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2009/11/26

Os mesmos valores, prioridades diferentes

De leitura indispensável esta entrada do Arrastão. Da minha parte, não só por causa do texto do Daniel Oliveira em si, mas sobretudo por causa da discussão que se segue (no que diz respeito à Alemanha - o caso francês referido parece ser mais um fait-divers sarkozyano). Sobretudo com o comentadores Bossito e JP, com quem estou de acordo. Valores como a igualdade básica e a liberdade de imprensa não podem ser relativizados. Ao pé desta discussão fundamental - como deve a Europa tratar os seus imigrantes? - , a do véu islâmico (onde mais uma vez defendo a não relativização da igualdade básica) parece marginal. Mas sempre a vi como fundamental, pois evidencia as diferentes concepções sobre integração de imigrantes e diferentes culturas em vista. Esta é uma questão a que, cada vez mais urgentemente, a esquerda não pode fugir. Quanto mais tempo esta discussão demorar, mais a extrema direita subirá.
"Quem fala assim certamente nunca perdeu o emprego para mão de obra mais barata vinda do estrangeiro. O perigo da esquerda continuar a alimentar estas visões completamente irrealistas, alienadas e sem qualquer possibilidade de aplicação prática sobre as questões da imigração, está precisamente em deixar para as mãos da direita o exclusivo do tratamento do tema. Isso sim, assusta-me."

"O que se defende aqui (e reparará que a maioria defende uma solução de “bom senso”) é que a abertura é bem vinda desde que, pela sua quantidade, não degrade as condições de vida, e pela sua qualidade, não ponha em causa os direitos liberdades e garantias que tanto custaram a conquistar. (...)O argumento (do nosso lado digamos assim) é que quem defende o mesmo que o Daniel geralmente vive em locais pouco afectados por aquilo que defende (acontece o mesmo com a localização dos bairros sociais ou com a co-incineração. São óptimos mas niguém os quer ao pé de casa.)."

2009/11/09

20 anos depois - "Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos"



Era precisamente a noção do que era andar em liberdade e poder passar o Muro que dava a Freitas Branco a consciência exacta da situação vivida pela generalidade da população de Berlim: a separação absoluta. "A cortina de ferro existia, de facto. Para quem se deslocava a pé, o ponto de passagem de fronteira era a estação de comboios central, a Friedrichstrasse", diz este professor da Faculdade de Letras de Lisboa. "Numa mesma estação de metro e comboios, havia dois mundos completamente distintos, o mundo do socialismo e o mundo do capitalismo. As pessoas passavam a um metro umas das outras sem se poderem ver nem falar. A divisória era uma cortina de ferro que cobria parte da estação. A cortina de ferro de que Churchill falava estava ali, materializada. É algo que só vivido."

Mas não era só no muro que rasgava a cidade que o peso da ditadura se sentia. João Lourenço - "Eu não fui pelo PCP, nunca fui do PCP" -, que esteve em Berlim a estagiar um ano, a convite do director da Casa de Brecht, Werner Hesht, e do director do Berliner Ensemble, Manfred Wekwerth, afirma: "Senti uma segurança como nunca senti em cidade nenhuma do mundo. Os soldados nas esquinas, nas casas de vidro, davam segurança. Havia uma segurança dada pelo regime." Mas não esconde que essa segurança tinha um lado assustador: "Um dia acordei com o barulho e com o chão a tremer. Fui à janela, eram os tanques com mísseis a passar. Durante uns segundos pensei: é a guerra. Eram os preparativos para o desfile do 1.º de Maio."
"Todas as pessoas com quem contactei, fossem do partido ou não, tinham uma posição extremamente crítica em relação à burocracia e à incapacidade do sistema", afirma Mário Vieira de Carvalho, explicando que "a falta de liberdade de expressão não deixava reflectir a realidade e o criticismo não passava". Pormenoriza: "Nas reuniões debatiam e criticavam, mas não passava para cima. A corrente não era de baixo para cima, era de cima para baixo." Uma atitude de comando que era "a expressão de uma falsa consciência sobre a realidade" e também, segundo Vieira de Carvalho, "profundamente antimarxista".
Os seis portugueses que viveram na ex-RDA são unânimes em elogiar os benefícios proporcionados pelo socialismo real. É desse bem-estar e dessa qualidade de vida que sentem nostalgia.

