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2007/02/27

Carnaval na Mealhada - o desfile


Quem nunca tinha assistido, como é o meu caso, provavelmente não estava à espera, mas esta é uma festa de todas as idades. O empenho dos menos novos é notável.

2007/02/23

O português mais português que eu conheci


(Imagem roubada daqui; foi a única que encontrei.)

No passado verão, encontrava-me eu no Público a estagiar como jornalista científico. Atrás de mim sentavam-se os designers, que se encarregavam dos suplementos semanais. Sempre que alguém desta equipa de simpáticos profissionais estava de volta da próxima edição do Inimigo Público, aparecia um indivíduo mais velho, de trajo mais formal, gel na cabeça e mãos nos bolsos.
O ambiente na redacção de um jornal não é propriamente o mais calmo: há sempre conversas entre jornalistas, de trabalho ou não, que constituem um ruído de fundo geralmente alegre e não incomodativo. Acabamos por nos habituar e conseguir trabalhar. Mas cada vez que o dito senhor aparecia, tínhamos de ouvir a sua conversa com os designers, as piadas que ele lhes contava, e que terminavam sempre com as suas gargalhadas, altíssimas e algo alarves, que se ouviam naquele andar todo. O senhor pelos vistos achava muita graça a si próprio.
Um dia eu finalmente não aguentei mais. Dirigi-me ao senhor e pedi-lhe que falasse mais baixo, pois estava a incomodar-me e não me deixava trabalhar. Embora não deva ter sido propriamente simpático, pois encontrava-me (julgo que) compreensivelmente agastado, garanto que falei sempre com bons modos. Mas tal não foi suficiente para o senhor, que (numa reacção que nunca esquecerei) me mirou de alto a baixo e perguntou: “Quem é você?” Para de seguida me acusar de o “mandar calar” (algo que nunca fiz).
Compreendo que o senhor se manifestasse surpreso por ver um estagiário dirigir-se-lhe desta forma: os estagiários estão na base da hierarquia do jornal, à procura de uma vaga no quadro. Está certo que eu não era um estagiário como os outros (nomeadamente não pensava seguir a carreira de jornalista). Mas dirigi-me a ele, sem saber quem ele era, como me teria dirigido a qualquer outra pessoa (sempre com bons modos): por estar convencido da minha razão. Nunca vislumbrei no senhor qualquer pedido de desculpas ou sinal de arrependimento. Mas pela forma como me questionou, é legítimo pensar que, se me conhecesse, nomeadamente se eu me chamasse Belmiro ou Zé Manel, a sua reacção teria sido outra. Quando alguém chama a atenção a este senhor, pelos vistos é mais importante a posição da pessoa do que a razão que eventualmente possa ter.
O episódio passou-se, e entretanto o meu estágio no Público acabou. Não fazia na altura ideia de quem era o indivíduo com quem tinha protagonizado este episódio. Vim mais tarde a descobrir tratar-se do director do suplemento Inimigo Público. E só ainda mais tarde descobri o seu nome, e que era membro permanente do painel de comentadores do programa O Eixo do Mal, estando na origem da recente iniciativa para a escolha do “pior português”. Não o vou classificar como “bom” ou “mau”, pois todos temos virtudes e defeitos. Mas pelo comportamento que evidencia no que aqui relatei sobre o barulho na redacção (sobranceiro para com os estagiários, subserviente para com os poderosos) e pela tendência para a maledicência no que diz respeito aos seus compatriotas e semelhantes, considero que, de todos os portugueses que eu conheci, Luís Pedro Nunes, ele sim, neste pequeno episódio, representou o pior de ser português.

Publicado originalmente no Cinco Dias.

2007/02/12

O terramoto não foi só político

...também foi real, aqui em Lisboa. Grau 6 na escala de Ritcher.

2007/01/30

Ó AAA, é preciso chegar a este ponto?

