2010/05/31

Dennis Hopper (1936-2010)

O obituário do The New York Times:

May 30, 2010
Dennis Hopper, 74, Hollywood Rebel, Dies

By EDWARD WYATT
Dennis Hopper, who was part of a new generation of Hollywood rebels in portrayals of drug-addled misfits in the landmark films “Easy Rider,” “Apocalypse Now” and “Blue Velvet” and then went on to great success as a prolific character actor, died on Saturday at his home in Venice, Calif. He was 74.

The cause was complications from metastasized prostate cancer, according to a statement issued by Alex Hitz, a family friend.

Mr. Hopper, who said he stopped drinking and using drugs in the mid-1980s, followed that change with a tireless phase of his career in which he claimed to have turned down no parts. His credits include no fewer than six films released in 2008 and at least 25 over the past 10 years.

Most recently, Mr. Hopper starred in the television series “Crash,” an adaptation of the Oscar-winning film of the same title. Produced for the Starz cable channel, the show had Mr. Hopper portraying a music producer unhinged by years of drug use.

During a promotional tour last fall for that series, he fell ill; shortly thereafter, he began a new round of treatments for prostate cancer, which he said had been first diagnosed a decade ago.

2010/05/29

A esquerda cervejista volta a atacar

Tendo a concordar em parte com Carlos Vidal (uma vez teria que ser): o título “A crise dos poderosos é a festa dos oprimidos” para a “concentração anticapitalista” marcada para amanhã, antes do protesto organizado pela CGTP, é muitíssimo infeliz. Para além de que, como escreve nos comentários o Nuno Ramos de Almeida, ir a uma manifestação para criticar quem a organiza é uma profunda descortesia e falta de consideração. Mas cortesia e consideração são coisas que os setores como os que promovem (ia dizer “organizam”, mas isso é muito pouco anarquista) esta “concentração anticapitalista” não conhecem. Afinal, não nos podemos esquecer de que foram precisamente elementos ligados a setores como aqueles (não estou a falar dos promotores desta concentração em particular, que eu nem sei quem são) que foram à celebração do 1º de Maio de 2009 organizada pela CGTP para atacar Vital Moreira. Para evitar confusões apesar de tudo injustas, se calhar até acaba por ser bom para a CGTP esta demarcação – para demonstrar que uns não têm nada a ver com os outros.
É claro que não posso concordar plenamente com Vidal – afinal, são frequentes os apoios a atos violentos por parte deste artista plástico, entre os quais o ataque a Vital Moreira, que Vidal saudou entusiasticamente. As contradições de Vidal são apontadas por Ricardo Noronha, mas nem creio que mereçam tanta atenção: como o próprio Ricardo Noronha aponta, toda a gente já percebeu que Vidal pertence à “ala psiquiátrica”.
Mais significativo parece-me o apoio entusiástico que no “Vias de Facto” e noutros blogues (como apontou o Ricardo Alves) se dá à tal concentração. Conforme suspeitava aqui, agora confirma-se: o blogue onde escreve Diana Andringa, a jornalista que deu aos caloiros do Técnico o conselho que nunca esqueci (“não bebam nem joguem cartas numa manifestação – dá um mau aspeto do caraças!”) é um arauto da “esquerda festiva” (e que, quando calha, parte umas montras, quando não faz pior). Como irão os (oprimidíssimos) membros do Vias de Facto fazer a festa amanhã à tarde? Não querem que seja feriado? A Diana também vai? Também festeja? Estou morto por saber. E triste por a esquerda chegar a isto.

Também publicado no Esquerda Republicana

2010/05/28

Sócrates não pode ser mau de todo

Conseguiu algo que muitos sonham: vai conhecer pessoalmente Chico Buarque por vontade do cantor e escritor brasileiro. E esta, hein? Esta vontade de Buarque vale mais do que uma licenciatura numa boa universidade - é um verdadeiro doutoramento honoris causa!

