!
Não adianta vir com lapiseira para mim,
é com lápis que eu quero escrever!

E o irritante que é, em inglês, pedir um lápis e receber uma lapiseira? E se se insiste "no, I want a pencil", ainda olham para nós como se fôssemos estúpidos e respondem "but this is a pencil!" O inglês é mesmo uma língua muito pobre. Não tem tradução de lapiseira e nem o equivalente a "meta-a pelo cu acima", que é a única resposta que merece quem se atreve sequer a insinuar que uma reles lapiseira é um lápis.
Há hábitos que eu nunca hei-de perder. Não me desabituo de usar o velho "pine" para ver o email (em ambiente linux) - é o único que faz "plim!" cada vez que surge uma mensagem nova! E nunca deixarei de escrever com lápis. Lápis autêntico, de madeira, com bico grosso ou fino. Nunca me habituei às lapiseiras. Sempre tive "mão pesada" (tudo o que requeira sensibilidade não é para mim), e sempre que tentei usar uma lapiseira parti o bico em três tempos. É evidente que há alturas em que se tem que escrever a tinta, mas sempre que posso para mim não há nada como escrever a lápis. É a lápis que eu faço todos os meus cálculos à mão. É fácil de corrigir erros e apagar. Adoro lápis e é daqueles objectos que gosto de coleccionar. Desde a escola fico doente sempre que perco um lápis. Guardo lápis há anos. De todos os institutos e países por onde passei. Mas os primeiros que me lembro, os primeiros com que escrevi, que foram deixados pelo meu avô materno, eram iguaizinhos aos da figura. Da Viarco. A Viarco que faz este ano 70 anos. Parabéns e espero que cumpram outros 70. E que vivam os lápis.
é com lápis que eu quero escrever!

E o irritante que é, em inglês, pedir um lápis e receber uma lapiseira? E se se insiste "no, I want a pencil", ainda olham para nós como se fôssemos estúpidos e respondem "but this is a pencil!" O inglês é mesmo uma língua muito pobre. Não tem tradução de lapiseira e nem o equivalente a "meta-a pelo cu acima", que é a única resposta que merece quem se atreve sequer a insinuar que uma reles lapiseira é um lápis.
Há hábitos que eu nunca hei-de perder. Não me desabituo de usar o velho "pine" para ver o email (em ambiente linux) - é o único que faz "plim!" cada vez que surge uma mensagem nova! E nunca deixarei de escrever com lápis. Lápis autêntico, de madeira, com bico grosso ou fino. Nunca me habituei às lapiseiras. Sempre tive "mão pesada" (tudo o que requeira sensibilidade não é para mim), e sempre que tentei usar uma lapiseira parti o bico em três tempos. É evidente que há alturas em que se tem que escrever a tinta, mas sempre que posso para mim não há nada como escrever a lápis. É a lápis que eu faço todos os meus cálculos à mão. É fácil de corrigir erros e apagar. Adoro lápis e é daqueles objectos que gosto de coleccionar. Desde a escola fico doente sempre que perco um lápis. Guardo lápis há anos. De todos os institutos e países por onde passei. Mas os primeiros que me lembro, os primeiros com que escrevi, que foram deixados pelo meu avô materno, eram iguaizinhos aos da figura. Da Viarco. A Viarco que faz este ano 70 anos. Parabéns e espero que cumpram outros 70. E que vivam os lápis.
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Pessoal
Teimosia (às três da manhã)
Há mais de uma hora que estava para colocar uma fotografia no servidor do blogger. Não conseguia. Às vezes o blogger.com tem destas coisas. Às vezes é a minha ligação à internet. Não era para uma entrada "urgente". É para uma entrada em projecto. Não importa. A fotografia tinha que ser "subida" hoje. Nem pensava noutra alternativa. Nem punha outra hipótese que não fosse subir a fotografia hoje. Passei mais de uma hora a ler o jornal, a escrever emails, a escrever outras coisas. E ia tentando. Finalmente a fotografia está no blogger.com, à espera da entrada. Vou-me deitar. Boa noite.
