Devo começar por esclarecer que eu sou um alfacinha de gema: nasci e vivi em Lisboa até acabar o curso. Saí depois por nove anos e regressei recentemente. Conhecia muito bem a cidade quando parti, e continuo a conhecer, no que diz respeito a pontos de referência. Mas estive fora muito tempo: o tempo suficiente para não conhecer muitos dos locais da cidade que pessoas da minha idade, que cá ficaram, conhecem.
Um exemplo paradigmático é o “Lux”, onde de resto nunca estive. A primeira vez que ouvi falar no “Lux”, sem o saber, foi quando li, num artigo do Miguel Sousa Tavares
no Público, a expressão “esquerda Lux”. Percebi a quem é que o Miguel se referia, mas associei o “Lux” à conhecida marca de sabonetes. Julguei que, por alguma razão (talvez um anúncio...) o sabonete “Lux” estivesse associado à “esquerda Lux”. Ou então talvez, por algum motivo para mim obscuro, o Miguel Sousa Tavares conhecesse os hábitos de higiene pessoal de Ana Drago ou Miguel Portas.
Tudo isto para dizer que por vezes sinto-me um estranho em Lisboa, a cidade onde cresci. Em particular, não conheço praticamente nenhum dos locais que a Marta Rebelo referiu no seu texto da semana passada. O único lugar que eu conheço, simplesmente de nome, é o “Eleven”, do relato da minha irmã, cujo trabalho é ligado à Medicina, e que por pura coincidência ainda na semana passada teve um jantar de uma conferência nesse restaurante. (Os médicos adoram fazer as suas conferências nos locais mais luxuosos;dizem-me que é dos patrocínios da indústria farmacêutica. Só por comparação - e desculpem se estou a falar muito de mim - eu sou físico, e o meu orientador costuma dizer que, num banquete de físicos, as pessoas mais bem vestidas são os empregados de mesa.)
Quis o destino que eu, enquanto estive fora, vivesse nas duas “capitais do mundo”, Nova Iorque e Paris. E que eu tenha o enorme privilégio de, graças a isso, me sentir em casa nessas duas cidades. “Sentir-me em casa”, numa cidade, é saber fugir aos locais destinados aos turistas endinheirados. Paris não é só os Grands Boulevards ou o Bd. Saint Germain: também é Montparnasse (para um canard) ou a Butte Aux Cailles (para um boudin noir). Nova Iorque não é só o Rockefeller Center. Na Grande Maçã encontrar locais que não se destinem a turistas endinheirados não é fácil à partida, mas é possível. E nos arredores, como referi a semana passada, é possível comer “lagosta com todos” por menos de dez dólares. Ambas as cidades têm muitos locais principalmente destinados a fazer dinheiro com os turistas, mas recebem um volume de turistas que Lisboa não recebe e nem receberá. Apesar disso, mantêm uma vida própria: não dependem dos turistas. O comércio, a restauração, a cultura são para todos os habitantes (salve as desigualdades sociais, que principalmente em Nova Iorque são muitas), e não só para os turistas.
Posso estar a ser algo injusto, não conhecendo muitos desses locais (por não me atraírem), mas o que me deixa mais apreensivo em Lisboa é que, nestes últimos anos, parece ser uma cidade mais preocupada com os turistas do que com os seus habitantes. E, por isso, uma cidade muito pouco acolhedora. Principalmente para quem, como eu, aqui cresceu e sabe o que deveria esperar. E isto é um erro crasso: não são os turistas que vão dar vida ao centro da cidade e às zonas históricas todos os dias, todo o ano. Em Nova Iorque ou Paris há zonas que sobrevivem assim (só graças aos turistas), mas Lisboa não tem esse potencial. Por isso Lisboa tem de pensar mais sobretudo em quem cá trabalha e mora em casa alugada ou nos arredores. Nos jovens trabalhadores precários, a maior parte licenciados e doutorados. Nesse aspecto Lisboa teria muito a aprender com o Porto e com cidades portuguesas mais pequenas, com menos atractivos culturais mas uma qualidade de vida melhor.
Uma vez mais, não conheço a «Wallpaper», a revista que a Marta Rebelo refere. Mas creio que faríamos melhor se em alternativa prestássemos mais atenção a guias como o “Time Out”, ou o “Let’s Go!”, ou o “Lonely Planet”.
Publicado também no Cinco Dias.
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2007/05/22
2007/03/16
Pedido de visita
Há uma amiga minha, cozinheira de mão cheia - já aqui lhe gabei o caldo verde, mas ela prepara muitas outras iguarias -, que está em Paris a fazer um MBA em hotelaria. Como parte da sua especialização teve de preparar uma página na internet de anúncio a um complexo hoteleiro numa região turística francesa. A nota de uma das cadeiras do MBA dela - acreditem! - vai ser determinada pelo número de visitas que a página que ela fez receber. Posso assegurar-vos a sua competência, e espero que ela venha um dia a servir, no seu próprio restaurante, as suas excelentes especialidades (que vão muito para além da bifana e da sardinha assada), cozinhadas por ela e sem ser por vinte euros. Mas para isso esta minha amiga precisa de acabar o seu curso com boa nota. Dado o engenhoso método de classificação, posso-vos pedir uma visita à página da Diana? Não é nenhum tipo de publicidade - nem sequer precisam de ler nada; basta mesmo, acreditem, clicarem aqui. Obrigado.