Do Público de hoje:
SMS anónimos levam a voto involuntário em Salazar
Maria Lopes

Produção do programa diz que é "uma forma de pirataria", mas o sistema só permite um voto por cada número de telefone

"Por favor ligue-me: 760102003." A mensagem, sem identificação do remetente ou qualquer outra informação além desta frase, anda a ser enviada há alguns dias para inúmeros telemóveis. Quem responde ao apelo apercebe-se, três segundos depois, que acaba de votar em António de Oliveira Salazar no âmbito do programa da RTP Os Grandes Portugueses.

2007/01/23

Páginas da vida emocionam Portugal

Imaginem a seguinte história. Uma bebé nasce e é rejeitada pela sua família, nomeadamente pelo seu pai biológico. É dada para adopção. Cinco anos depois a bebé vê-se envolvida no centro de uma disputa pela sua custódia, já que o pai biológico entretanto mudou de ideias e resolveu reclamar a filha, entretanto adoptada por outra família. Parece-vos que estou a falar do mediatizado caso da Sertã? Sim, mas também estou a falar de Páginas da Vida, a telenovela brasileira da SIC, de que já falei aqui.

2007/01/22

Um ano pouco picante

Ao contrário de a muitos comentadores que o acusam de “provincianismo” – mas, que, curiosamente, até votaram nele... -, a mim agradou-me a entrevista de Aníbal e Maria Cavaco Silva à SIC onde o Presidente da República se queixava do “picante”. “Eu e a minha mulher não somos apreciadores de picante”, relatava Cavaco, muito rígido, muito sério, para a câmara, enquanto por trás dele a mulher ia metendo umas deixas, qual comadre coscuvilheira (para não dizer emplastra): “temos comido muito iogurte, e muitas frutas...” Achei aquele momento cândido e genuíno, achei aquele casal ternurento, um bom representante do que seria a generalidade dos casais portugueses em visita à Índia. E têm todo o direito de não apreciar picante na comida e de não o esconderem, tal como eu não aprecio especialmente comida japonesa e também não o escondo.
Significa isto que me estarei a render ao cavaquismo, exactamente um ano após a sua eleição, devido talvez a um primeiro ano de mandato que tem sido notoriamente pouco picante (deve ter sido cozinhado pela Maria)? Nem pensem nisso. Durante entrevistas na visita à Índia, Cavaco deixou bem claro que continua a pôr o crescimento económico e a criação de riqueza à frente de qualquer outra meta, pouco ou nada se importando com a justeza da distribuição dessa riqueza. Sobretudo falou na “alta produtividade” dos cidadãos indianos, e de como para isso contribuía uma lei segundo a qual os feriados eram celebrados numa data móvel, próxima do fim de semana, “tal como em Inglaterra”. E, obviamente, tal como ele tinha querido fazer durante um dos seus governos, e “não o tinham deixado”. Quinze anos passaram, e ele não se esquece. Não se iludam. O Prof. Cavaco continua a ser ele, e só ele, a saber o que é bom para o país. O Prof. Cavaco quer acabar agora tudo o que não acabou enquanto primeiro-ministro. Dias mais picantes virão.

2007/01/17

Os dez maiores portugueses – a minha escolha pessoal (II)

Reitero que a minha selecção baseou-se no critério de que o que era importante era escolher portugueses que ou tivessem influenciado a história da Humanidade, ou cuja obra ou simplesmente cuja história de vida fosse um exemplo para todo o mundo, e não somente para Portugal. Desta forma excluí deliberadamente “heróis nacionais” portugueses. É um critério meu, e é claro que é discutível. Mas quando se compararem as escolhas de diferentes pessoas, deve-se comparar ao mesmo tempo os diferentes critérios. Pelas escolhas dos dez finalistas de outros países, é claro que foram usados critérios bem diferentes dos meus, muito mais nacionalistas. Se eu fosse escolher pelo mesmo critério com que os britânicos escolheram o Lorde Nelson, certamente teria escolhido D. Nuno Álvares Pereira. Se fosse pelo mesmo critério com que os alemães escolheram Adenauer ou Bismarck, eu teria escolhido D. Afonso Henriques. Se fosse pelo critério com que os americanos escolheram vários dos seus presidentes (com Ronald Reagan à cabeça…) ou os alemães escolheram Willy Brandt, certamente Mário Soares não faltaria na minha lista. Mas não; escolhi de acordo com os meus critérios. Uma escolha destas também é uma escolha de critérios.