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Blogues
2006/05/22
Às Ordens
A recente (e lamentável) decisão unânime da Assembleia da República de só autorizar licenciados em arquitectura a assinar projectos é uma lamentável cedência à pressão corporativista da Ordem dos Arquitectos, surpreendentemente aplaudida por um dos arautos do liberalismo (no que foi logo - e muito bem - contradito).
Esta discussão sobre as Ordens profissionais interessa-me e tem muito mais a ver com a discussão anterior com o Santiago do que se possa julgar. As Ordens profissionais fazem sentido para atestar competência científica em profissões que requeiram o seu emprego de uma forma que diga respeito à sociedade e ao cidadão. Faz sentido uma Ordem dos Médicos? Sim, queremos ter confiança em quem nos atende nos hospitais. Faz sentido uma ordem dos advogados? Sim - é preciso quem nos garanta que o advogado a quem recorremos, apesar de ter um bom diploma por uma boa universidade, não é um vigarista. Faz sentido uma ordem dos engenheiros? É possível que sim, mas é mais discutível. Não queremos pontes que caiam nem instalações que não funcionem. Faz sentido uma Ordem dos Biólogos? Creio que não. Há outras formas mais fiáveis de se avaliar a competência de um biólogo, como o peer-review. E um bom biólogo deve sempre publicar, mesmo que trabalhe em projectos para a sociedade. Faz algum sentido que membros de uma "Ordem" que não produzem investigação nenhuma estejam a avaliar cientistas activos? Creio que não. Uma Ordem dos biólogos faz tanto sentido como uma ordem dos matemáticos ou dos físicos - ainda bem que ninguém se lembrou de tal ideia. Uma Ordem dos economistas, faz algum sentido? Pelos mesmos motivos, tanto quanto uma Ordem dos historiadores - nenhum. Uma ordem dos professores? Muito discutível. Embora o mérito pedagógico seja indispensável, tal ordem tenderia a proteger ainda mais os licenciados "via ensino", que já são escandalosamente protegidos nos concursos.
Apesar de tudo estas profissões que vim a enumerar requerem sem dúvida competência e aptidões científicas (chamemos-lhes assim), mesmo que não sejam profissões "científicas". Disso ninguém duvida. Agora, que aptidões científicas são necessárias para a profissão de arquitecto? Existirão, mas muito menos do que para as profissões anteriores. E podem sempre ser julgados... pelo engenheiro civil responsável, a quem deve sempre caber a última palavra sobre uma obra. No fundo uma Ordem dos arquitectos faz tanto sentido como uma Ordem dos poetas ou dos realizadores de cinema ou dos jogadores de futebol. São áreas que de científicas não têm nada; requerem sobretudo talento, algo que não se aprende (ao contrário das verdadeiras ciências, que se para serem exercidas também requerem talento, para serem aprendidas basta esforço). O esforço não basta para fazer um bom arquitecto, e para julgar o seu talento temos a sociedade. Não me parece que seja precisa uma Ordem. Mas essa Ordem existe e tem poder, como se vê.
Não quero acabar sem comentar que, nas recorrentes discussões sobre o eduquês que se vêm na blogosfera, estas diferenças não são tidas em conta. Parece-me haver no eduquês uma confusão entre o talento e o esforço, que resulta sempre no prejuízo deste último.