Também publicado no Esquerda Republicana

2010/05/27

O “espanhol técnico” de Sócrates

Faz muita confusão a alguns blógueres bem-pensantes o nosso primeiro-ministro a tentar falar espanhol… em Espanha, junto de empresários. Não percebo porquê: qualquer português que tente comunicar com um espanhol consegue, desde que fale devagar, pronunciando todas as sílabas. É da minha experiência pessoal: aprendi a falar espanhol enquanto assistia, todas as noites, às versões dobradas das telenovelas brasileiras (um género de que gosto), nos canais de televisão americanos destinados aos imigrantes hispânicos. Ao ouvir os atores brasileiros (e portugueses, como Maria João Bastos em El Clon e Nuno Lopes em Esperanza) dobrados, aprendi alguns truques e pormenores de uma língua que, já de si, é muito simples para qualquer pessoa, e mais simples ainda para nós, portugueses. Sempre que vou a Espanha faço questão de falar espanhol, e garanto-vos que espanhóis já gabaram a minha pronúncia e me perguntaram como é que falo espanhol tão bem. Com um método como o meu, qualquer português que assim o deseje aprende a falar espanhol.
Com o francês, no meu caso, passou-se algo semelhante, embora não fosse com telenovelas: de repente, vi-me a viver em França, no meio de franceses, num meio onde a língua mais falada era o francês, e simplesmente quis integrar-me. Comecei a ouvir, a ler e a falar uma língua de que só tinha umas bases aprendidas no secundário, que já estavam esquecidas. Um ano depois já entendia praticamente tudo o que me diziam e era capaz de manter uma conversação em francês. Cometendo erros gramaticais, claro. Mas se eu tivesse medo de os cometer, se não tivesse a iniciativa de querer ser parte da comunicação, nunca seria capaz de falar francês.
Quando se está a falar uma língua estrangeira, o principal objetivo deve ser o de estabelecer comunicação. Não se deve ter medo de cometer erros. O não ter medo de errar, de falhar, que é uma caraterística tão pouco portuguesa. Cito, a propósito do episódio com que comecei, o Vasco Barreto (via o Bruno Sena Martins):
O “portunhol” de Sócrates é sobretudo uma manifestação da sua personalidade. Percebe-se ali o espírito de “desenrascanço”, um fura-vidas, uma enorme e algo autista confiança, a coragem, ousadia ou lata para enfrentar a elite económica e financeira de Espanha com tão parcos recursos.”
A necessidade faz o engenho e Sócrates, com uma licenciatura de uma universidade rasca, obtida em condições estranhas, pela primeira vez agiu como um engenheiro. Mostrou que merece o diploma que tem. E, francamente, quando leio os comentários que se têm escrito convenço-me de que vivo num país de tristes, invejosos e tacanhos. Valham-nos a Mariza e o Mourinho!
É claro que Sócrates não se comportou bem, apesar de tudo. Preferiu fazer uma piadola de gosto duvidoso com o líder da oposição, sem ser capaz de dizer, perante aquela audiência e naquela circunstância, o que realmente se impunha. Algo como: Voy a tentar hablar español aquí porque eres la única lengua que ustedes comprendem! No fundo, está muito bem para o triste país que somos.

2010/05/26

2010/05/24

Mourinho

Cristiano Ronaldo, Messi, são grandes jogadores. Mas como eles houve outros: Maradona, Pelé, Eusébio, Cruyff.
Os miúdos afirmavam que, quando fossem grandes, queriam ser como estes jogadores. Mas agora afirmam que, quando forem grandes, "querem ser como Mourinho". O que é muito bom, tendo em conta que nunca, antes do treinador agora mais uma vez campeão europeu, a inteligência desempenhara um papel tão importante no futebol. Só por isto se vê que nunca antes houve na história do futebol um treinador como ele.

2010/05/21

José Luís Saldanha Sanches (1944-2010)

Na despedida do ilustre combatente anticorrupção, falcedio há uma semana, vale a pena recordar a entrevista a Anabela Mota Ribeiro na Pública, aqui transcrita.

2010/05/19

O “Caso República” aos olhos de hoje

Cartoon de Sam

O PREC português foi rico em episódios notáveis. Alguns ternurentos, como a formação de cooperativas e o assalto aos latifúndios. Alguns trágicos, como os atentados às sedes do PCP no norte do país, as redes bombistas, os assassinatos de militantes de esquerda. Alguns (muito) cómicos, como o primeiro-ministro que declara ao presidente da república encontrar-se “em greve”, que ser sequestrado era “uma coisa que chateava, pá” e, perante uma granada, que “era só fumaça” e “o povo era sereno”.
Todos estes episódios fazem parte da nossa história e, para quem os viveu, da memória coletiva. Mas são nossos, portugueses. O “Caso República”, de que passam hoje 35 anos, pelo contrário, é um episódio que merece ser estudado e meditado a nível internacional, nos cursos de Ciência Política, pelo que tem de fascinante e paradigmático.
No “Caso República” (os mais moços podem recordá-lo, ou mesmo aprendê-lo, aqui) estão em confronto a um nível elementar, e por isso bastante profundo, o capital, o trabalho, a liberdade intelectual e de imprensa e, sobretudo, as relações e hierarquias entre profissões diferentes. Para uma pessoa de direita, creio que o lado certo só pode ser um (mesmo se o jornal fosse afeto ao PS, como era!). Para uma pessoa de esquerda, creio que a resposta já não é nada óbvia. É claro que para os artistas Bastos o lado certo só pode ser o outro, sem discussão, e ainda hoje atiram essa questão aos interlocutores, como que para atestarem a “pureza ideológica”.