(Diana, quando abrires o teu restaurante, nada de comida japonesa, OK?)
(Diana, quando abrires o teu restaurante, nada de comida japonesa, OK?)
2007/03/07
Blogues novos, blógueres não tão novos
Aproveito o aniversário do blogue para rearrumar a lista de hiperligações. Retiro alguns blogues desactivados e acrescento outros. Sem querer ser exaustivo, refiro aqui alguns.
Vítor Dias tem um blogue que merece leitura atenta. O Tempo das Cerejas é o título do blogue, e é também o título de uma canção que se tornou um símbolo da Comuna de Paris, Le Temps des Cérises. Bem vindo, Vítor Dias.
O título desta canção inspirou também o nome de um dos meus restaurantes favoritos de Paris, em plena Butte Aux Cailles, um bairro boémio do 13ème e símbolo da Comuna. No Le Temps des Cérises (um restaurante-cooperativa onde todos trabalham e todos lucram), gosto de comer as fantásticas entradas de arenque fumado (como não há outras) e o boudin noir à normanda. Quem me recomendou este restaurante foi outro blóguer histórico, o Vasco Barreto, que volta à blogosfera como autor de muitos blogues, demasiados para serem todos referidos, como se fossem suplementos de um jornal. O blogue central, federador dos outros, é o Caderno I. Alguém entendido em html dá uma ajuda com o modelo ao Vasco?
Destaco também blogues de dois antigos companheiros do saudoso Blogue de Esquerda, o Bidão Vil (um blogue que só agora descobri) e a Zona Fantasma, onde escreve um rapaz chamado Luís Rainha (o "Fantasma do Natal Passado"), fã do Tio Patinhas como eu.
O Luís que, entretanto, deixou há algum tempo um comentário sobre este texto do Miguel Sousa Tavares. Sem querer perder mais tempo: tem razão, o Luís. Creio no entanto que tal se trata simplesmente de uma passagem (muito) infeliz, mas que não chega a estragar o resto do bom artigo. É claro que o Luís, com o seu reconhecido feitio, não concorda neste ponto e "deita tudo abaixo". E faz o mesmo nos comentários do blogue de onde entretanto saíra, o Aspirina B. Mas mantém o velho hábito de fazer comentários anónimos aos textos de companheiros de blogue. Não é a pensar em mim, primeiro porque eu já conheço de ginjeira o estilo de escrita do Luís e, segundo, porque felizmente ele já assina os comentários que me deixa. Mas, se ele me permite, gostaria de lhe dar um conselho.
(Luís, se não queres mesmo ser identificado como autor de comentários anónimos, procede como te sugiro. Escreve como os outros comentadores anónimos; não precisa de ser mal, mas não com o teu português rebuscado que nenhum comentador (anónimo ou não) usa. Não uses expressões que na blogosfera só tu usas (e provavelmente só tu conheces o significado), como "supina", "fruste", "sinecura"... Sobretudo não uses uma marca do teu estilo que é única e exclusiva e que te identificaria em qualquer blogue ou fórum: não uses ponto e vírgula a seguir a "irra". Bem vindo de volta.)
Finalmente, para verem como a blogosfera é diferente da sociedade, mesmo no que diz respeito à esquerda. Os comunistas como Vítor Dias escrevem sozinhos (ó Vítor Dias, não arranja um "verde" para lhe fazer companhia?). O Peão, por sua vez, é uma grande coligação democrática unitária de blógueres de esquerda (mas, que eu saiba, sem comunistas). Inclui alguns veteranos consagrados da blogosfera. Tem uma dinâmica interna muito apreciável, como há muito não se via num blogue colectivo de esquerda. Bem vindos. Faziam falta.
Boas blogagens a todos.
Vítor Dias tem um blogue que merece leitura atenta. O Tempo das Cerejas é o título do blogue, e é também o título de uma canção que se tornou um símbolo da Comuna de Paris, Le Temps des Cérises. Bem vindo, Vítor Dias.
O título desta canção inspirou também o nome de um dos meus restaurantes favoritos de Paris, em plena Butte Aux Cailles, um bairro boémio do 13ème e símbolo da Comuna. No Le Temps des Cérises (um restaurante-cooperativa onde todos trabalham e todos lucram), gosto de comer as fantásticas entradas de arenque fumado (como não há outras) e o boudin noir à normanda. Quem me recomendou este restaurante foi outro blóguer histórico, o Vasco Barreto, que volta à blogosfera como autor de muitos blogues, demasiados para serem todos referidos, como se fossem suplementos de um jornal. O blogue central, federador dos outros, é o Caderno I. Alguém entendido em html dá uma ajuda com o modelo ao Vasco?