2007/01/16

Os dez maiores portugueses: a minha escolha pessoal

Faço primeiro uns esclarecimentos. Só incluí nesta lista cidadãos portugueses que se distinguiram pelo contributo que deram para o mundo. Quem eu aqui incluo, creio merecer ser conhecido por qualquer cidadão pela sua história pessoal, pela sua obra, pelo seu exemplo. Estou mais preocupado com esta visão mais universalista do que com escolher pessoas que influenciaram o Portugal que somos, mas só o nosso país. Isso explica a ausência desta lista de pessoas como D. Afonso Henriques, o Marquês de Pombal, Fontes Pereira de Melo e (sobretudo) Mário Soares, uma personalidade que, como é sabido, eu muito admiro.
A ordem por que os indico é cronológica. Mas, curiosamente, é mais ou menos a ordem de importância relativa que eu lhes atribuo. Uma ordenação por importância não seria muito diferente desta, exceptuando talvez pequenos ajustamentos, como uma "despromoção" do Eça. O que se conclui daqui? Que fomos muito mais relevantes no passado do que somos agora. Esperemos que esta tendência se inverta. Afinal, indico quatro portugueses do século XX e um do século XXI.
Não poderia deixar de incluir algo relacionado com o Brasil (a nossa maior realização). Não poderia ignorar o fado. Não poderia ignorar algumas (efémeras) glórias desportivas; neste campo escolhi quem eu acho mais exemplar, pois distinguiu-se à custa do seu trabalho e não, como muitos outros, à custa de um talento inato e muitas vezes desperdiçado.
Finalmente, muitas referências à literatura (onde creio sermos mesmo bons), nenhuma à ciência. Afinal, isto é suposto ser um retrato do país!
Aqui vai a minha lista:

  • Infante D. Henrique
  • Vasco da Gama
  • Pedro Álvares Cabral
  • Luís Vaz de Camões
  • Eça de Queirós
  • Fernando Pessoa
  • Amália Rodrigues
  • Álvaro Cunhal
  • José Saramago
  • José Mourinho

2007/01/14

A extrema direita e o "direito social ao aborto"

Imagem via Cinco Dias


Certos sectores salazaristas gostam de falar em "iliteracia" e "ignorância" mas, afinal, são eles mesmos que não sabem ler. Eu nem me vou dar ao trabalho de o desmentir, tão evidente é a contradição entre o que escrevi e o que é sugerido que eu escrevi. Ao contrário do André Azevedo Alves (que deve achar que os seus leitores são estúpidos ou analfabetos), eu confio na inteligência dos leitores do Cinco Dias e do Avesso do Avesso.