2010/05/17

Há dez anos

Fez na sexta feira dez anos. Comprei um bilhete de avião de Nova Iorque para a Califórnia, para daí a duas semanas. Comprei a máquina fotográfica que não poderia deixar de levar (e que ainda hoje é a minha máquina fotográfica - uma máquina digital das primeiras). Comprei os bilhetes para o concerto do João Gilberto no Carnegie Hall, depois de voltarmos da Califórnia. Comprei o álbum "Passarim", do Tom Jobim, na Trumps Tower, na 5ª Avenida. O meu amigo que comigo ia, e que ficou no carro, estacionado ao pé do Hudson, foi abordado por prostitutas e ia sendo preso (fui dar com ele com as mãos em cima do capot, a ser revistado pela polícia). Foi um dia verdadeiramente inesquecível, por tudo isto. Mas o mais inesquecível foi chegarmos a Newark, para jantarmos na Marisqueira Seabra, sem sabermos de resultado nenhum (bem bastara a deceção de uma semana antes, em Alvalade, com o Benfica), e darmos com uma festa verde e branca.

2010/05/14

Um 13 de Maio com tolerância de ponto

Enquanto no Técnico recebiam a visita do diretor-geral do CERN, que dava uma palestra, eu aqui no Minho tive que pedir que os seguranças me abrissem a porta do lugar de trabalho. Mas tinha marcado uma reunião com um aluno, à mesma hora em que o Papa rezava missa em Fátima.

2010/05/13

Maria Amélia Cesário Alvim (1910-2010)


Do JBonline:

Matriarca da família Buarque de Holanda morre aos 100 anos

RIO - Aos 100 anos, Maria Amélia Cesário Alvim Buarque de Hollanda morreu de maneira discreta, na madrugada de quinta-feira: dormindo e de causas naturais. Estava no apartamento do sétimo andar do Edifício Alcazar, construído na década de 30, na pequena Rua Almirante Gonçalves, nº 4, em Copacabana, quase ao lado do botequim Bip Bip, um dos redutos da boêmia carioca que, aliás, Memélia – apelido de família dado pela neta Bebel Gilberto – ajudou a abrir. Mas nunca gostou de que se falasse nisso. A discrição foi uma de suas marcas.

Como boa matriarca, Maria Amélia atuava à sombra e à moda antiga. Ajudou nas pesquisas e datilografou os originais do clássico Raízes do Brasil, de 1936, escrito pelo marido, o historiador e crítico Sérgio Buarque de Hollanda (1902-1982). Enquanto Sérgio mergulhava nos estudos e pedia sossego para poder trabalhar, ela cuidava da parte prática, administrando a casa da Rua Buri, no Pacaembu, São Paulo, e educando os sete filhos: Sérgio, Álvaro, Maria do Carmo, as cantoras Ana, Cristina e Miúcha e o compositor Chico Buarque. Mais tarde, também não descuidou dos 13 netos e 12 bisnetos.

O bom gosto musical dos Buarque de Hollanda deve-se aos ouvidos de Maria Amélia. Ensinou os filhos a cantar samba, gênero de sua preferência, e a torcer pela Mangueira. Até participou de gravações: a voz dela está ao fundo de O meu guri, no registro de Cristina Buarque para a canção do irmão. No futebol, era Fluminense.

O Partido dos Trabalhadores, que ajudou a fundar, foi a paixão política de Maria Amélia. Foi ela a primeira pessoa a contribuir com a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989, com um cheque da pensão de viúva a que tinha direito. A gratidão fez com que o atual presidente, em vindas ao Rio, sempre passasse no apartamento de Copacabana para cumprimentá-la.

Quinta-feira, em nota, o presidente Lula disse que “Maria Amélia era uma pessoa que aliava ternura a firmeza, inteligência e preocupações sociais. Mesmo sendo filha de família tradicional, durante toda a vida lutou e apoiou as lutas pela liberdade e por uma sociedade mais igualitária”.