Destaco também blogues de dois antigos companheiros do saudoso Blogue de Esquerda, o Bidão Vil (um blogue que só agora descobri) e a Zona Fantasma, onde escreve um rapaz chamado Luís Rainha (o "Fantasma do Natal Passado"), fã do Tio Patinhas como eu.
O Luís que, entretanto, deixou há algum tempo um comentário sobre este texto do Miguel Sousa Tavares. Sem querer perder mais tempo: tem razão, o Luís. Creio no entanto que tal se trata simplesmente de uma passagem (muito) infeliz, mas que não chega a estragar o resto do bom artigo. É claro que o Luís, com o seu reconhecido feitio, não concorda neste ponto e "deita tudo abaixo". E faz o mesmo nos comentários do blogue de onde entretanto saíra, o Aspirina B. Mas mantém o velho hábito de fazer comentários anónimos aos textos de companheiros de blogue. Não é a pensar em mim, primeiro porque eu já conheço de ginjeira o estilo de escrita do Luís e, segundo, porque felizmente ele já assina os comentários que me deixa. Mas, se ele me permite, gostaria de lhe dar um conselho.
(Luís, se não queres mesmo ser identificado como autor de comentários anónimos, procede como te sugiro. Escreve como os outros comentadores anónimos; não precisa de ser mal, mas não com o teu português rebuscado que nenhum comentador (anónimo ou não) usa. Não uses expressões que na blogosfera só tu usas (e provavelmente só tu conheces o significado), como "supina", "fruste", "sinecura"... Sobretudo não uses uma marca do teu estilo que é única e exclusiva e que te identificaria em qualquer blogue ou fórum: não uses ponto e vírgula a seguir a "irra". Bem vindo de volta.)
Finalmente, para verem como a blogosfera é diferente da sociedade, mesmo no que diz respeito à esquerda. Os comunistas como Vítor Dias escrevem sozinhos (ó Vítor Dias, não arranja um "verde" para lhe fazer companhia?). O Peão, por sua vez, é uma grande coligação democrática unitária de blógueres de esquerda (mas, que eu saiba, sem comunistas). Inclui alguns veteranos consagrados da blogosfera. Tem uma dinâmica interna muito apreciável, como há muito não se via num blogue colectivo de esquerda. Bem vindos. Faziam falta.
Boas blogagens a todos.
2007/01/31
Pompidou

Um pedaço de Nova Iorque bem no coração de Paris. Projectado no rescaldo do Maio de 68 para ser um espaço de "hiperconsumismo cultural", o Centro Georges Pompidou foi inaugurado faz hoje 30 anos. Venham outros.
2006/10/28
Peter van Nieuwenhuizen e os cálculos da supergravidade

Peter foi um dos inventores da supergravidade, na vila de Stony Brook, em Long Island (Nova Iorque), passam agora 30 anos. As teorias da supergravidade representam a extensão supersimétrica da relatividade geral de Einstein, tendo sido pioneiras na unificação da gravidade com as outras interacções. O limite de baixas energias das teorias de supercordas é uma teoria de supergravidade.
Em Paris Peter recordou a história, que envolveu muitas noites e muitos cálculos. Um empreendimento gigantesco e uma das grandes conquistas do espírito humano, reconhecida com a medalha Dirac e o prémio Heineman para os seus protagonistas. Peter trouxe consigo de Stony Brook os exemplares originais de alguns cadernos contendo os cálculos da supergravidade, objectos míticos e recheados de histórias para um aluno de doutoramento naquela universidade. No seu seminário transpareceram o entusiasmo e a energia que tornaram Peter reconhecido entre os seus pares de todo o mundo, dos EUA à Rússia então soviética.
Foi bom reencontrar em Paris um dos meus grandes mestres e verificar que continua sempre em forma.
2006/10/27
O Père Lachaise e as vaidades
Há então duas categorias nos cidadãos enterrados no cemitério Père Lachaise: os cujo túmulo vem assinalado nas plantas distribuídas, e os cujo túmulo não vem assinalado (a grande maioria). Mas como referi anteriormente, os túmulos das celebridades estão sempre rodeados por uma grande porção de gente. É interessante a comparação: será que os túmulos assinalados no guia são os que têm mais guias? Nem por isso. Vi muitas celebridades cujos túmulos não tinham ninguém a vê-los. Mas vi mais. Vi também o oposto: túmulos de gente que não era muito famosa (pelo menos para mim) rodeados por multidões. Como é o caso da jovem Edith da fotografia, que tinha mais gente à sua volta do que a Piaf. Uma vez mais os gostos do público e do “júri” não coincidem, como sucede muitas vezes nos concursos televisivos.Fiquei curioso por saber quem seria a tal Edith, cuja campa era objecto de peregrinação. Segundo descobri, tratava-se de uma jovem cantora morta precocemente. Pode não ter para já (e duvido que alguma vez tenha) o seu nome no guia do cemitério. Mas fãs mais dedicados do que os seus eu não vi.