2007/01/12

O aborto, o financiamento e o referendo

Ultimamente tem sido esta a principal questão da campanha, com sectores liberais que se afirmam favoráveis à despenalização a admitirem abster-se, ou mesmo votar "não", se o aborto for integrado no Sistema Nacional de Saúde e for genericamente financiado pelo Estado, isto é, pelos contribuintes.
Devo começar esclarecer que, por princípio, não me parece correcto serem os contribuintes a financiarem os abortos. Há excepções importantes, que enumero desde já. Em todos os casos em que, com a lei em vigor, o aborto é legal, este deve ser financiado pelo Estado, uma vez que são casos de saúde pública. Da mesma forma, os abortos por parte de adolescentes também devem ser financiados pelo Estado, qualquer que seja a situação da grávida, mesmo que o seu nome de família seja Mello ou Champô-Limão.
Agora, para mim, por uma questão de princípio uma mulher adulta que peça para abortar, sem mais nenhum motivo especial (e dentro do prazo válido), deve poder fazê-lo em liberdade e segurança (é disso que se trata), mas deve ser responsável pelo seu acto, nomeadamente pelo pagamento dos encargos associados.
Tomemos o seguinte exemplo. Um casal não usa contraceptivos, porque "é pecado". Depois a mulher engravida, e tem de fazer o "desmancho": "tem de ser". Voltam a ter relações sexuais. Não tomam precauções porque "é pecado". A mulher volta a engravidar e a fazer o "desmancho". E assim sucessivamente. Não julguem que este cenário é assim tão raro. Sei de casos assim: apesar de já terem feito vários abortos, no referendo vão votar "não", obviamente porque "é pecado". Na impossibilidade de argumentar racionalmente com o "é pecado", e não tendo o Serviço Nacional de Saúde de sustentar eternamente estes casos, não vejo outra solução que não seja responsabilizar os "pecadores".
O único senão que eu vejo é mesmo o flagelo do aborto clandestino, que é afinal tudo o que está em discussão. Ao contrário do que nos querem convencer os partidários do "não", o que está em discussão não é se vai passar a haver abortos. Os partidários do "não" gostam de nos falar como se só passasse a haver abortos se o "sim" ganhasse, mas abortos sempre houve e sempre continuará a haver. O que está em discussão é se esses abortos podem ser realizados de uma forma livre e segura, ou se devem continuar a ser feitos clandestinamente.
Ora, se o aborto for liberalizado mas se for somente o mercado a decidir o seu preço, isto é, se for um negócio privatizado, o mais provável é que continue a ser mais barato fazer um aborto clandestino e sem condições, pelo que as pessoas de menos recursos continuarão a recorrer a este. Ou seja, na prática pouco ou nada se estará a alterar para estas pessoas, justamente as mais necessitadas.
O que eu defendo, assim, é que o aborto seja pago, por uma questão de princípio (o "tendencialmente gratuito" da Constituição não se aplica aqui), mas que seja o Estado a regular toda esta actividade e a controlar os preços. Como defendo para muita coisa, nomeadamente tudo o que seja relacionado com medicina privada. É a economia, estúpido. É evidente que os nossos amigos blasfemos nos dirão que não, que o melhor para o consumidor é que o mercado seja sempre completamente livre, incluindo o dos abortos. Esta é uma discussão que já temos vindo a ter desde que há blogues. É uma discussão de modelo económico, que não tem nada a ver com o que está em discussão no próximo referendo. Ao contrário do que certos sectores extremistas defensores do "não" nos querem convencer, nada obriga o governo, na hipótese de o "sim" ganhar, a indicar que os abortos sejam feitos no Serviço Nacional de Saúde. Se o "sim" ganhar, um governo de blasfemos poderá defender que seja feito em clínicas privadas. São leis simples de financiamento que, como nota Carlos Abreu Amorim numa série de textos notável, poderão ser alteradas por qualquer governo que tenha condições para isso, sem recurso ao referendo. O que vai a referendo é a legalização do aborto até às dez semanas. Nada mais do que isso. Desde que isto fique claro, a discussão do financiamento não é para se ter agora. Não é agora que vai ser decidida.

Publicado originalmente no Cinco Dias.

2006/04/25

Trova do Vento que Passa



(António Portugal - Manuel Alegre; interpretação de Adriano Correia de Oliveira)

Ouvida hoje de manhã na Rádio Alfa.

Há 32 anos



(Imagem retirada ao Gibel)

Logo à noite, no Collège Franco-Britannique, a "Casa de Portugal oficiosa" na CIUP (enquanto a verdadeira está em obras), projecção do filme "Capitães de Abril", de Maria de Medeiros, graças aos bons ofícios do meu amigo Sandro e dos outros portugueses no Comité de Residentes.

2006/03/11

O português indispensável



Diz a imprensa (neste caso, o DN): A Direcção-Geral da Saúde fez uma lista das cem mil pessoas "fundamentais para o país" e encomendou medicamentos antivirais para as proteger em caso de uma pandemia de gripe. Pelos cargos que ocupam, estes portugueses serão capazes de "manter as estruturas básicas do país a funcionar". É caso para perguntar: quem são os indispensáveis?

É mesmo caso para fazer essa pergunta, que eu lanço aqui para os leitores e para a blogosfera lusófona: quem são hoje em dia os portugueses indispensáveis? Apesar de ele ter falhado um penalti, assim de repente só me lembro do Ricardo Sá Pinto.