Esta discussão sobre as Ordens profissionais interessa-me e tem muito mais a ver com a discussão anterior com o Santiago do que se possa julgar. As Ordens profissionais fazem sentido para atestar competência científica em profissões que requeiram o seu emprego de uma forma que diga respeito à sociedade e ao cidadão. Faz sentido uma Ordem dos Médicos? Sim, queremos ter confiança em quem nos atende nos hospitais. Faz sentido uma ordem dos advogados? Sim - é preciso quem nos garanta que o advogado a quem recorremos, apesar de ter um bom diploma por uma boa universidade, não é um vigarista. Faz sentido uma ordem dos engenheiros? É possível que sim, mas é mais discutível. Não queremos pontes que caiam nem instalações que não funcionem. Faz sentido uma Ordem dos Biólogos? Creio que não. Há outras formas mais fiáveis de se avaliar a competência de um biólogo, como o peer-review. E um bom biólogo deve sempre publicar, mesmo que trabalhe em projectos para a sociedade. Faz algum sentido que membros de uma "Ordem" que não produzem investigação nenhuma estejam a avaliar cientistas activos? Creio que não. Uma Ordem dos biólogos faz tanto sentido como uma ordem dos matemáticos ou dos físicos - ainda bem que ninguém se lembrou de tal ideia. Uma Ordem dos economistas, faz algum sentido? Pelos mesmos motivos, tanto quanto uma Ordem dos historiadores - nenhum. Uma ordem dos professores? Muito discutível. Embora o mérito pedagógico seja indispensável, tal ordem tenderia a proteger ainda mais os licenciados "via ensino", que já são escandalosamente protegidos nos concursos.
Apesar de tudo estas profissões que vim a enumerar requerem sem dúvida competência e aptidões científicas (chamemos-lhes assim), mesmo que não sejam profissões "científicas". Disso ninguém duvida. Agora, que aptidões científicas são necessárias para a profissão de arquitecto? Existirão, mas muito menos do que para as profissões anteriores. E podem sempre ser julgados... pelo engenheiro civil responsável, a quem deve sempre caber a última palavra sobre uma obra. No fundo uma Ordem dos arquitectos faz tanto sentido como uma Ordem dos poetas ou dos realizadores de cinema ou dos jogadores de futebol. São áreas que de científicas não têm nada; requerem sobretudo talento, algo que não se aprende (ao contrário das verdadeiras ciências, que se para serem exercidas também requerem talento, para serem aprendidas basta esforço). O esforço não basta para fazer um bom arquitecto, e para julgar o seu talento temos a sociedade. Não me parece que seja precisa uma Ordem. Mas essa Ordem existe e tem poder, como se vê.
Não quero acabar sem comentar que, nas recorrentes discussões sobre o eduquês que se vêm na blogosfera, estas diferenças não são tidas em conta. Parece-me haver no eduquês uma confusão entre o talento e o esforço, que resulta sempre no prejuízo deste último.
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Política
2006/05/21
A seguir a Abril vem Maio
...e com Maio vem finalmente uma lista de ligações, algo que já andava para fazer deste o início deste blogue e só não tinha ainda feito por preguiça. Aproveito para agradecer a todos os que ligaram ou de alguma forma divulgaram este blogue.
Falando em lista de ligações, uma das minhas curiosidades era saber em que categoria ia ficar nas ligações do Esquerda Republicana, um blogue entretanto bastante renovado (este hábito de catalogar as coisas, Ricardo...) Esquerda mais ou menos radical? Esquerda mais ou menos moderada? Nem uma coisa nem outra. Fiquei ao lado do meu amigo, ex-companheiro de blogue e agora também esquerdista republicano Caetera e fiquei muito bem.
Falando em lista de ligações, uma das minhas curiosidades era saber em que categoria ia ficar nas ligações do Esquerda Republicana, um blogue entretanto bastante renovado (este hábito de catalogar as coisas, Ricardo...) Esquerda mais ou menos radical? Esquerda mais ou menos moderada? Nem uma coisa nem outra. Fiquei ao lado do meu amigo, ex-companheiro de blogue e agora também esquerdista republicano Caetera e fiquei muito bem.
