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2008/07/28

O besteirol dos 500 anos

No rescaldo da atribuição do Prémio Camões 2008 a João Ubaldo Ribeiro, achei que vinha a propósito recordar aqui um artigo deste autor, publicado em 2000, sobre a famosa polémica do "achamento" versus "descobrimento" do Brasil. Sobre este assunto, creio que o autor de Viva o Povo Brasileiro sabe muito bem o que diz. É um texto polémico, porém.

O besteirol dos 500 anos, João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 24/04/2000

Levando-se em conta nossa pitoresca realidade contemporânea, até que a quantidade de besteiras ditas e escritas sobre o controvertido aniversário do Brasil não dá para surpreender. O que chateia um pouquinho é que diversas dessas besteiras continuarão a perseguir-nos pela vida afora, algumas talvez trazendo conseqüências indesejadas. A principal delas, naturalmente, é a de que o Brasil começou em 1500, quando nem mesmo no nome isso aconteceu, posto que éramos uma ilha quando os portugueses primeiro viram as terras daqui e, durante muito tempo, o Brasil que duvidosamente existia não tinha nada a ver com o Brasil de hoje.

A impressão que se tem é que, do povo às autoridades e mesmo aos entendidos, acha-se que o Brasil já estava no mapa, com as fronteiras e características atuais, no momento em que Cabral chegou. Teria tido até um nome nativo, já proposto, pelos mais exaltados, para substituir "Brasil": Pindorama, designação supostamente dada pelos índios ao nosso país. Não sou historiador, mas também não sou tão burro assim para acreditar que os índios tinham qualquer noção geopolítica, ou alguma idéia de que pertenciam a um "país" chamado Pindorama. Não havia qualquer país, é claro, nem sequer a palavra Pindorama devia fazer sentido para os ocupantes que os portugueses encontraram aqui, se é que ela era usada mesmo. No máximo, significaria o único mundo conhecido deles. Parece assim que os nossos índios administravam impérios e cidades como os dos maias, astecas ou incas, quando na verdade, que perdura até hoje, viviam neoliticamente e a maioria esgotava o numerais em três - era o máximo que conseguiam contar e o resto se designava como "muito".

2008/06/03

Ir à Feira do Livro e não ver a Caminho nem a D. Quixote

Estava à espera de encontrar na Feira do Livro de Lisboa uma "Praça Leya" muito melhor que as outras supostas "barracas", muito mais vistosa, com muito mais espaço. Puro engano. A Leya representa algumas das editoras portuguesas com melhores catálogos (caso da D. Quixote e da Caminho). Por isso mesmo, anteriormente estas editoras tinham um merecido lugar de destaque na Feira do Livro, ocupando várias das tais "barracas" que são "todas iguais". Mas não: uma barraquita para a Caminho, duas para a D. Quixote, semivazias, apenas com as principais novidades. Das três ou quatro barracas que cada uma destas editoras costumava ocupar, a atafulharem com todo o seu catálogo, nem sinal. É para isso que eu e, creio, a maioria das pessoas vão a Feiras do Livro: as "novidades" encontram-se em qualquer livraria. Tanto barulho causado pela Leya e, afinal, o resultado é ir à Feira do Livro e não encontrar a Caminho e nem a D. Quixote. Se era esse o objectivo da Leya (desconfio que sim), poderiam ter dito logo, e escusavam de ter vindo com os estafados argumentos do "direito à diferença" e da "liberdade" contra o "igualitarismo" do modelo tradicional. Os "liberais" da Leya, sob o argumento hipócrita da "liberdade individual" de cada editora ter o espaço que quiser, não estão nada interessados na Feira do Livro. Tal como outros liberais falam muito mas não estão nada interessados na escola pública e nem no sistema nacional de saúde.
O José Saramago, que nos outros anos era presença obrigatória na Feira do Livro de Lisboa a dar autógrafos, este ano (segundo li) não vai lá nem um dia.
Para ler mais: Francisco José Viegas (subscrevo inteiramente este texto) e José Mário Silva.

2008/03/10

2008/02/06

Onde Lisboa é mais baiana


Padre António Vieira (nascido há 400 anos)

2008/01/31

Em que altura é que se fodeu o "Cinco Dias"?

Aqui fica o meu texto de estreia como colaborador residente do Cinco Dias.

2008/01/21

Entrevistas de Luís Pacheco

A última entrevista de Luís Pacheco, dada ao Sol, a que cheguei via Glória Fácil. A não perder. Numa altura em que aparecem supostos biógrafos "oficiais" do desaparecido escritor e editor, vale a pena ler a opinião de Pacheco sobre os seus supostos "biógrafos".
Algumas passagens da referida entrevista a Anabela Mota Ribeiro, no DNa, transcritas pelo (quem mais?) José Mário Silva.

2008/01/18

Luís Pacheco - alguns textos


Encontrei no Diário de Notícias de 7 de Janeiro alguns extractos da referida entrevista a Anabela Mota Ribeiro, que a seguir transcrevo Mais textos podem ser vistos aqui e no auto-falante.
[Sobre por que se filiou no PCP] Agora que estou no fim, quero é que me arranjem onde cair morto... Sabe, eu gosto muito daquela bandeira e os gajos prometeram que me levam o caixão com a bandeira! Tenho uma militância contemplativa! Fui para ali como para um porto de abrigo.