2006/10/26
Père Lachaise
Em França, e especialmente em Paris, pode encontrar-se muito que nos parece déjà-vu, quiçá démodé, mas que é pioneiro. E esse papel histórico ninguém pode negar aos franceses: foram eles que inventaram muita coisa que hoje nos parece bien connue, vulgar e corriqueira, mas que não havia... antes de eles a terem inventado. Só que em França tudo é vistoso e por vezes mesmo exagerado; tudo tem de ser épatant. E não há nada mais épatant do que o cemitério do Père Lachaise.O cemitério do Père Lachaise, no vingtième arrondissement, é um autêntico museu dos mortos e dos túmulos. Sobretudo dos túmulos, que constituem o mais espectacular que o cemitério pode oferecer ao visitante anónimo. Há ali túmulos que são obras-primas da arquitectura, ou da escultura.
Não é porém isso que torna este cenitério tão conhecido. A principal razão por que este cemitério é tão famoso e visitado, estando sempre cheio de turistas e vindo mesmo nos guias, é a quantidade de gente famosa, francesa e não só, das letras, das artes, da ciência, da política, que lá está enterrada, de Edith Piaf a Jim Morrisson, de Pissarro a Oscar Wilde. Os túmulos destes famosos são em geral reconhecíveis por estarem rodeados por uma pequena multidão. Fui-me aprecebendo disso até que, usando este mesmo critério, cheguei a um túmulo desconhecido. Antes de que eu me pudesse aperceber fosse do que fosse, um dos membros da turba pediu-me desculpa, mas disse-me que se tratava de uma “cerimónia privada”. Nem me tinha apercebido de que havia gente a rezar. No cemitério do Père Lachaise também há gente vulgar. A gente é que, rodeada por tanta história, tanta arquitectura, tanto design e tanta fama, até se esquece disso.
2006/10/23
Cidade das ciências e da indústria

A Cité des Sciences et de L’Industrie de Paris fez no fim de semana passado 20 anos. Aproveitei para a visitar por dentro pela primeira vez e deliciar-me com uma demonstração experimental da curva de Gauss com graves em queda em direcção aleatória, simulações de movimento browniano, o caos determinista num simples moinho de água... Pude ainda prever as velocidades de escoamento de fluidos conforme o formato do recipiente, fazer experiências de acústica e óptica... Tudo isto eu mesmo. Com as minhas próprias mãos.
O conceito deu origem a iniciativas como a do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, associado ao programa Ciência Viva. Só é pena que se a Cité des Sciences et de L'Industrie é hoje um dos sítios mais visitados de Paris, o seu equivalente em Lisboa seja muito pouco conhecido. A diferença está na atitude dos públicos. Mas está também em grande parte na programação. A Cité des Sciences et de L’Industrie é um local de referência para a divulgação científica, contando frequentemente com a presença de investigadores franceses a divulgarem o seu trabalho ao público (era só por isso que eu já a visitara antes). Tal não se costuma passar com o Pavilhão do Conhecimento. Globalmente a ciência francesa, para além de ser muito mais competitiva do que a portuguesa, está muitíssimo mais perto do público, sendo por isso mais influente junto da opinião pública. Não digo que os responsáveis do Programa Ciência Viva não façam tudo o que podem para melhorarem a situação portuguesa, mas estes exemplos demonstram que ainda há muito a fazer.
2006/10/20
Um blogue também serve para isto
Parabéns, meu caro amigo. Se não fosse eu nem te lembravas de que hoje fazias anos, não era?
Cromos da Cité Universitaire - 3 - a empregada de caixa da cantina

Esta empregada é uma instituição entre os portugueses da Cité Universitaire. É portuguesa, a tuga da cantina. Está nas caixas a receber o dinheiro e dar os trocos. Dava sempre “bonjour”, até que um dia logo ao princípio me disseram que era portuguesa. Desde então comigo passou a “bom dia”.
Às vezes metia conversa com ela. É do Minho. Costuma ir a Portugal em Setembro. No dia das eleições presidenciais perguntei-lhe quem é que ela achava que ganhava. Ela não se mostrava muito interessada: “sei lá, eles são todos a mesma coisa”. Mas se a mesma pergunta fosse feita em dia de Benfica-Sporting, aí a resposta era outra: “Benfica!”, disfarçando um sorriso.
Quando pedi para fotografar o ultratímido empregado de quem falei ontem, ele recusou, e só anuiu muito a custo. Quando pedi para fotografar esta afável minhota, ela aceitou logo, e só me pediu que esperasse um bocadinho para tirar o espelho da mala e se pentear.
2006/10/19
Cromos da Cité Universitaire - 2 - o servente da cantina

Foram vezes sem conta as refeições que este empregado me serviu. Ele e o colega. Sempre com a mesma cara, verdadeiramente impassível. Inalterada. De autómato. O homem atendia-nos automaticamente, todos os dias, uns ao almoço, outros ao jantar, sempre com a mesma expressão inexpressiva.