O governador Sérgio Cabral lembrou que “Maria Amélia foi uma grande mulher, matriarca de uma família que, na música e na literatura, simboliza o talento brasileiro”.

No Twitter, Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, lamentou “a perda da grande mulher”.

Presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça, disse que a ABL se entristeceu:

– Ela foi casada com uma figura eminente da cultura brasileira e tem filhos igualmente ilustres, figuras singulares em diversas manifestações culturais do país.

O acadêmico Antonio Torres disse que Maria Amélia “foi um exemplo de pessoa generosa e desinteressada”.

– A festa de aniversário de 100 anos foi muito bonita, mas sentíamos que não se repetiria. Ela morreu sem sofrer. Seu coraçãozinho cansou e parou de bater.

O corpo de Maria Amélia será cremado sábado, no Memorial do Carmo, no Caju.

Dia de tristeza e lembranças para amigos e vizinhos

Alfredo Melo, dono do bar Bip Bip em Copacabana, de cuja criação Maria Amélia foi grande entusiasta, lamentou a morte de uma amiga:

– Vai ficar um vazio muito grande.

Segundo o comerciante Maria Amélia tinha um “coração lindo”, estava sempre bem humorada e preocupada com o bem estar alheio.

A cabeleireira Tânia Alves conta que atendeu Maria Amélia por nove anos no Karoline Coiffeur, localizado na Almirante Gonçalves. Tânia contou que, por vezes, era chamada à residência da mãe de Chico Buarque e Miúcha para fazer-lhe o cabelo e as unhas.

Ao longo desta última quinta-feira, os familiares de Maria Amélia estiveram no prédio onde ela morava. A neta Sílvia Buarque foi acompanhada da mãe, a também atriz Marieta Severo. O produtor cinematográfico Pedro Buarque compareceu ao local com um amigo.

Por volta das 19h, o corpo foi levado para retirada do marca-passo, que não pode ser cremado.

O que teria sido de Sérgio Buarque de Holanda sem esta mulher, que preferiu refugiar-se na discrição? (Chico tem bem a quem sair.) Acrescento uma história deliciosa, pelo escritor Mário Prata:

MARIA AMÉLIA CESÁRIO ALVIM BUARQUE DE HOLLANDA, do lar da Buri (São Paulo, 1972)
Foi na festa de 70 anos do marido, o professor Sérgio, que ela me achou na cozinha, atrás de gelo. Sempre me chamou de Mario Prata.
-- Mario Prata, eu tenho percebido que o Chico tem andado muito com você e então eu queria te pedir um favor. Uma ajuda.
Fiquei curiosíssimo em que ajuda poderia ser essa. Na época, o Chico estava no auge da carreira e eu me orgulhava daquele papo com a mãe dele na cozinha.
-- Pois não, dona Maria Amélia.
Ela balançou o corpinha de cachaça e me falou, séria:
-- Fala pra ele terminar a faculdade de Arquitetura, fala. Ele era tão bom aluno de hidráulica.
Dois anos antes, o Chico havia feito "Apesar de você" que tinha passado pela censura, até que um gênio da Folha insinuou que a música tinha sido feita para o Médici. Foi proibida.
As rádios não podiam mais tocar, o Chico não podia mais cantar em show. Mas o público cantava.
Aí, os militares proibiram o público de cantar. O Chico não podia nem solar no violão.
E, num show, o público começa a pedir, a implorar. O Chico nada. Fazia que não era com ele.
Foi quando a dona Maria Amélia se levantou no meio da plateia:
- Meu filho, seja homem! Canta!
No dia seguinte ele estava na polícia dando explicações, apesar de você:
O militar:
-- Quem é o VOCÊ?
-- É uma mulher mandona, muito autoritária!
Agora, outro dia, depois de anos, encontro com a dona Maria Amélia. Queria falar deste livro e pedir a sua autorização para este verbete:
-- Dona Maria Amélia, estou escrevendo um livro que se chama "Minhas mulheres e meus homens" e...
-- Eu sei. É sobre seus filhos e suas filhas.
-- Não, dona Maria Amélia, é...
Ela riu da minha cara:
-- É uma caçoada, Mario Prata...
Eu tinha me esquecido do pique dela.

2010/05/12

2010/05/11

Reunião da ANICT

Foi um jornal do Minho quem melhor relatou o que se passou neste fim de semana, mas infelizmente só no final do Simpósio da ANICT. Mesmo assim, muito melhor que todos os outros jornais que li.