Nunca fui um tipo muito sexuado. Desde o dia 31 de Dezembro de 1974 que não dou uma...

Ninguém vai chorar por mim, para que é que haviam de chorar? Um homem chora não é? Com toda a franqueza eu ainda fico chocado, magoado, mas chorar não me é muito fácil. As pessoas têm pena quando alguém morre? Por que é que se deve ter pena de uma pessoa que está aqui, que não fala, que não sae onde está, que se borra e mija e que já não dá por isso? Isso é que me faz impressão. Eu, por enquanto, ainda não cheiro a mijo. Mas arriscar-me a sair daqui?

2008/01/17

Luís Pacheco (1925-2008)

Andei este tempo todo à procura da entrevista de Pacheco a Anabela Mota Ribeiro, no DNa de há uns anos. Não a encontrei e, se não está aqui, é porque não está na web. Recomendo vivamente as outras entrevistas e depoimentos lá disponíveis. Luís Pacheco, o grande provocador, era o tal que aderiu ao PCP para, um dia quando morresse, ter uma bandeira do partido a cobrir o seu caixão no funeral. Foi feita a sua vontade.

2007/11/26

Miguel Sousa Tavares

Gosto do Miguel Sousa Tavares cronista e isso não é segredo para os leitores deste blogue. Tal não implica que eu goste do Miguel Sousa Tavares escritor. Não gosto e nem deixo de gostar - não tenho opinião formada. Sou selectivo com o que leio. Miguel Sousa Tavares é para mim o melhor cronista, mesmo quando eu não concordo nada com ele. Não creio porém que alguém pense que ele é o melhor escritor. Prefiro ler os melhores cronistas e os melhores escritores. Não perco uma crónica do Miguel Sousa Tavares, mas não vou ler um livro dele enquanto houverem Balzacs, Tolstois, Dostoiewskis e Saramagos para eu ler.

2007/10/31

Ah! Uma corrente!

Finalmente alguém me passa uma corrente dos blogues! Daquelas que todos os blógueres passam uns aos outros! Nunca ninguém me havia passado uma! Julguei que ninguém me ligasse nenhuma. Quem ma passou foi o bacano do João Gaspar.
Pegar no livro que está mais próximo, abrir na página 161 e transcrever a quinta frase completa dessa página. No meu caso, o livro mais próximo de onde me encontro é o livro de texto da cadeira que neste semestre lecciono, Introdução à Programação em Mathematica, de Amílcar Sernadas et. al.. Na página 161 pode ler-se
Na programação funcional, tal como na programação recursiva, não é usado qualquer construtor imperativo (i.e., não se pode recorrer, nomeadamente, nem à composição sequencial de acções, via ";", nem a comandos iterativos While), assim como não se recorre à memorização de valores em variáveis através de atribuições.
Passo a corrente ao João André, ao Francisco Frazão, ao Rui Curado Silva (quando voltar de viagem ou por que não antes?), ao Nélson, ao André Abrantes Amaral, ao Leonardo Ralha (a ver se volta a activar o blogue) e ao circunspecto Hugo Mendes (homem de muuuuuitos livros).
(João Gaspar, olha que tenho alunos que gostam da praxe; acho que os vou chumbar. Estou a brincar. Obrigado e até à próxima corrente.)

2007/06/10

Balanço pessoal de mais uma Feira do Livro de Lisboa

Já lá não ia há uns anos. Dado os (muitos) livros que tenho para ler, ia com a intenção de passear, ver as novidades e "não comprar nada". E vim com a sensação de "não ter comprado nada". Só que larguei 35 €. Tudo grandes negócios.

2007/06/01

O primeiro livro de ficção do Rui Tavares

...chama-se O Arquitecto, é sobre Minoru Yamasaki, "um artista amaldiçoado pela história, mais célebre pelas obras que lhe destruiram do que pelas que construiu". O livro é uma edição da Tinta da China e terá uma sessão de autógrafos com a presença do autor hoje às 21:30 na Feira do Livro de Lisboa.

2007/05/30

Lançamento: "O Fim do Mundo Está Próximo?"

O livro é da autoria de Jorge Buescu e é lançado em Lisboa hoje pelas 18h30, na Fnac do Centro Comercial Colombo. A apresentação do livro estará a cargo de Fernando Santo, Bastonário da Ordem dos Engenheiros, e de Nuno Crato, Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.

2007/05/09

Lançamento - "Ardinas da mentira"


O meu amigo Renato Teixeira tinha um blogue, que apresentei aqui. O Renato escreveu entretanto um livro, Ardinas da Mentira, que foi apresentado no passado dia 24 de Abril em Lisboa, tendo entretanto vindo a ser apresentado noutras cidades do país. Nele o cidadão do mundo Renato relata a sua experiência de jornalista, em Portugal e noutros países. Pelo que já li, parece-me muito interessante. Amanhã o livro é apresentado na Coimbra de onde o Renato é originário, com a presença de José Mário Branco. Se estiverem em Coimbra apareçam.