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2010/05/11

Reunião da ANICT

Foi um jornal do Minho quem melhor relatou o que se passou neste fim de semana, mas infelizmente só no final do Simpósio da ANICT. Mesmo assim, muito melhor que todos os outros jornais que li.

2010/04/21

Revista de imprensa (Abril 2010)

Para maior azar de Papandreou, no dia seguinte, o mesmo jornal trazia uma reportagem sobre a contestação de rua, em Atenas, às suas medidas, onde se registava a opinião de uma jovem de 26 anos, declarando que, em caso algum, aceitaria que prolongassem a sua idade de reforma, prevista para os 50. Porque, explicava ela, a sua profissão estava considerada por lei como de "desgaste rápido", o que lhe conferia também direito a uma reforma rápida. E qual era a profissão dela? Cabeleireira. É uma das 280 profissões ou trabalhos a que a lei grega reconheceu o estatuto de 'desgaste rápido', em consequência de sucessivas cedências às reivindicações sindicais.
Por diversas razões, que agora não vêm ao caso, eu acho que, aqui, como no resto, a Europa nunca tem sido justa com a Alemanha e nunca reconheceu suficientemente o esforço que a Alemanha tem feito em defesa da Europa e na manutenção de pontes entre o Leste e o Oeste, entre o Mediterrâneo (incluindo a Turquia) e o Norte. Talvez se perceba isso melhor quando se vê uma imigrante turca de Berlim (onde 20% dos habitantes são imigrantes) atirar para o chão, displicentemente, o embrulho do cachorro acabado de comprar. Numa cidade estimada pelos seus habitantes, limpa e onde tudo funciona, que custou milhões aos pagadores de impostos para se unificar e reconstruir depois do Muro, o gesto é uma ofensa que dá que pensar.
Nessa semana, por coincidência, eu também estava em Berlim e percebi bem por que razão 90% dos alemães não querem ajudar a Grécia a sair do buraco onde se enfiou e chegam até à ironia de perguntar se, em alternativa, os gregos não quererão antes vender algumas ilhas. Como me explicou um alemão, "Papandreou representa um país onde toda a gente tem direito a 13º e 14º mês e onde a idade de reforma nunca vai além dos 60 anos. E vem-nos pedir dinheiro a nós, esquecendo-se que aqui não há direito legal a 13º e 14º mês e a idade de reforma já vai nos 67 anos". (Miguel Sousa Tavares, 01-04-2010)
O SAP de Valença foi fechado a partir das 22h - como trinta e dois outros nos últimos três anos. Tinha uma média de 1,7 utentes por noite, os quais mobilizavam um médico, um enfermeiro, um administrativo. Três funcionários do Estado a receber horas extraordinárias e nocturnas a noite toda, para atenderem 1,7 doentes ou autodeclarados como tal: era, provavelmente, a consulta mais cara do país. Se os casos atendidos fossem graves, o serviço servia de muito pouco ou pior: fazia perder tempo a encaminhar o doente para outro lado, onde houvesse condições para o atender; se não fosse grave, o atendimento nocturno servia apenas para retirar um médico do serviço de dia, onde há mais gente para atender. Como não somos o Dubai e não temos dinheiro para manter 24 horas por dia um médico, um enfermeiro e um funcionário ao serviço de cada cidadão, o SAP de Valença fechou. Agora, a população diz que vai a Tuy, em Espanha, logo ali ao lado e onde dizem que são recebidos a qualquer hora e sem sequer pagar taxas moderadoras. Agradecidos, hastearam bandeiras espanholas na vila e dizem que só voltam a ser portugueses quando reabrir o serviço nocturno do SAP. Eu, que dou ao meu país 60% do que ganho a trabalhar, em impostos directos e indirectos, tenho um recado para os de Valença: por favor, continuem espanhóis. (Miguel Sousa Tavares, 15-04-2010)

2010/03/25

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Neste caso, foram os comboios, o que eu acho pior (é um transporte público):

Pediram que "evitasse morrer" junto às casas.

Entretanto, anteontem foi dia de greve da CP. O pobre septuagenário provavelmente desejaria ter morrido logo na terça feira, mas por causa dos malvados grevistas teve de adiar tudo um dia. Na próxima greve da CP, para além dos transportes alternativos, será de exigir também um serviço mínimo de suicídios?