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Blogues
2006/05/20
Os museus de Paris
Quando vai decorrer mais uma edição da noite dos museus (sobre este assunto já me expressei aqui), cheguei à conclusão de que uma das coisas de que mais gosto em Paris é a enorme oferta cultural, e sobretudo a quantidade de diferentes museus e exposições. Mesmo quem, como é o meu caso, já visitou todos os grandes museus de Paris (e a grande maioria dos pequenos), encontra sempre algo diferente para fazer no fim de semana. E os parisienses aderem à enorme oferta cultural da cidade. Mal seria se não aderissem, mesmo se ela é feita em grande parte dos casos sobretudo a pensar nos (muitos) turistas que visitam a capital francesa em todas as estações do ano e que a fazem um dos principais destinos mundiais. Também por isto é um privilégio viver em Paris. E em qualquer exposição razoavelmente importante que se vá, seja no Petit Palais ou no Instituto do Mundo Árabe, seja no Centro Pompidou ou no Hôtel de Ville, é certo e sabido que se vai ter que estar na fila para entrar, seja a exposição gratuita ou paga. É uma das sensações que me são mais familiares em Paris. Eu, que embora seja teimoso e tenaz sou em geral muitíssimo impaciente, gosto de estar na fila com os parisienses (sim, costumo estar com os parisienses, mais do que com os turistas que só vão para os grandes museus) para entrar numa das muitas exposições da cidade e desfrutar desse enorme privilégio que é estar em Paris. Sinto-me bem no meio desta gente. Sinto que sou um deles.
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Paris
2006/05/19
Aos leitores que procuram o blogue escandaloso sobre Merche Romero
...anunciado numa notícia que vinha na primeira página do Correio da Manhã e que chegam aqui, via google, graças a um comentário nesta entrada, com a informação do tal blogue (antes de ele ser escandaloso): aqui nunca se falou na Merche Romero. Mas continuem a vir, que são bem vindos.
(Entre outras coisas acusam a pobre Merche de "pedofilia" (!!!) "por ter mais dez anos do que o craque do Manchester". Independentemente da ignorância sobre o que é realmente a pedofilia que tal revela - mas o que esperar de um blogue anónimo? -, a questão é sempre a mesma: o que diriam se fosse ao contrário? Se - sendo ambos adultos - o Cristiano tivesse mais dez anos do que a Merche?)
(Entre outras coisas acusam a pobre Merche de "pedofilia" (!!!) "por ter mais dez anos do que o craque do Manchester". Independentemente da ignorância sobre o que é realmente a pedofilia que tal revela - mas o que esperar de um blogue anónimo? -, a questão é sempre a mesma: o que diriam se fosse ao contrário? Se - sendo ambos adultos - o Cristiano tivesse mais dez anos do que a Merche?)
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Blogues
2006/05/18
Sem sair de Paris, rive gauche
Concordo com o Santiago (aqui e aqui) que faz sentido uma distinção entre áreas fundamentais e áreas aplicadas da ciência. Se a tecnologia é ou não ciência é pura semântica. Mas não é por acaso que nos governos da direita os ministros com a pasta da ciência eram engenheiros (um agrónomo e uma mecânica), e no actual e nos anteriores governos do PS o ministro da ciência é um físico "puro" (e não "aplicado").
Há áreas do conhecimento - e a área em que eu trabalho é uma - que não são, nunca serão, não podem ser autosuficientes financeiramente. Que requerem financiamento exterior, que ou virá de filantropos excêntricos - o melhor exemplo que eu conheço é o de Jim Simons - ou virá da sociedade. Dos nossos impostos. Não há volta a dar-lhe. Os governos da direita, e muitos dos liberais que escrevem na blogosfera, tenderão a desvalorizar a investigação fundamental, por não "criar dinheiro". Não podemos cair no erro de fazer o oposto, e considerar que, lá por outras áreas do conhecimento poderem gerar dinheiro por terem uma aplicação mais imediata, são menos importantes. Se são ou não "ciência", acho que tem que se arranjar outro critério que não simplesmente o modo como são financiadas... Eu confesso que me faz um pouco de impressão ver a invenção do transístor premiada com um prémio Nobel, mas já toda a área dos semicondutores requer a sua teoria, uma física nova, onde se descobriram comportamentos que não se conheciam antes. Toda a física da matéria condensada é uma história de avanço de braço dado da ciência pura e da tecnologia. Mas mesmo a física das interacções mais fundamentais, como a que se estuda no CERN, requer a tecnologia mais avançada. A participação de cientistas portugueses nas experiências do CERN, por vezes tão criticada por "cientistas" mais "aplicados" (aqui uso mesmo as aspas), requer um investimento por parte do governo, mas constitui uma oportunidade para muitas empresas portuguesas de tecnologia de ponta, que têm acesso a contratos que, se Portugal não fosse membro de pleno direito do CERN, não teriam.
