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2006/04/24

Faz hoje exactamente um ano


Ao encontrar esta fotografia (que reproduzo com a devida vénia) no Agreste Avena, mais um blogue parisiense, recordo-me que faz hoje exactamente um ano estava lá, no Monte St. Michel. Passei o fim de semana com um grupo muito internacional na Normandia e na Bretanha, onde fomos ver as maiores marés da Europa. Ao chegarmos pela manhã ao Monte St. Michel, vindos de St. Malo, esperava-nos um tempo como a imagem acima mostra. Se as fotografias que tenho do conjunto completo do Monte (uma delas como imagem no desktop do meu computador), tiradas ao princípio da tarde, não o mostram, é porque o tempo só melhorou nessa altura, mesmo quando nos íamos embora, bem de acordo com a Lei de Murphy... Mas eu é que sei a molha que apanhei quando subia para a abadia, e enquanto a visitava! Acabei por não ficar com nenhuma fotografia do conjunto completo do monte e da abadia com tempo de chuva. Até encontrar esta foto do Zèd, que traduz muito melhor a minha recordação do Monte St. Michel.
Não deixou de ser um excelente fim de semana, mas graças a isso perdi duas mesas-redondas com o capitão de Abril José Verdasca e o concerto do Grupo de Fados da Estudantina Universitária de Coimbra, no sábado à noite, nas comemorações do 25 de Abril na Casa de Portugal. No domingo à noite, porém, ainda cheguei a tempo de participar no jantar na Casa de Portugal, que incluiu uma pequena actuação da Estudantina. Isto para além, evidentemente, do saboroso caldo verde da Diana, do chouriço assado, do vinho tinto do Sandro e do doce arroz da doce Raquel que eu tinha à minha espera quando cheguei.
Que saudades da Casa de Portugal.

2006/04/18

A esquerda francesa e o neoliberalismo

Ainda no rescaldo da luta contra o CPE, um extracto de um excelente artigo de André Freire no Público de ontem:

«A mobilização anti-CPE revelou uma enorme vitalidade da sociedade civil, embora não da "boa sociedade civil" (isto é, cara aos neoliberais), e uniu num único movimento organizações estudantis e todas as confederações sindicais francesas, uma frente social de que não há memória em França. Obviamente, para esta união muito contribuiu a forma como o primeiro-ministro francês conduziu o processo, nomeadamente por avançar com a medida sem negociar previamente com as organizações sociais. Ou seja, esta mobilização social veio também relembrar aos tecnocratas que, numa sociedade democrática, os cidadãos e as suas organizações representativas têm que ser ouvidos antes de se tomarem medidas que lhes dizem directamente respeito (sobretudo quando isso está legalmente previsto, quando se trata de medidas que alteram radicalmente o statu quo e, finalmente, que não estavam inscritas em qualquer programa eleitoral). Tanto mais que o Presidente Chirac foi também eleito com os votos da esquerda.
Desde a década de 1980, em larga medida sob a influência dos consulados de Reagan e Thatcher, que vivemos ao nível mundial sob uma certa hegemonia do neoliberalismo, que até mesmo as famílias partidárias socialista e social-democrata de algum modo incorporaram (nos seus discursos e práticas), embora em graus variáveis. As palavras de ordem têm sido privatizar e liberalizar (isto é, desregular) a economia, reduzir o peso do Estado, reduzir a protecção social, flexibilizar (isto é, precarizar) as condições trabalho, etc. Embora haja obviamente variações nacionais significativas, os resultados globais estão à vista: primeiro, crescimento das desigualdades sociais (PÚBLICO, 15/1/06); segundo, crescimento ou estagnação (em níveis elevados) do desemprego; terceiro, um crescimento económico débil (Europa) e, nalguns casos, até grandes depressões (América Latina, Ásia) a atingirem várias regiões do globo, embora de forma não uniforme. E, note-se, não sou eu nem qualquer radical de esquerda que fazem este diagnóstico, são análises do prémio Nobel da economia Joseph Stiglitz (Globalização - A Grande Desilusão) e do presidente do observatório francês da conjuntura económica, Jean-Paul Fitoussi (La Politique de L"Impuissance).
Perante o insucesso da aplicação das suas receitas em tantas regiões do globo, nomeadamente na Europa, o que é que nos dizem os neoliberais? Que tal insucesso resulta de uma aplicação (ainda) reduzida e pouco extensa das medidas de liberalização, de precarização, etc. Daí que, perante tal dogmatismo ideológico, alguns comparem os neoliberais com os "neocomunistas dogmáticos": se a realidade não funciona tão bem como o modelo teórico (neoliberal ou comunista) prevê é porque aquela se afasta ainda da perfeição ideal deste.»