Também publicado no Esquerda Republicana

2010/03/16

Vasco Pulido Valente, a corrupção e a falta de exemplo

Nem sempre concordo com Vasco Pulido Valente, mas acho que a sua crónica no Público da passada sexta feira vale a pena ser lida. Explica muito da tradicional falta de autoconfiança e autoestima dos portugueses.

"Um estudo de Luís de Sousa, sociólogo do ICS, mostra que 63% dos portugueses toleram (ou, mais precisamente, aprovam) a corrupção, desde que ela produza "efeitos benéficos" para a generalidade da população. Isto não é um sentimento transitório, provocado por trapalhadas recentes; é uma cultura. A cultura dessa grande guerra que desde que nasceu qualquer de nós tem com o Estado opressor e remoto e com Governos que nunca respondem pelo que fazem ou deixam de fazer. O português médio execra a autoridade, seja sob que forma for, e vive no seu país como se vivesse sob ocupação estrangeira. O servilismo e a falta de carácter, que tanta gente pelos tempos fora lamentou, escondem a vontade de salvar a pele e a aspiração, muito natural, de enganar quem manda.
Não há regras para ninguém, porque ninguém cumpre as que por acaso há. Quem pode levar a sério uma escola em que o próprio ministério fabrica os resultados, proíbe legalmente a reprovação e aceita a violência ? Quem pode levar a sério um regime que se diz democrático e selecciona o funcionalismo pela fidelidade partidária ? Quem pode considerar um ponto de honra pagar impostos, quando a fraude e a injustiça fiscal são socialmente sinais de privilégio e de esperteza ? Quem vai pedir um recibo ao canalizador ou ao electricista ou a factura no restaurante, quando sabe o que paga e o que o Estado gasta sem utilidade e sem sentido ? E quem vai obedecer às determinações da câmara do seu sítio, quando a camara é uma agência de negócios de favor e uma bolsa de favores sem explicação e sem desculpa ?
Não admira que o "povo dos pequenos" conspire constantemente contra a lei e até contra a decência. Que falte ao trabalho ao menor pretexto; que trabalhe mal, se trabalhar bem lhe custa; que peça aqui ou empurre ali, para se beneficiar ou aliviar; que torne as ruas uma lixeira pública; que guie, na cidade ou na estrada, como se estivesse sozinho; que minta a torto e a direito sobre o que lhe apetece e lhe convém; que não passe, enfim, de um miserável cidadão, indiferente à política e ao país. Não lhe ensinaram outra coisa. Os chefes são como ele. O Estado é como ele. Como exigir que ele se porte como Portugal inteiro não se porta ? Claro que ele aprova a corrupção e consegue ver nela virtudes redentoras. Não é agora altura de mudar de costumes."

2010/03/11

Não foi para isto

35 anos se passam sobre uma data que marcou a modernização da economia portuguesa na década de 70. Com efeito, nessa época a regra nos países europeus era as grandes empresas, os principais meios de produção serem considerados estratégicos e estarem nas mãos do estado. A isto acrescentou regalias para os trabalhadores que há quem ainda hoje não aceite, como os subsídios de férias e Natal e o salário mínimo. O que o governo do “terrível revolucionário” Vasco Gonçalves se limitou a fazer foi o mesmo que se fazia na Europa.
35 anos se passaram, e discute-se o PEC. O PEC que tem medidas muito positivas e há muito reivindicadas, como a criação de um novo escalão de IRS para os rendimentos mais altos e a taxação das mais-valias. Também concordo com o fim dos benefícios fiscais anunciados, e não me faz confusão os não-aumentos na função pública e a suspensão de obras públicas como o TGV até melhor data (embora, como afirma o João Vasco, tal medida venha dar razão ao PSD e lance dúvidas sobre se o PS mudou de ideias ou se (e nos) enganou nas contas – qualquer uma delas é má). Mas tais medidas não são suficientes para compensarem tudo o que o governo se prepara para anunciar, nomeadamente um pacote de privatizações de empresas e serviços públicos de que o estado não pode abrir mão, a começar pelos Correios e pela Rede Energética Nacional. Concordo: um governo socialista não privatiza os correios (nem a REN). Os socialistas têm de levantar-se e dizer "BASTA!”
Mesmo nas restantes empresas, e independentemente do que se achar que o Estado deve deter (e eu acho que deve detê-las), como anuncia o Daniel Oliveira, tais privatizações fazem mal ao défice.
Não direi que para mim tal intenção constitui a “gota de água” porque infelizmente representa muito mais do que uma gota (se só quisessem privatizar uma gota, estaríamos nós bem). De qualquer maneira, e uma vez que escrevo sobre política sem nenhum interesse que não seja o de exprimir as minhas opiniões e partilhá-las com os leitores, da mesma forma que anunciei antes das eleições que iria votar no PS, anuncio agora que, a confirmar-se este programa, se houvesse neste momento eleições não votaria no PS. Se o governo levar as privatizações avante, deixa de contar com o meu apoio.