Concluindo: em vez de se perder mais tempo dentro das ciências naturais (fundamentais ou aplicadas) a discutir o que é ou não "ciência", sugiro que se passe antes a discutir por que razão as humanidades são financiadas pelas mesmas entidades que a ciência, quando têm objectivos e critérios de avaliação totalmente diferentes. Creio que as humanidades deveriam ter um orçamento próprio, dependente do Ministério do Ensino Superior, claro, mas fora do da ciência. Este ponto, sim, creio que vale a pena discutir.
Há áreas do conhecimento - e a área em que eu trabalho é uma - que não são, nunca serão, não podem ser autosuficientes financeiramente. Que requerem financiamento exterior, que ou virá de filantropos excêntricos - o melhor exemplo que eu conheço é o de Jim Simons - ou virá da sociedade. Dos nossos impostos. Não há volta a dar-lhe. Os governos da direita, e muitos dos liberais que escrevem na blogosfera, tenderão a desvalorizar a investigação fundamental, por não "criar dinheiro". Não podemos cair no erro de fazer o oposto, e considerar que, lá por outras áreas do conhecimento poderem gerar dinheiro por terem uma aplicação mais imediata, são menos importantes. Se são ou não "ciência", acho que tem que se arranjar outro critério que não simplesmente o modo como são financiadas... Eu confesso que me faz um pouco de impressão ver a invenção do transístor premiada com um prémio Nobel, mas já toda a área dos semicondutores requer a sua teoria, uma física nova, onde se descobriram comportamentos que não se conheciam antes. Toda a física da matéria condensada é uma história de avanço de braço dado da ciência pura e da tecnologia. Mas mesmo a física das interacções mais fundamentais, como a que se estuda no CERN, requer a tecnologia mais avançada. A participação de cientistas portugueses nas experiências do CERN, por vezes tão criticada por "cientistas" mais "aplicados" (aqui uso mesmo as aspas), requer um investimento por parte do governo, mas constitui uma oportunidade para muitas empresas portuguesas de tecnologia de ponta, que têm acesso a contratos que, se Portugal não fosse membro de pleno direito do CERN, não teriam.
Concluindo: em vez de se perder mais tempo dentro das ciências naturais (fundamentais ou aplicadas) a discutir o que é ou não "ciência", sugiro que se passe antes a discutir por que razão as humanidades são financiadas pelas mesmas entidades que a ciência, quando têm objectivos e critérios de avaliação totalmente diferentes. Creio que as humanidades deveriam ter um orçamento próprio, dependente do Ministério do Ensino Superior, claro, mas fora do da ciência. Este ponto, sim, creio que vale a pena discutir.
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Ciência
2006/05/17
Experiência
Entretanto passei eu esta noite por uma experiência muito intensa. Entre outras coisas, também envolveu messengers e telemóveis.
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Pessoal
O amor e a sua correspondência
Lindo, ou não fosse escrito pela Ana Sá Lopes. Não sei quanto tempo é que a crónica da Vanessa vai ficar disponível, pelo que a transcrevo aqui toda.
«A banalização do telemóvel criou a ilusão do objecto omnipresente. Numa posição de omnipresença, um objecto de paixão passou a ter a "obrigação" da resposta imediata a qualquer estímulo, sob pena de provocar o sofrimento do outro.
A angústia da perda passou a estar associada a trivialidades - pode acontecer, vertiginosa, quando se esgotou uma bateria; ocorre quando o amor se passeia displicente em lugares sem rede; e pode disparar a níveis clínicos quando o objecto amoroso, usando um direito inalienável de autodeterminação, decide desligar o telemóvel.
No amor, o telemóvel fez disparar o stress, a ansiedade, as angústias da rejeição e outras malaises de la civilisation. Um telemóvel desligado é uma providência cautelar para uma ruptura. Um presumível sintoma de infidelidade. Um fechar com a porta na cara. Um não, uma nega, uma tampa.