2009/10/12

Margem Sul do Tejo

O Bloco de Esquerda teve derrotas assinaláveis ao não eleger vereadores em Lisboa e no Porto. Só nalguns municípios da margem sul do Tejo atingiu tal desiderato, sendo que em Almada roubou mesmo a maioria absoluta à CDU, que desce à custa do crescimento do Bloco de Esquerda (não do PS). Vai ser um laboratório político interessante, Almada. Falta um vereador à CDU para a maioria absoluta. Elegeram vereadores PS, PSD e Bloco. Não me admiriaria se o acordo mais fácil fosse entre a CDU e o PSD.

2009/10/09

O apoio que faltava

Digna de destaque é a “declaração de apoio que não é uma declaração de apoio” de Manuel Carvalho da Silva a António Costa. Apesar de tudo, o coordenador da CGTP afirmou que é muito importante a vitória de Costa, o que é muito diferente da posição oficial do PCP, para quem “não há diferenças” entre o PS e o PSD. Só é pena que a posição de Carvalho da Silva seja estritamente “autárquica” e não envolva o governo do país. Seria interessante ver Carvalho da Silva afirmar, por exemplo, que a avaliação de professores é necessária (mesmo se em moldes diferentes dos propostos pelo governo), em contraste com mais esta posição lamentável do PCP. Como se pode pensar em coligações de governo entre o PS e o PCP quando este partido defende posições destas?

2009/09/30

Compromisso à esquerda

Um apelo à estabilidade governativa. Assinar aqui.

2009/09/28

A natureza de Louçã



Com os resultados do Bloco de Esquerda, se Francisco Louçã fosse um político responsável nunca o poderíamos ouvir falar em “vitória” ontem. O objectivo de um partido de esquerda responsável seria, retirando a maioria absoluta ao PS, ter mandatos suficientes para conseguir uma maioria em conjunto com este partido. (Para uma coligação ou para um simples acordo parlamentar, depois se veria.) Mas não assim. Excluído que parece estar um acordo com a CDU (a menos que se queira Portugal fora da NATO e da União Europeia), uma maioria de esquerda só me parece possível para propostas “fracturantes” ou em casos pontuais como um imposto sobre as grandes fortunas. A esquerda responsável, por isso, falhou. Mas nada disso parecia importar a Francisco Louçã, que estava mais preocupado com o seu partido do que com a governação do país. Sempre ouvimos falar da “arrogância” de José Sócrates. Após o que ouvimos ontem, será mesmo Sócrates o “arrogante”? A primeira coisa que o líder do Bloco de Esquerda fez, na noite de ontem, foi “exigir” a substituição de Maria de Lurdes Rodrigues sem propor nenhuma contrapartida. Ao ouvi-lo, apeteceu-me que Sócrates descesse ao átrio do Hotel Altis acompanhado da ainda ministra da Educação, anunciando que a manteria no seu cargo se fosse designado primeiro ministro. A verdadeira natureza de Francisco Louçã, escorpião pronto a picar a rã que o poderia ajudar a atravessar o rio, revelou-se aqui. Quem pudesse ter pensado na viabilidade de uma coligação do PS com um partido liderado por este indivíduo terá encontrado aqui a resposta. Enquanto o Bloco não decidir se é um partido de poder ou de protesto, tal não será possível. Mas, para o Bloco ser um partido de poder, terá que ser com outro líder. Neste momento, Francisco Louçã é o maior problema da esquerda portuguesa.