2010/03/02

Muitos tostões de Timor para a Madeira

A Madeira que, recorde-se, é a segunda região mais rica de Portugal. Mas que nem sequer dispunha de um radar decente. Teria o resto do país obrigação de a ajudar? É claro que sim, em nome da coesão nacional e por pura solidariedade. É claro que eu espero que as responsabilidades por tanta construção selvagem e em leito de cheia sejam apuradas - o tão propalado "desenvolvimento" da região assentava nestas obras, e como se vê subsistem desequilíbrios extremos.
Agora teria obrigação de ajudar quem, há dez anos atrás, na altura mais difícil, ouviu um "da Madeira nem um tostão"? É claro que não teria. É o que se chama "bofetada de luva branca".

Também publicado no Esquerda Republicana

2010/02/25

Um desastre anunciado há dois anos


É uma altura de dor (pois ninguém o nega) tristeza e luto nacional (ninguém o contesta), mas se se apontar o dedo aos responsáveis pelo caos urbanístico que ampliou as consequências desta tragédia (o principal é, sem dúvida, o governo regional) é-se acusado de "canalhice" e de "fazer política baixa". Francamente espanta-me como, com um ambiente destes (criado pela direita) há gente que ainda tem o topete de estar sempre a falar na "ditadura do politicamente correto". O que sucedeu na Madeira poderia suceder: já se sabia há anos, como demonstra este documentário que me foi indicado pelo Rui Curado Silva. Há dez anos caiu uma ponte em Entre-os-Rios e dezenas de pessoas morreram afogadas; o então ministro das obras públicas (um político por quem não tenho especial simpatia) disse que a culpa "não podia morrer solteira" e demitiu-se. (E não é claro que fosse ele o responsável pelo sucedido.) Na catástrofe da Madeira, onde, apesar da intempérie ser grande, a desgraça tem responsáveis muito mais claros, será que a culpa vai morrer solteira?

Também publicado no Esquerda Republicana

2010/02/23

Tristes tempos em que até Isaltino pode fazer figura de homem honrado

Isaltino Morais não prolonga contrato entre Tagus Park e Figo

Despropositada é a comparação "A Câmara de Oeiras vai fazer tudo para que não haja partidarização do Tagus Park. É mau se o pólo se transformar em mais uma empresa pública para acolher os boys daqui ou de além". Logo a Câmara de Oeiras, esse exemplo de seriedade.

