
...que até acho que vou almoçar dobradinha.
"Interacções de todo o universo, unificai-vos!"
- Regista-se uma belíssima casa.
- Ainda há umas semanas este mesmo estádio Magalhães Pessoa não levou mais do que umas trezentas pessoas num jogo. Hoje está praticamente cheio de adeptos do Sporting.
- Em cada ano, sempre que cá vem o Sporting é que isto acontece.
Foi uma surpresa a espécie de gente que (Cavaco) insistiu em levar para Belém. As nomeações para o Conselho de Estado, por exemplo, revelam uma estranha hostilidade ao Parlamento. (...) Este Conselho de Estado proclama o "esplêndido isolamento" do dr. Cavaco: a sua orgulhosa auto-suficiência.
A escolha de assessores também não tranquiliza. O assessor para Assuntos Políticos e grande nome da revista Atlântica, António Araújo, o consultor para Assuntos Políticos, o notório dr. Espada, e a consultora para a Ética e Ciências da Vida, uma açoriana, podiam perfeitamente ter saído ontem de uma caverna qualquer do Bible Belt, a berrar por Bush. Será que o dr. Cavaco, que sempre julgámos relativamente equilibrado, quer de facto embarcar numa cruzada moral contra o aborto, a pílula, o divórcio, a homossexualidade, a pornografia e o resto dos crimes sem perdão em que o "niilismo" moderno nos "poluiu"? Se quer, precisa de músculo: e tem muito músculo no dr. Carlos Blanco de Morais, da "nova direita" e da revista Futuro Presente, conhecido apologista da "maneira forte", que da imigração à nacionalidade já mostrou o seu apego à "ordem". Para acabar o quadro, há ainda o contingente "liberal". O inevitável dr. Espada, claro, papagaio por excelência do ultraconservadorismo americano; o prof. Justino, que acha o levantamento do sigilo bancário um acto de "fascismo fiscal" (fascismo? a sério?); e o dr. Borges de Assunção, consultor económico e organizador do Compromisso Portugal (esse benemérito grupo), que vem com a velha receita de "emagrecer" o Estado e reduzir impostos.
Se o dr. Cavaco resolver um dia ouvir este raminho de cabeças pensantes, põe em pé de guerra ou simplesmente em guerra a esquerda e a república. E, se puser, não se deve iludir, com certeza que perde.
Quando se tratou das nomeações para o Conselho de Estado, Jorge Sampaio fez precisamente o contrário de Aníbal Cavaco Silva. Queria que os partidos representados na Assembleia da República (excepto o Bloco, nessa altura, ainda em embrião) estivessem também representados no Conselho de Estado. Ofereceu, por isso, um lugar da sua quota pessoal ao presidente do CDS e outro ao secretário-geral do PC. O presidente do CDS, por razões que não interessam aqui, resolveu recusar. O secretário-geral do PC não recusou e o PC teve o seu assento garantido durante todo o mandato. A política de Jorge Sampaio é muito compreensível. Se a Assembleia se portava com facciosismo, ignorando uma parte significativa de si própria, competia ao Presidente repor o equilíbrio. O Conselho de Estado, sendo consultivo, não decide nada, mas na medida do possível deve representar a opinião do regime e do país. Deixar de fora o CDS ou PC diminui, como é óbvio, sua eficácia e o seu valor: e contribui para isolar o Presidente. (...)
Quanto aos conselheiros, não há de facto qualquer impedimento a que o dr. Cavaco nomeie Gengis Khan seu assessor político. Só parece estranha a concentração em Belém de gente que em princípio se julgava incompatível, ou quase incompatível, com a personagem pragmática e moderada do candidato à Presidência. (...) Um pequeno grupo de zelotas, para não dizer pior, acaba frequentemente por influenciar (ou envenenar) a atmosfera ideológica de uma instituição. O que sem eles se considerava impensável é com eles, de repente, vulgar. (...) Essas criaturas chegam com um passado, encarnam causas, trazem uma agenda e exercem funções de algum alcance. Não são o dourado de uma porta. São uma franja da direita irreformada e irreformável, que o dr. Cavaco instalou no centro da política.