A teoria do meu colega do Técnico é mais ou menos confirmada: o senhor é notoriamente magro, e os pratos por ele servidos têm geralmente menos comida que os da sua colega referida no texto anterior. Mas com um pormenor que nem toda a gente conhece: ao contrário desta, e mesmo com o aviso, se lhe pedirmos ele não recusa uma colher extra de acompanhamentos. Com a quantidade de comida que é desperdiçada por ficar nos pratos, esta é capaz de ser uma boa solução, partindo do pressuposto que quem lhe pedir a dose extra comerá (como eu) a comida toda. O senhor punha a dose extra. Sempre com a mesma cara.
Na verdade foi graças a este carismático empregado que decidi começar esta série, que se estende até amanhã. E porquê? Primeiro dizia que não me havia de ir embora sem lhe despejar um copo de água em cima, a ver se ele ficava zangado e ao menos punha outra cara. Depois decidi: não, vou é tirar-lhe uma fotografia. E pô-la no blogue. E foi o que eu fiz. Mas, mais uma vez, a fotografia não me saiu como eu queria. É que, ao tirar-lha, ao fim de três anos foi a primeira vez que vi o homem sorrir.
2006/10/18
Cromos da Cité Universitaire - 1 - A servente da cantina

Tenho um amigo meu que tinha a teoria, quando ambos estudávamos no Técnico e almoçávamos na cantina, que, podendo, deveríamos escolher sempre o empregado mais gordo para nos servir. Os empregados gordos, dizia ele, põem sempre mais comida do que os magros.
A teoria desse meu amigo aplica-se à gordinha empregada que vêm na fotografia, no seu trabalho na cantina da Cité Universitaire de Paris. As doses dela são as mais bem servidas de toda a cantina, melhores do que as de qualquer outro empregado. Mas não adianta, ainda assim, pedir-lhe mais comida se se tiver muita fome. O aviso bem está lá afixado (vê-se na fotografia, à direita): não adianta pedir mais do que o que põem no prato. Se mesmo assim insistirmos, na esperança de algum tipo de "gaulês-porreirismo", a resposta que levamos é sempre a mesma: não nos diz nada, olha-nos nos olhos e aponta-nos para o aviso com a colher. Gostaria de ter fotografado este momento.
2006/10/17
O Estado Social ao serviço do utente
Desde 2005 que a cantina da Cité Universitaire de Paris começou a dar prejuízo, algo inédito desde que abriu e incompreensível para uma cantina considerada um modelo (a melhor da Ilha de França, a região de Paris), que fornece um serviço em geral de qualidade muito aceitável tendo em vista os preços praticados. Um serviço que nunca se via nos países anglo-saxónicos (a estes preços) ou em Portugal (com esta qualidade). Esta cantina era um exemplo do Estado Social francês no seu melhor.
No ano lectivo passado tentou “salvar-se” a cantina, recorrendo à receita mais fácil: a redução drástica de custos. Houve alguns empregados antigos afastados (reformados), mas foram substituídos por outros. O problema não era excesso de pessoal.
Onde decidiram reduzir os custos foi no melhor que tinham: na qualidade (e quantidade) das refeições. Mantiveram um menu “barato”, mas com menor quantidade (menos um item à escolha) e muito pior qualidade. A escolha de pratos era mínima e só com um acompanhamento. Simultaneamente criaram um menu de qualidade comparável ao anterior, só que muito mais caro.
O resultado foi que a frequência da cantina baixou ainda mais, para números nunca vistos. Ao jantar tinha uma ocupação de menos de metade do que costumava ter (estimativa minha). Note-se que estamos a falar do único sítio onde todos os estudantes da Cité Universitaire (que não tinham um estúdio, mas um quarto com cozinha partilhada) podia jantar.
Aos fins de semana então o cenário era ainda mais desolador. Em 2004 e 2005, aos domingos, a fila para almoçar o cuscus chegava a ser perto de meia hora. Em 2005/06, o cuscus passou a prato “de luxo”. Para almoçar aos domingos não havia fila nenhuma...
Os mais radicais de entre os “redutores drásticos de custos” passaram mesmo a defender publicamente o impensável: o encerramento puro e simples da cantina. Essa hipótese chegou mesmo a ser discutida, mas não foi aprovada. O que foi aprovado, e era dado como certo no final do ano lectivo passado, foi o encerramento aos fins de semana, por falta de rentabilidade. Tirei mesmo fotografias ao último cuscus que lá comi no ano passado, julgando que era o último cuscus que lá comeria de todo.
Cheguei agora e verifiquei com agrado que a filosofia de redução cega de custos mudou. Embora se mantenha o menu “barato” e o “menos barato”, a qualidade do primeiro melhorou substancialmente, para níveis próximos dos de 2004 e 2005. A cantina continua aberta aos fins de semana e o tradicional cuscus de domingo até passou a ser prato “barato”. Mais: a cantina agora, ao fim de semana, até passou a estar aberta todo o dia! (E não só ao almoço e ao jantar.) O que é que eles concluíram?