2009/09/25

Por que voto no PS

Numa notável música intitulada O Estrangeiro, em 1989, Caetano Veloso remata anunciando:
Some may like a soft brazilian singer but I’ve given up all attempts at perfection.
Não defendo que esqueçamos a perfeição. A perfeição deve permanecer como o objectivo, os objectivos devem ser claros e devemos lutar por eles. Mas devemos ter a noção de que a perfeição nunca é atingível por métodos democráticos, e os métodos antidemocráticos (para além de serem isso mesmo – antidemocráticos) conduziram a resultados que ninguém, nem mesmo o mais fanático, considera perfeitos. Ou seja: devemos tentar aperfeiçoar-nos, conscientes das nossas imperfeições. A perfeição é algo que se tenta atingir, e não algo que se estabelece. Finalmente, há limites à perfeição que queremos atingir (à esquerda: a Igualdade e a Liberdade), provenientes da nossa condição humana de animais sociais, que podemos aprender com a História, mas também com a Segunda Lei da Termodinâmica. São totalmente irrealistas as propostas baseadas na “imaginação”, no “sonho”, no “ideal” e na “utopia”, que tantas vezes se ouve falar à esquerda, e que devemos rejeitar em nome da verdade. (Belo slogan, o do PSD: Política de Verdade. Pena que não tenha nada a ver com o partido que o usa.) Mais valem avanços concretos que tacticismos suicidas que preferem levar a direita ao poder em nome da “pureza ideológica”, na esperança que a revolução fique mais próxima e mais fácil. É em nome destes avanços concretos, é por causa destes avanços concretos, que voto no PS nestas eleições legislativas. Porque sou de esquerda e, relativamente aos outros partidos, o Bloco de Esquerda não consegue (ou não conseguiu, até hoje) assumir nenhum tipo de responsabilidades, e o PCP, se não tiver uma posição hegemónica (que o povo português nunca entendeu dar-lhe), prefere conservar a sua pureza como partido puramente de protesto. Esta minha rejeição poderia motivar-me a procurar uma outra alternativa, ou a votar no PS simplesmente porque era o mal menor. Não é esse o caso: voto no PS nestas eleições com convicção: estou firmemente convencido de que é o melhor para Portugal. O que motiva este meu ponto de vista são alguns dos tais “avanços concretos” dos últimos quatro anos, rumo a uma sociedade mais justa. Sem querer ser exaustivo, vou enumerar alguns:

As propostas do Bloco

Texto imperdível no Avenida Central. A ler de uma ponta à outra.

2009/09/18

Não há festa como esta (4)



O cartaz prometia, no “Fórum”, um debate: “Novas Gerações – Gerações sem direitos”. A sala estava como se vê na fotografia. As “gerações sem direitos” conviviam, bebiam, ouviam música. Cá fora. Fizemos o mesmo.

(Postagem em co-autoria com o João Branco.)

Não há festa como esta (3)



O slogan da CDU nem é mau: “soluções para uma vida melhor.” Só que neste caso (e em todos os quiosques onde este cartaz estava colado) as soluções para uma vida melhor passavam pela venda de tabaco.

(Postagem em co-autoria com o João Branco.)

Não há festa como esta (2)



A Festa tem um “Espaço Livro”, com obras (muitas, e ainda bem) de autores, comunistas e não só. O que demonstra uma certa e salutar abertura. Mas deveria haver limites: ver, misturados com os romances de Saramago, os “Desenhos da Prisão” de Cunhal ou a “Miséria da Filosofia” do Marx, “manuais” da Paula Bobone e álbuns do Tintim e da Anita parece-me mal. Não combina.

Não há festa como esta (1)



Qualquer pessoa se enternece a ouvir Jerónimo de Sousa. Mesmo Francisco Louçã: recordo o ar embevecido do “coordenador” do Bloco de Esquerda a ouvir o líder do PCP a citar Almeida Garrett no debate entre ambos: “o número de indivíduos que é necessário condenar à miséria (...) para produzir um rico!”. “O antigo operário fabril lê Almeida Garrett!”, terão todos os espectadores do referido debate concluído. É possível que sim. Mas é possível também que Jerónimo se limite a prestar atenção à decoração das tasquinhas da Festa. (Festa que, como é sabido, todos os anos ele ajuda a montar.)

2009/09/07

Após a Festa do Avante!

Sou um socialista científico, comunista não-praticante. Não deixo de celebrar as datas do calendário (reportagem fotográfica em breve).