O dr. Dias da Cunha foi um bom presidente do Sporting e devia ter sido o presidente do Centenário. Devo dizer-lhe que o dr. Dias da Cunha pediu-me até há um ano atrás para eu ser candidato e eu sempre disse que não queria ser candidato e uma das razões para a minha posição prendia-se com o facto de eu ver o Sporting como o estou a ver agora, apresentando este projecto. Por um lado, sinto que isto não deixa de ser um projecto que tem a sua quota-parte de audaz e que pode chocar com a cultura de alguns sportinguistas. Eu, aos 52 anos, o que sou é sportinguista. Quero o bem do Sporting e quero dar-me bem com o Sporting. Por isso, não quero que esta proposta seja mal interpretada e não pretendo fazer inimigos, muito menos à volta do Sporting. Em Junho do ano passado, eu saí do universo empresarial do Sporting, porque tive divergências acerca da gestão da SAD. Quanto a mim o Sporting é fundamentalmente futebol e considerei que não fazia sentido eu estar no Sporting. (...) A minha diferença com o dr. Dias da Cunha foi no final da época passada na análise que eu fiz da'performance' não só da equipa como da equipa técnica, como da equipa de gestão. Aí tivémos uma divergência. Eu achei que as coisas tinham de mudar e ele entendeu o contrário e ele era o presidente...

A decisão final deve pertencer aos sócios mas, para que haja seriedade, devemos mostrar as contas completas e diferenciadas, sendo certo que a contabilidade do Sporting já as permite. Devemos mostrar aos sócios exactamente o que cada modalidade, além do futebol, custa verdadeiramente ao Sporting, desde custos de funcionamento, à amortização de instalações. Só com estas contas disponíveis se podem tomar decisões sérias. Dito isto, tenho de dizer que gosto do Sporting ecléctico. Gosto do Sporting dos fundadores e entendo que aquilo que se exige de um dirigente é saber ter em conta o mundo e as suas mudanças, mas, ao mesmo tempo, saber conservar os valores fundamentais. Por isso, assumi no meu mandato que nenhuma das modalidades seria posta em causa.Entrevista ao Record, 13 de Março:
O que assinei não é uma obrigatoriedade de alienação pura e dura e muito menos uma alienação definitiva. Alguém de bom senso acredita que aceitaríamos vender por 5 milhões algo que nos custou 17?





Esclarecimento sobre a liberdade de expressão e a relação entre o Ocidente e o mundo islâmico
Diogo Freitas do Amaral
Não tendo estado em Lisboa quando alguns títulos ou frases me foram atribuídos pelo PÚBLICO - com base em afirmações truncadas divulgadas por um canal de televisão, a propósito da polémica dos cartoons -, esclareço:
1) Sempre defendi, e defendo, a liberdade de expressão, e não propus para ela qualquer novo limite legal, censura ou sanção para o seu eventual mau uso: apenas defendi, e defendo, que essa liberdade, como todas as outras, tem limites legais e deve ser usada com bom senso, de forma responsável.
No caso presente, da crescente tensão entre o Ocidente e o islão, o meu apelo foi apenas dirigido ao bom senso: vamos contribuir para a escalada do conflito, deitando mais achas para a fogueira, ou é melhor evitar o agravamento e tentar todas as possibilidades de diálogo que existem? A minha opção, como ministro dos Negócios Estrangeiros de um país europeu, é a segunda, por ser a que melhor contribui para manter a paz e segurança internacionais;
2) Foi por alguns deturpada, por ser citada fora do contexto, a frase, que me é atribuída, de que "a culpa da crise actual entre o Ocidente e o islão é do Ocidente". Eu não disse isso.
O que eu disse - num conjunto de frases talvez demasiado longo para o espaço normalmente disponível na comunicação social - foi que, vista a crise actual do lado dos povos islâmicos, o Ocidente nunca deixou de os agredir. E citei, como exemplos, as Cruzadas (que para eles foram ontem), o colonialismo (que só acabou para muitos deles no século XX), as guerras de libertação (de que a mais violenta foi a do povo argelino com a França), a posição ocidental no conflito israelo-árabe, a intervenção militar no Iraque, e agora a questão dos cartoons (que a nós nos fazem rir, em regra, mas neste caso ofenderam tanto os muçulmanos que até o jornal dinamarquês que os publicou já pediu desculpas públicas pela ofensa cometida).
É claro que, no meio disto tudo, houve o aparecimento do terrorismo islâmico (que eu logo condenei) e a reacção imediata de derrube do regime taliban no Afeganistão (que eu logo apoiei).
O problema está em que a seguir veio a guerra do Iraque - para os que a lançaram, uma peça da estratégia antiterrorismo; para os muçulmanos (e não só), um perigoso desvio da luta contra o terrorismo internacional e uma ofensa do Ocidente aos povos islâmicos.
Em resumo: para os muçulmanos, o Ocidente é o único culpado ou, pelo menos, o principal culpado; para mim, o Ocidente também tem as suas culpas. E como somos mais ricos, mais poderosos militarmente, e temos mais a perder do que eles, se tudo isto levar a uma guerra de civilizações, entendo que devemos ser nós, os ocidentais, a tomar as primeiras iniciativas pacificadoras.