Que os estudantes ao fim se demana têm um horário mais flexível. Provavelmente não querem almoçar tão cedo (mesmo se os almoços são servidos todos os dias até às 14:30). Que fizeram então? A partir desta hora, aos sábados e domingos, passam a servir só um ou dois pratos (sempre os mesmos, de carne grelhada). É muito útil para quem, como eu, só chegou do aeroporto depois das três. E fiquei surpreendido com a quantidade de pessoas que encontrei a almoçar a essa hora! A outra redução foi na escolha de pratos do fim de semana: é mais limitada que durante a semana. Mas a cantina continua aberta aos fins de semana, e pelo movimento que lá tenho visto parece-me bem rentável.
Moral da história? Varios. Por um lado, atender às necessidades efectivas dos utentes e não se limitar a uma redução cega de custos é indispensável para a manutenção de um Estado Social. Por outro, esta manutenção tem que ser um objectivo de todos, e exige cooperação de todos. Não acompanhei o processo, mas imagino que os sindicatos mais conservadores não hão-de ter achado graça nenhuma a alguns (pouquíssimos) trabalhadores passarem a trabalhar ao sábado e domingo à tarde (só a cozinhar, servir e vender senhas; os pratos ficam para lavar mais tarde). Ainda bem que chegaram todos a um acordo. E voltei a comer o meu cuscus.
No ano lectivo passado tentou “salvar-se” a cantina, recorrendo à receita mais fácil: a redução drástica de custos. Houve alguns empregados antigos afastados (reformados), mas foram substituídos por outros. O problema não era excesso de pessoal.
Onde decidiram reduzir os custos foi no melhor que tinham: na qualidade (e quantidade) das refeições. Mantiveram um menu “barato”, mas com menor quantidade (menos um item à escolha) e muito pior qualidade. A escolha de pratos era mínima e só com um acompanhamento. Simultaneamente criaram um menu de qualidade comparável ao anterior, só que muito mais caro.
O resultado foi que a frequência da cantina baixou ainda mais, para números nunca vistos. Ao jantar tinha uma ocupação de menos de metade do que costumava ter (estimativa minha). Note-se que estamos a falar do único sítio onde todos os estudantes da Cité Universitaire (que não tinham um estúdio, mas um quarto com cozinha partilhada) podia jantar.
Aos fins de semana então o cenário era ainda mais desolador. Em 2004 e 2005, aos domingos, a fila para almoçar o cuscus chegava a ser perto de meia hora. Em 2005/06, o cuscus passou a prato “de luxo”. Para almoçar aos domingos não havia fila nenhuma...
Os mais radicais de entre os “redutores drásticos de custos” passaram mesmo a defender publicamente o impensável: o encerramento puro e simples da cantina. Essa hipótese chegou mesmo a ser discutida, mas não foi aprovada. O que foi aprovado, e era dado como certo no final do ano lectivo passado, foi o encerramento aos fins de semana, por falta de rentabilidade. Tirei mesmo fotografias ao último cuscus que lá comi no ano passado, julgando que era o último cuscus que lá comeria de todo.
Cheguei agora e verifiquei com agrado que a filosofia de redução cega de custos mudou. Embora se mantenha o menu “barato” e o “menos barato”, a qualidade do primeiro melhorou substancialmente, para níveis próximos dos de 2004 e 2005. A cantina continua aberta aos fins de semana e o tradicional cuscus de domingo até passou a ser prato “barato”. Mais: a cantina agora, ao fim de semana, até passou a estar aberta todo o dia! (E não só ao almoço e ao jantar.) O que é que eles concluíram?
Que os estudantes ao fim se demana têm um horário mais flexível. Provavelmente não querem almoçar tão cedo (mesmo se os almoços são servidos todos os dias até às 14:30). Que fizeram então? A partir desta hora, aos sábados e domingos, passam a servir só um ou dois pratos (sempre os mesmos, de carne grelhada). É muito útil para quem, como eu, só chegou do aeroporto depois das três. E fiquei surpreendido com a quantidade de pessoas que encontrei a almoçar a essa hora! A outra redução foi na escolha de pratos do fim de semana: é mais limitada que durante a semana. Mas a cantina continua aberta aos fins de semana, e pelo movimento que lá tenho visto parece-me bem rentável.
Moral da história? Varios. Por um lado, atender às necessidades efectivas dos utentes e não se limitar a uma redução cega de custos é indispensável para a manutenção de um Estado Social. Por outro, esta manutenção tem que ser um objectivo de todos, e exige cooperação de todos. Não acompanhei o processo, mas imagino que os sindicatos mais conservadores não hão-de ter achado graça nenhuma a alguns (pouquíssimos) trabalhadores passarem a trabalhar ao sábado e domingo à tarde (só a cozinhar, servir e vender senhas; os pratos ficam para lavar mais tarde). Ainda bem que chegaram todos a um acordo. E voltei a comer o meu cuscus.