Também publicado no Esquerda Republicana

2009/09/25

Por que voto no PS

Numa notável música intitulada O Estrangeiro, em 1989, Caetano Veloso remata anunciando:
Some may like a soft brazilian singer but I’ve given up all attempts at perfection.
Não defendo que esqueçamos a perfeição. A perfeição deve permanecer como o objectivo, os objectivos devem ser claros e devemos lutar por eles. Mas devemos ter a noção de que a perfeição nunca é atingível por métodos democráticos, e os métodos antidemocráticos (para além de serem isso mesmo – antidemocráticos) conduziram a resultados que ninguém, nem mesmo o mais fanático, considera perfeitos. Ou seja: devemos tentar aperfeiçoar-nos, conscientes das nossas imperfeições. A perfeição é algo que se tenta atingir, e não algo que se estabelece. Finalmente, há limites à perfeição que queremos atingir (à esquerda: a Igualdade e a Liberdade), provenientes da nossa condição humana de animais sociais, que podemos aprender com a História, mas também com a Segunda Lei da Termodinâmica. São totalmente irrealistas as propostas baseadas na “imaginação”, no “sonho”, no “ideal” e na “utopia”, que tantas vezes se ouve falar à esquerda, e que devemos rejeitar em nome da verdade. (Belo slogan, o do PSD: Política de Verdade. Pena que não tenha nada a ver com o partido que o usa.) Mais valem avanços concretos que tacticismos suicidas que preferem levar a direita ao poder em nome da “pureza ideológica”, na esperança que a revolução fique mais próxima e mais fácil. É em nome destes avanços concretos, é por causa destes avanços concretos, que voto no PS nestas eleições legislativas. Porque sou de esquerda e, relativamente aos outros partidos, o Bloco de Esquerda não consegue (ou não conseguiu, até hoje) assumir nenhum tipo de responsabilidades, e o PCP, se não tiver uma posição hegemónica (que o povo português nunca entendeu dar-lhe), prefere conservar a sua pureza como partido puramente de protesto. Esta minha rejeição poderia motivar-me a procurar uma outra alternativa, ou a votar no PS simplesmente porque era o mal menor. Não é esse o caso: voto no PS nestas eleições com convicção: estou firmemente convencido de que é o melhor para Portugal. O que motiva este meu ponto de vista são alguns dos tais “avanços concretos” dos últimos quatro anos, rumo a uma sociedade mais justa. Sem querer ser exaustivo, vou enumerar alguns:

2009/08/03

Restaurante "franco-italiano"


Na verdade é bem português, como a bandeira indica. Mas em Paris (e em grande parte do resto do mundo) ser "português" continua a não "vender". É uma pena.

2009/07/22

No Quai Henri IV

Ali perto da Bastilha. Um rapaz diferencia-se, entre a multidão parisiense, por escarrar para o meio do chão com toda a gente a ver. Adivinham o que ele tinha estampado na camiseta? Certo (palavra de honra): “graças a Deus que sou português”!

2009/07/12

O cu e as calças (3)

Fernanda,
condenar a violência policial injustificada é uma coisa. Que não tem nada a ver com este caso que referes.
Há muito boa gente (que fica muito entusiasmada com os protestos dos estudantes gregos - creio não ser o teu caso) que fala em "estado policial" e "fascista" cada vez que um polícia comete um excesso (acho muito bem que se apurem responsabilidades por esses excessos, atenção). Organizam vigílias e protestos. Mas não são capazes de terem uma palavra perante dois polícias que são baleados. Há muito boa gente (na blogosfera) para quem a vida de um polícia vale menos que as outras. Não queiras confundir tu o cu com as calças também.