O telemóvel é caro, mas o amor tende a minimizar o impacto económico das medidas a que, no auge da paixão, recorre. E depois há as sms, esse deslumbrante e mais económico instrumento de sedução, mas - também ele - uma grilheta dos amantes. Os segundos de resposta, os minutos, as horas, tudo é contabilizado para avaliar o impacto de um amor.
Institucionalizados os novos rituais do enamoramento, não importa se o objecto costuma estar sequestrado na Biblioteca Nacional ou vive em audiências contínuas com díspares personalidades; se, por qualquer razão que o coração se esforça por desconhecer, não vive com o maldito computadorzinho na mão, em permanente disposição de disparar uma resposta irredutível.
O mail tem um tempo mais distendido, se excluirmos as pessoas cuja profissão as obriga a estar permanentemente em frente do computador. Estas são ainda fustigadas com o monstro do messenger, que, de borla, obriga ao diálogo contínuo.
Mas a minha amiga Vanessa, que num estado de paixão patético tem passado o último mês a escrever mails ridículos, sms ridículas e a contar os segundos da resposta, teve um destes dias um inesperado e surpreendente ataque de felicidade amoroso: recebeu uma carta. Um postal dos correios. Um envelope com selo e tudo. Quando abriu a caixa e viu que não eram só contas, ia desfalecendo. Uma carta. Uma carta? Sim, só um grande amor.»
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Jornais
2006/05/16
A blogosfera portuguesa

...foi o objecto de um extenso artigo e da capa, no mês passado, do boletim Cap Mag, da associação francesa de jovens lusodescendentes Cap Magellan. O referido artigo é baseado na síntese 25 momentos na história da blogosfera, já disponível na rede, à qual são acrescentadas referências a blogues culturais, literários e de lusodescendentes em França.
Tentei arranjar a Cap Mag no local habitual (balcão da Caixa Geral de Depósitos...) e na noite do Portugal no Coração no Hôtel de Ville (a associação Cap Magellan era uma das entidades organizadoras). Não consegui, mas a associação teve a delicadeza de me enviar uma cópia da revista para casa. Desejo aqui agradecer publicamente.
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Blogues
2006/05/15
Assim se vê a idade
Uma directa, no sentido estrito do termo, é passar uma noite em claro e só voltar a dormir na noite a seguir.
Fiz algumas directas na licenciatura, como toda a gente. Quando estava a fazer o meu doutoramento também. Uma delas foi quando estava a preparar um seminário sobre a minha investigação, no meu instituto. Era às 13 horas. Passei a noite toda lá, e como bom português que sou (não deixo os créditos por mãos alheias), estava a imprimir os acetatos às 12:30. Meia hora antes. E dei o seminário com uma directa.
Lembrei-me desse seminário nesta semana que acabou, na qual passei duas noites sem dormir a preparar o seminário que dei na sexta-feira. Mas não fui capaz de aguentar até à noite sem dormir. Em ambos os dias fui deitar-me de manhã, mas tive de dormir umas horas. Ou seja, já não sou capaz de fazer uma directa. Se a isto acrescentarmos que já não deixo a preparação do seminário para a última da hora, assim se vê como me estou a tornar velho e sem graça.
Fiz algumas directas na licenciatura, como toda a gente. Quando estava a fazer o meu doutoramento também. Uma delas foi quando estava a preparar um seminário sobre a minha investigação, no meu instituto. Era às 13 horas. Passei a noite toda lá, e como bom português que sou (não deixo os créditos por mãos alheias), estava a imprimir os acetatos às 12:30. Meia hora antes. E dei o seminário com uma directa.
Lembrei-me desse seminário nesta semana que acabou, na qual passei duas noites sem dormir a preparar o seminário que dei na sexta-feira. Mas não fui capaz de aguentar até à noite sem dormir. Em ambos os dias fui deitar-me de manhã, mas tive de dormir umas horas. Ou seja, já não sou capaz de fazer uma directa. Se a isto acrescentarmos que já não deixo a preparação do seminário para a última da hora, assim se vê como me estou a tornar velho e sem graça.
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