2006/10/16
Bienvenu en France
Com o Jacto Fácil cheguei ao Terminal 3 do Aeroporto Charles de Gaulle sem grandes problemas. Uma vez lá, queria apanhar o comboio regional para o centro de Paris, para o qual tinha que comprar o bilhete (8 euros). Para tal havia máquinas automáticas e guichets.
As máquinas automáticas estavam TODAS em panne. Só havia dois guichets abertos (e outros tantos fechados). Havia vários funcionários que se iam revesando, pois não podiam (e não queriam) trabalhar mais do que o que estava estipulado.
Já me tinha esquecido de como era a França...
Para este texto não ficar totalmente "anti-francês", acrescento que a maior parte do tempo dos funcionários dos dois guichets era ocupado a responder às dúvidas de turistas americanos e ingleses. Cada um passava cinco minutos a pôr todo o tipo de questões sobre bilhetes de comboio e passes. Mas aqui a culpa também era dos funcionários, que lhes respondiam em vez de os recambiarem para o guichet de informações, mesmo ao lado, que estava aberto e às moscas.
Quem estivesse atrás que esperasse. E quem (como eu) sabia perfeitamente o que queria (um bilhete para Paris), que desesperasse, que os funcionários não queriam saber e o seu salário ao fim do mês era certo. Desesperar, foi o que eu fiz. Se acrescentarmos ao tempo de espera para comprar o bilhete de comboio o de recolher a bagagem e os 45 minutos da viagem até à Cité Universitaire, digo-vos: sem exagero, demorei mais tempo do Aeroporto Charles de Gaulle à Cité do que do Aeroporto da Portela ao Charles de Gaulle.
O que vale é que estar em Paris é uma festa e compensa tudo. Mas não me retira a vontade de protestar, como um bom francês.
As máquinas automáticas estavam TODAS em panne. Só havia dois guichets abertos (e outros tantos fechados). Havia vários funcionários que se iam revesando, pois não podiam (e não queriam) trabalhar mais do que o que estava estipulado.
Já me tinha esquecido de como era a França...
Para este texto não ficar totalmente "anti-francês", acrescento que a maior parte do tempo dos funcionários dos dois guichets era ocupado a responder às dúvidas de turistas americanos e ingleses. Cada um passava cinco minutos a pôr todo o tipo de questões sobre bilhetes de comboio e passes. Mas aqui a culpa também era dos funcionários, que lhes respondiam em vez de os recambiarem para o guichet de informações, mesmo ao lado, que estava aberto e às moscas.
Quem estivesse atrás que esperasse. E quem (como eu) sabia perfeitamente o que queria (um bilhete para Paris), que desesperasse, que os funcionários não queriam saber e o seu salário ao fim do mês era certo. Desesperar, foi o que eu fiz. Se acrescentarmos ao tempo de espera para comprar o bilhete de comboio o de recolher a bagagem e os 45 minutos da viagem até à Cité Universitaire, digo-vos: sem exagero, demorei mais tempo do Aeroporto Charles de Gaulle à Cité do que do Aeroporto da Portela ao Charles de Gaulle.
O que vale é que estar em Paris é uma festa e compensa tudo. Mas não me retira a vontade de protestar, como um bom francês.
2006/10/14
Teremos sempre Paris. A Cité Universitaire
Regresso temporário a Paris, a partir de hoje, aproveitando uma conferência e as tarifas de uma companhia de baixo custo (eu não posso estar aqui a fazer propaganda; digamos... o Jacto Fácil). Enquanto aqui estiver é provável que adopte um tom mais descritivo (sem ser necessariamente intimista) para o blogue. As polémicas à Blogue de Esquerda ficam para Lisboa; por agora permitam-me que aproveite (escrever no blogue também faz parte) o meu breve regresso a um sítio onde fui feliz.
2006/10/08
Paris é uma festa (mas a partir de hoje nem tanto)
Paris perdeu grande parte do seu ambiente festivo desde hoje, quando o meu amigo Sandro regressou (aparentemente de vez) a Portugal, para concluir o doutoramento. Mesmo depois da Nuit Blanche, este fim de semana, onde espero que se tenha divertido tanto como nos divertimos o ano passado. Toda a gente vai chorar em Paris: das rodas do Bando do Chorão (o samba vai virar choro) às pedras da calçada da Rue de La Tombe Issoire, principalmente perto do Gevaudan. Por onde este rapaz passe a festa é certa e boa. Mas acima de tudo vão-se entristecer os habitantes da Cité Universitaire, especialmente do sexo feminino.
Espero que o nosso país saiba aprovaitar os muitos talentos do Sandro.
Espero que o nosso país saiba aprovaitar os muitos talentos do Sandro.
2006/06/17
Não estava lá, mas deve ter sido giro
A solidariedade da Cité Universitaire de Paris (comunicado da associação Cap Magelan):
VENEZ SOUTENIR NOTRE SELECCÃO!