2009/06/08

No rescaldo das europeias

  1. Parece ser unânime culpar Vital Moreira pela má prestação do PS. Não sei se isso é verdade ou não; da minha parte, não concordo. Quando se repete tantas vezes que “não houve debate sobre a Europa”, esquece-se que Vital foi o único candidato que o procurou introduzir. E com propostas europeístas (que pouco tinham de nacionalistas): o não-apoio a Barroso no Parlamento Europeu (espero que Vital seja consequente com essa sua proposta, independentemente do que o PS decidir) e o imposto europeu. Vital só esteve mal, a meu ver, na última semana, ao associar o PSD ao BPN. É pena que o PS não tenha sabido respeitar a independência do seu cabeça de lista – o político mais atacado, por todos os lados, nesta eleição. Vital Moreira, repito-o, parece-me ser o grande injustiçado destas eleições.
  2. Votei no Bloco de Esquerda, como aqui referi. Genericamente (e para isto eu não preciso de grandes campanhas eleitorais), o meu voto nas eleições europeias seria do Bloco de Esquerda, excepto por algum motivo excepcional. Sou europeísta, e não concordo com um bloqueio da construção europeia como forma de protesto (nisto estou em desacordo com o Bloco). Mas o Bloco é também um partido europeísta (ao contrário do “soberanista” PCP). E há que reconhecer que a Europa não vai nada bem, com os cidadãos a serem cada vez mais afastados dos processos de decisão (veja-se o caso da aprovação do recente Tratado de Lisboa). Insistir em prosseguir sem um verdadeiro apoio popular pode resultar num equívoco trágico. Numa situação em que os eleitores sejam chamados a pronunciar-se sobre esse processo (um referendo), provavelmente votarei contra o Bloco; por agora, entendi votar em quem defenda esse processo. Acresce que conheço pessoas do Bloco de Esquerda que votariam “sim” nesse referendo (o Rui Curado Silva e o Rui Tavares que, embora independente, é um eurodeputado eleito).
  3. O Rui Tavares. Como disse, o meu voto nestas eleições à partida seria naturalmente no BE. Para além disso, fico muito feliz por este meu voto ter contribuído para eleger um amigo (algo que não contribuiu para a minha decisão) e, principalmente, alguém que, tenho a certeza, vai ser um excelente deputado europeu. Espero que a eleição do Rui contribua para aproximar a Europa dos cidadãos.
  4. Finalmente (por hoje), os resultados nacionais. Estive na quinta feira no comício de encerramento da campanha do bloco em Braga. Ouvi Miguel Portas dizer coisas acertadas, mas outras irresponsáveis (criticar o governo pelo aumento das idades da reforma, sem se preocupar com a sustentabilidade da segurança social, ou criticar a avaliação dos professores sem propor uma alternativa que não fosse deixar tudo na mesma - mal). Tive de me vir embora; se ficasse para ouvir Francisco Louçã, iria acabar por mudar o meu sentido de voto mesmo nas europeias. Votei no Bloco porque estas são eleições europeias, nas quais eu votei a pensar na Europa e no mundo (e é o Bloco quem melhor me representa nestes assuntos, dos grandes partidos portugueses). Não é legítimo interpretar o meu voto à luz de política nacional. É muito pouco provável que o Bloco possa contar com o meu voto para as legislativas.

2009/04/25

35 de Abril



Sempre. Sempre.

2009/04/02

Ponte das Barcas, 200 anos depois

Não me lembro de ter estudado a tragédia da Ponte das Barcas em nenhuma disciplina de História. A verdade - tenho que o admitir - é que se até à semana passada me perguntassem o que tinha sido a tragédia da Ponte das Barcas, não saberia responder ao certo. É provável que o episódio venha referido no livro Uma Aventura no Porto, que eu devo ter lido há 20 anos. Talvez me lembrasse de um acidente na fuga às tropas de Soult, mas não imaginava que tivesse tido a dimensão que teve.
Ora isto é muito grave. A tragédia da Ponte das Barcas, como o Pogrom de Lisboa de 1506, sendo duas tragédias bem distintas na sua natureza, são episódios importantíssimos da História de Portugal, que não podemos ignorar. No caso da Ponte das Barcas, em termos absolutos - mais de 4000 mortes - é uma tragédia bem maior que o 11 de Setembro de 2001. Para não falar em termos relativos: o Porto não é a Nova Iorque de hoje, e muito menos o era há 200 anos. 4000 pessoas representavam muito mais para o Porto daquela altura do que para a Nova Iorque de hoje. Bem sei que - com respeito por todos os mortos - o que tornou o 11 de Setembro horrendo foi o acto em si, mais do que o número de mortos. Mas justamente por isso, o que impressiona na Ponte das Barcas é a dimensão da tragédia. Tal como Leiria (como eu referi há três meses), depois das invasões napoleónicas o Porto não era a mesma cidade de antes. A principal lição histórica é esta, e eu não creio que seja bem aprendida.