2010/05/10

Benfica campeão (5)

O Benfica é um justo campeão. O Braga fez um excelente campeonato. Da minha parte, valha-me o Beira Mar...

Benfica campeão (4)

Sentia-me rodeado de adeptos benfiquistas que se dirigiam ao Marquês de Pombal como se estivesse no meio de uma festa que não era minha. Não me sentia propriamente mal. Sentir-me-ia mal se o Benfica tivesse ganho o campeonato na última jornada ao meu clube, mas o Benfica não tem culpa que o meu clube tenha realizado a pior época de sempre, tendo ficado pela primeira vez mais perto do último que do primeiro, em termos de pontos.
Senti-me melhor ali, provavelmente, que em Braga. A equipa do Braga está de parabéns. Os adeptos, não, como se comprova pela invasão da Casa do Benfica em Braga. Confirma o que há muito sentia: no Minho os adeptos de futebol são fanáticos.

Benfica campeão (3)

Os cachecóis diziam "Graças a Deus não nasci lagarto". Os cânticos eram "Pinto da Costa pró c...". Qualquer um deles é normal. Não venham é dizer que só os sportinguistas é que pensam sempre nos adversários.

Benfica campeão (2)

...com a bênção do papa. Era giro olhar para aquela turba a festejar no Marquês de Pombal sob um retrato gigantesco do papa. Mais giro ainda é supor como deixam a cidade para o cortejo da visita de amanhã.

Benfica campeão (1)

hordas de benfiquistas desciam o Parque Eduardo VII em direção ao Marquês de Pombal. É preciso o Benfica ser campeão para os benfiquistas irem pela primeira vez à Feira do Livro.

2010/05/06

Após o jogo

Foi a única vez que fui a Alvalade esta época. O resumo da festa é o que se segue.

O jogador mais assobiado foi o Veloso (pai do Miguel). Cada vez que o Veloso tocava a bola, para além dos tradicionais insultos à avó do Miguel, ouvia-se um “larga a bola, lampião do c******!!”

Já é mais difícil dizer quem foi o jogador mais aplaudido. Do lado dos amigos do Iordanov, foi seguramente o Domingos Paciência, autor de dois golos e que revelou uma bela forma (os outros quatro foram do Pauleta). Nunca o Domingos foi tão aplaudido em Alvalade como ontem (ele que na década de 90 deu algumas vitórias e títulos ao Porto em Alvalade). Ontem, sempre que tocava na bola, só ouvia “Nós só queremos Domingos campeão!” Espero que o apoio do público lhe seja bom.

Do lado do Sporting, para além do Sá Pinto (que marcou dois golos, um deles de penalti e sem o Liedson), o mais aplaudido foi o inesquecível Acosta (que também marcou o seu golinho – um matador não esquece). E o mestre André Cruz. Para além de ter marcado outro golo – de livre direto, como ele sabe – conseguiu ser o único jogador a enfiar a bola num orifício pequeno de uma baliza coberta, num passatempo ao intervalo. Continua a saber pôr a bola onde quer. Um grande, grande jogador.

O jogo estava empatado 6-6, e o Iordanov ainda não tinha marcado (jogou os primeiros minutos pelos “amigos”, e os minutos finais pelo Sporting, tendo ficado no banco a maior parte do tempo). Pedro Henriques marcou um pemalti, o guarda redes dos “amigos” atirou-se ao chão e creio mesmo que se encolheu, mas o Iordanov atirou ao lado. Logo depois, revelando um bom pormenor, rematou de fora da área – um pouco ao lado também, mas se tem entrado era bonito. Finalmente, lá conseguiu. E o jogo acabou. Iordanov agradeceu e pediu aos adeptos para apoiarem sempre o Sporting. Enquanto lá andar este presidente é difícil, mas o facto de ser um pedido de quem foi talvez ajude. Obrigado por tudo, Iordanov!

2010/05/05

Eu vou a Alvalade para homenagear Iordanov...

...mas sobretudo para ver ao vivo (algo que nunca fiz por na altura viver nos EUA) o André Cruz e o Acosta. (Qualquer um destes três daria um melhor diretor desportivo que o Costinha.) E rever alguns portugueses, como o Carlos Xavier (outro bom diretor desportivo).
Mas o que eu receio é que o Sporting se torne nisto: um clube cheio de saudades de si mesmo.

2010/05/04