Venez assister au match Portugal / Iran le 17 juin prochain à 15h00 au Stade Charléty (75013 Paris), de nombreux cadeaux seront offerts pendant le match. Le stade peut contenir plus de 10000 personnes. Alors venez nombreux soutenir l'équipe du Portugal!
(Attention, seul match retransmis le samedi 17 juin au Stade Charléty)
Stade Sébastien Charléty (13e)
99, boulevard Kellermann - RER Cité Universitaire
Le stade ouvrira ses portes 1 heure avant le début des rencontres.
Entrée gratuite
Information confirmée par la Mairie de Paris le 13 juin 2006
PS : Contrairement à ume première information donnée par la Mairie de Paris, les retransmissions des matchs au Stade Charléty n'ont pas commencé le 9 mais le 13 juin, ce qui a empêché de voir le match Angola Portugal le 11 juin. Toutes nos excuses à ceux qui se sont déplacés et merci aux différentes maison de la Cité Internationale Universitaire de nous avoir accueilli pour voir les matchs, entre Danois, Italiens, Norvégiens, Espagnols, Indiens, Anglais, Brésiliens...
VENEZ SOUTENIR NOTRE SELECCÃO!
Venez assister au match Portugal / Iran le 17 juin prochain à 15h00 au Stade Charléty (75013 Paris), de nombreux cadeaux seront offerts pendant le match. Le stade peut contenir plus de 10000 personnes. Alors venez nombreux soutenir l'équipe du Portugal!
(Attention, seul match retransmis le samedi 17 juin au Stade Charléty)
Stade Sébastien Charléty (13e)
99, boulevard Kellermann - RER Cité Universitaire
Le stade ouvrira ses portes 1 heure avant le début des rencontres.
Entrée gratuite
Information confirmée par la Mairie de Paris le 13 juin 2006
PS : Contrairement à ume première information donnée par la Mairie de Paris, les retransmissions des matchs au Stade Charléty n'ont pas commencé le 9 mais le 13 juin, ce qui a empêché de voir le match Angola Portugal le 11 juin. Toutes nos excuses à ceux qui se sont déplacés et merci aux différentes maison de la Cité Internationale Universitaire de nous avoir accueilli pour voir les matchs, entre Danois, Italiens, Norvégiens, Espagnols, Indiens, Anglais, Brésiliens...
2006/06/06
06-06-06
Dei um seminário muito útil, onde me foram colocadas diversas perguntas de grande interesse e onde pude falar com um especialista reconhecido em buracos negros. Seguiu-se um saboroso almoço de peixe na cantina do CEA com colegas. Uma tarde onde tive uma reunião de trabalho com colaboradores e uma conversa que me deu ideias mais claras relativas ao meu futuro profissional. Um fim de tarde consumista: comprei na loja que me tinha sido recomendada a t-shirt com a inscrição "Vodka - Connecting People" (em que "vodka" aparece exactamente com os mesmos caracteres da conhecida marca de telemóveis finlandesa - a t-shirt é uma brincadeira com o seu slogan) e ainda um CD da Juliette Gréco. Finalmente um excelente fricassé de frutos do mar num animado e bem regado jantar rodeado de amigos, na cantina da Cité Universitaire, e uma conversa franca e sem barreiras com um grande amigo.
Isto é que era suposto ser o "Dia da Maldição", do fim do mundo? Venham mais dias assim.
Isto é que era suposto ser o "Dia da Maldição", do fim do mundo? Venham mais dias assim.
2006/05/20
Os museus de Paris
Quando vai decorrer mais uma edição da noite dos museus (sobre este assunto já me expressei aqui), cheguei à conclusão de que uma das coisas de que mais gosto em Paris é a enorme oferta cultural, e sobretudo a quantidade de diferentes museus e exposições. Mesmo quem, como é o meu caso, já visitou todos os grandes museus de Paris (e a grande maioria dos pequenos), encontra sempre algo diferente para fazer no fim de semana. E os parisienses aderem à enorme oferta cultural da cidade. Mal seria se não aderissem, mesmo se ela é feita em grande parte dos casos sobretudo a pensar nos (muitos) turistas que visitam a capital francesa em todas as estações do ano e que a fazem um dos principais destinos mundiais. Também por isto é um privilégio viver em Paris. E em qualquer exposição razoavelmente importante que se vá, seja no Petit Palais ou no Instituto do Mundo Árabe, seja no Centro Pompidou ou no Hôtel de Ville, é certo e sabido que se vai ter que estar na fila para entrar, seja a exposição gratuita ou paga. É uma das sensações que me são mais familiares em Paris. Eu, que embora seja teimoso e tenaz sou em geral muitíssimo impaciente, gosto de estar na fila com os parisienses (sim, costumo estar com os parisienses, mais do que com os turistas que só vão para os grandes museus) para entrar numa das muitas exposições da cidade e desfrutar desse enorme privilégio que é estar em Paris. Sinto-me bem no meio desta gente. Sinto que sou um deles.
2006/05/19
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