2009/02/04

O voto por correspondência

Funciona mais ou menos assim: há dois envelopes. Colocas o teu voto num, mais pequeno, que é lacrado. Coloca-lo dentro de um outro, e adicionas um documento assinado que te identifica. Fechas o segundo envelope. (Percebeste, Maria João?) Um processo seguro, e o segundo envelope garante confidencialidade. Creio que são os segundos envelopes que são depositados nas urnas, tornando-se indistinguíveis, antes de serem abertos.
Foi assim que eu votei nas últimas presidenciais. Ainda assim, tive de me deslocar ao consulado, pois encontro-me recenseado em Portugal apesar de na altura viver no estrangeiro. Foi o consulado que enviou o meu voto para a minha secção de voto em Portugal. Não percebo por que não o poderia fazer eu mesmo, em casa. Tal como não percebo por que só me deixavam votar assim (estando eu no estrangeiro) nas presidenciais e não nas legislativas ou autárquicas ou europeias. Tal como não percebo por que não é permitido a qualquer pessoa fazer isto para qualquer eleição, desde que comunique a sua ausência no dia das eleições a tempo à mesa. É assim que funciona noutros países, onde o voto por correspondência é corriqueiro. Facilita a vida às pessoas e diminui a abstenção.
Esteve portanto muito bem Cavaco Silva no seu veto. Só lamento que este processo do voto por correspondência não se alargue.
Ironicamente, a única vez que votei por correspondência foi para votar contra quem agora assegurou a continuidade deste tipo de voto...

2008/12/29

Leiria no tempo das Invasões Francesas

Encontra-se patente até ao fim deste ano na Casa-Museu João Soares (Fundação Mário Soares), nas Cortes, em Leiria, a interessantíssima exposição "Leiria no tempo das Invasões Francesas". A exposição é muito útil para perceber a decadência cultural e económica da Região Oeste, que começou nessa altura. Nenhuma região foi tão saqueada ou sofreu tanto nesse período (início do século XIX) como a região de Leiria. As "elites" de Leiria fugiram, abandonando as riquezas da região e a população mais pobre à sua sorte e à mercê do invasor. A região de Leiria desde então nunca mais recuperou o que tinha na altura, em população (houve muita gente que morreu e outra que nunca regressou), em poder, riqueza e influência. Ainda hoje quem lá vive, apesar da ostentação característica, lamenta não viver em Lisboa ou Coimbra. É uma pena. Mas nesta educativa exposição percebe-se porquê. Para quem se encontrar perto, é a não perder.

2008/12/02

"Está a nevar!"






Lembrei-me agora de quando vi neve a cair pela primeira vez, em Long Island, em 1998. Até aí só tinha visto neve no chão, mas sem ser a cair. Os meus colegas americanos, alemães e mesmo italianos nem queriam acreditar, e a partir daí passaram a julgar que Portugal era assim como que uma Florida da Europa.
Eu bem alertava os meus colegas. Mais uma vez se confirma: em Portugal sempre que neva vem na primeira página dos jornais.

2008/10/08

Da tradução para o acordo ortográfico

Não sei se seria essa a intenção original do autor, mas como comentário (assinado por "Antónimo") a este texto da Fernanda Câncio encontra-se um excelente argumento a favor do acordo ortográfico da língua portuguesa. Passo a transcrevê-lo (ligeiramente adaptado para este contexto):
Embora as editoras mais do que abusem (por exemplo, é raro pagarem direitos de autor - só o fazem a consagrados -, escondem as vendas a sete chaves e os livros que saem aí com jornais e revistas - tiragens de 30 mil exemplares - têm um custo de produção de 90 cêntimos) é um bocado complicado os livros em português ficarem ao preço de um da Penguin, não é?
Uma Guerra e Paz da Penguin, em inglês tem centenas de milhões de leitores. Até podiam dar os livros que não se sentia. Não há direitos de autor e imagino que as traduções foram pagas há décadas. Se os nossos leitores ainda preferem ir comprá-los em vez dos desgraçados três mil exemplares que a exemplar tradução portuguesa não esgota, mesmo se publicada desde 2005, a coisa piora.
No fundo, paga 15 euros por uma coisa que não custou nada a produzir em vez de pagar 60 euros por algo que custou consideravelmente mais.

Pois é, Fernanda, o que falta para termos livros baratos em português é um verdadeiro mercado global do livro em língua portuguesa!

(Já agora: à entrada da livraria do Instituto Superior Técnico está um anúncio desta editora onde ela se gaba de publicar "autores nacionais", e recomenda aos estudantes que escolham os livros por ela publicados em detrimento das "traduções brasileiras" (inclui mesmo a frase "Não estudes por traduções brasileiras!"). Esta editora tem desenvolvido um trabalho meritório na publicação de bons livros técnicos de autores portugueses. Mas precisava de os "promover" utilizando um "argumento" tão mesquinho e rasteiro?)