2009/08/08

A esquerda tem sempre que redistribuir

Embora concorde que a esquerda responsável tem que procurar criar riqueza, nisso se distinguindo da extrema esquerda, discordo do tom deste texto do João Galamba, que secundariza a redistribuição em relação à criação de riqueza. O papel histórico da esquerda sempre foi redistribuir. É o seu código genético. O PS (em quem eu vou votar em Setembro) tem de se distinguir à sua esquerda por ser capaz de gerar riqueza e à sua direita por a redistribuir. Uma esquerda que secundarize a redistribuição em pouco ou nada se distingue do centro e da direita.
O texto do João é pura "terceira via". A "terceira via" não está a ter um lindo fim. Respostas diferentes precisam-se.

2009/05/11

Sobre o “caso Vital Moreira”

O PS exagerou ao exigir um pedido oficial de desculpas ao PCP e à CGTP. Não se pode garantir que os autores dos (lamentáveis) acontecimentos tenham sido militantes do PCP, nem este partido é responsável pelos actos de todos os seus militantes. Da mesma maneira, não se pode pedir à CGTP que se responsabilize por todos os participantes na manifestação. Foi um acto de indivíduos; as responsabilidades são individuais.
Refiro-me a desculpas oficiais. As desculpas no acto apresentadas pela CGTP, como organizadora no evento, eram inevitáveis. Ainda mais quando a própria CGTP tinha convidado o PS a visitar a manifestação. Reacções como as de quem diz que Vital Moreira “não deveria lá estar” e que tal “era uma provocação” nem merecem resposta.
Restam as reacções dos partidos. E aqui toda a gente, do Bloco de Esquerda ao CDS, condenou o sucedido. Com excepção do PCP. Está certo que não foram só militantes do PCP os responsáveis pelo sucedido. Se calhar nem foram mesmo miltantes do PCP de todo (até agora só se confirmou um elemento da Ruptura/FER). Compreendo a indignação de comunistas sérios como Vítor Dias, mas a verdade é que um acontecimento como este foi prontamente condenado por todos os partidos menos pelo PCP. A principal lição política a tirar deste caso é esta.

2009/05/04

Entrevista a Carvalho da Silva

No conturbado fim de semana do Dia do Trabalhador. Entrevista a Anabela Mota Ribeiro no Jornal de Negócios. Um sumário aqui.

2009/04/30

A festa dos indigentes

Era eu caloiro e a Associação de estudantes do Instituto Superior Técnico promoveu um debate entre antigos dirigentes associativos. Vivia-se a “guerra” de combate às propinas, no cavaquismo. Diana Andringa deixou-nos um conselho que eu nunca esqueci: “Quando estiverem numa manifestação não bebam nem joguem às cartas: dá um mau aspecto do caraças.”
Vem isto a propósito de fazer-se uma “festa de protesto” a propósito do MayDay. O MayDay tem todo o meu apoio. Não tenho nada contra uma festa como a do Ateneu Comercial de Lisboa no passado dia 17 – é bem provável que até lá tivesse ido se estivesse em Lisboa. Mas fazer uma “festa de protesto”?
Os trabalhadores precários têm todo o meu respeito. Se fizessem um protesto a sério (desde que não violento), como se fazem em França, teriam todo o meu apoio. Agora fazerem como “acção de protesto” mais uma festa onde se come comida vegetariana e fumam uns charros soa-me – como dizer? – a beber ou jogar às cartas numa manifestação. Espero ao menos que a festa tenha sido boa. Bom MayDay para todos.

2009/04/13

Apelo à convergência de esquerda nas eleições de Lisboa

"Para que Lisboa cumpra a sua vocação e seja um exemplo para o resto do país. Deixemo-nos de sectarismos que só beneficiam a direita", apelei eu na minha assinatura (fui o primeiro a assinar!). A petição dos lisboetas dirigida aos partidos de esquerda foi apresentada hoje no Palácio Galveias em Lisboa e pode ser assinada aqui.

2009/04/03

Névoa fora da Braval

Francisco Louçã em pessoa acabou de me entregar na Avenida Central de Braga um panfleto com um apelo a esta petição. Assinem!