2006/04/15

Ils sont fous, ces vikings!


A banda desenhada há muito que deveria ter acabado (o último álbum, então, é totalmente indigno de pertencer à colecção, e deveria ser de lá banido). Mas é sempre um prazer voltar aos álbuns originais, que deram a fama à série, mesmo por outros meios.
Estreou esta semana a adaptação cinematográfica do meu álbum do Astérix favorito: o Astérix e os Normandos. Podem ver um trailer aqui. Será que no filme também há um normando a dizer para o outro (sobre o Goudurix, o "campeão do medo") «não lhe batas com muita força, pois senão ele nem sequer serve para loiça»? Será que o chefe normando também come javali com natas?

2006/04/14

O futuro após o CPE

Li e gostei: Democratizar o Estado é preciso (1, 2, 3), O CPE de todos nós, Por um novo contrato social progressista, inclusivo e solidário, Terá a rua um discurso? no Fuga para a vitória.
Gostei muito de um novo blogue (escrito em grande parte a partir da CIUP), o Véu da Ignorância. A este respeito, quero destacar Uma vitória de Pirro?

2006/04/12

Le CPE en terre, Villepin à terre

Uma boa notícia: o CPE foi posto de parte. Desta crise outras lições deveriam ser aprendidas, e outros procedimentos deveriam igualmente ser postos de parte: o método bonapartista de governação e a violência nos protestos ao estilo do Maio de 1968. Ambos fazem parte do estilo francês. Se algo deve mudar, é aí.
Quanto ao fim do CPE, é uma vitória dos estudantes e dos sindicatos, mas quem também se fica a rir é Sarkozy.

2006/04/03

Alain Minc: «Esta crise é um espasmo»

Embora não concorde com muitos dos seus pontos de vista, vale a pena ler a entrevista de Alain Minc ao Expresso e à Rádio Alfa para se perceber melhor a presente (e futura próxima) situação em França, particularmente o papel de Jacques Chirac. A entrevista contém ainda opiniões interessantes sobre os papéis do sul da Europa na União Europeia e de Portugal no mundo.

2006/03/28

Contra o despedimento sem justa causa

É natural e desejável para ambas as partes (empregadores e jovens recém formados) que não haja um compromisso definitivo nos primeiros empregos, mas para isso já está instituído o modelo do contrato a termo certo (que na prática é o que acontece sempre). Que para todo e qualquer despedimento (que é diferente de termo de contrato) seja necessária uma causa justa e comprovada, para mim é uma questão civilizacional. Há coisas em que não podemos transigir e esta é uma delas.

manif_28

Adenda: O essencial sobre o que está em jogo é, a meu ver, o que referi acima, e nesta questão como em todas há que separar o essencial do acessório. Só conheço a realidade francesa enquanto investigador numa grande École e num laboratório de Estado; nunca estudei ou dei aulas em França. Para uma perspectiva de quem está completamente por dentro destas duas realidades recomendo vivamente a leitura do que o André Belo tem vindo a escrever no Garedelest.

2006/03/19

Sobre as manifestações de estudantes em Paris

Há quem, (muito) mais à direita, não tenha mais o que fazer do que inquirir pelo conteúdo dos blogues de esquerda. Embora eu não seja um dos inquiridos, aproveito para acrescentar algo à propaganda do AAA, que se limita a acusar a extrema-esquerda dos distúrbios nas universidades em Paris: ele que leia esta nota que evidencia a prisão de militantes de extrema-direita nas manifestações do Quartier Latin. Mas estas notícias não se lêem no Insurgente.
Já agora aproveito para acrescentar: embora haja sempre excessos que são de condenar - e não é aceitável, por exemplo, que um investigador não possa ter acesso ao seu local de trabalho por este se encontrar tomado por estudantes, como sucedeu em algumas universidades de Paris, não se pode tomar a árvore pela floresta (algo habitual na demagógica direita blogosférica). As manifestações decorreram sem problemas e foram um sucesso, e a verdade é que sete em cada dez franceses afirmam-se contra o projecto-lei do Contrato de Primeiro Emprego que Villepin impôs sem qualquer discussão.

A ler ainda: Pais orgulhosos, e por vezes solidários. Isto é o que eu mais gosto na França.