2009/07/31

Bobby Robson (1933-2009)


Um treinador inesquecível. Imortal, como bem referiu José Mourinho.

2009/07/30

Voos e refeições, dez dias depois

Infelizmente, a minha impressão da TAP, no voo do regresso, é totalmente oposta à da ida. O avião estava cheio (em grande parte de senegaleses, que iam apanhar uma ligação para Dakar), ao contrário da ida. Isso explica muito, mas não explica tudo. O queijo fundido das sandes ligava muito bem com o salmão, mas não com porco ou peru (nem percebi bem de que eram as sandes desta vez). Mas o pior nem foi isso. Havia uma certa turbulência, mas nada que justificasse não servirem café (apanhei turbulências muito piores noutras viagens de Paris, e nunca deixaram de me servir café). A comandante era nova (e provavelmente novata). Ou ela não quis arriscar, ou serviu como desculpa para algum plano de contenção de custos. O facto é que desde que se entrou em Espanha a turbulência passou. Teria havido tempo de servir café a toda a gente, regularmente. Mas o café só foi servido algo aleatoriamente, em chávenas já cheias, aos passageiros que se queixaram (como era o meu caso, que com falta de cafeína fico ainda mais rabugento). Mas fiquei com muito má impressão.

2009/07/29

2009/07/28

Paris evolui (I)




Em 2005 não havia nada a ligar o Quai de Bercy à Biblioteca François Mitterrand. Desde 2006 há a Ponte Simone de Beauvoir.

2009/07/27

A revolta dos equiparados (2)

Cometários ao texto "Filhos de um deus menor":

O presente diploma não coloca ninguém na rua. Coloca as pessoas a concurso. É evidente que uma pessoa competente, que se tenha doutorado, e que esteja há dez, 20 anos naquelas funções terá vantagem sobre um outro candidato de fora. É assim em qualquer lado. O problema são os outros, a saber:

  • os que se andam lá a arrastar há dez, 15, 20 anos e nunca fizeram o doutoramento (ou, pior, agora fazem um doutoramento a martelo porque são obrigados - conheço vários casos assim) - contavam com o empregozinho e nunca fizeram nada para progredirem (que é o que um professor do ensino superior deve fazer - progredir, investigar, melhorar);
  • os que entraram há pouco tempo (e que são muitos) - são novos, licenciados há poucos anos. Esses que peçam bolsa à FCT se querem fazer um doutoramento. A FCT aliás não deveria dar bolsas a este tipo de candidatos (que sejam ao mesmo tempo docentes contratados e remunerados). De resto não há razão absolutamente nenhuma para que estes candidatos sejam beneficiados e os bolseiros preteridos. E não me venham falar em precariedade. Ninguém sabe melhor no meio académico o que é a precariedade que um bolseiro. O que é que esta gente é mais do que os bolseiros para os estar a discriminar assim, só porque estão agarrados ao lugarzinho?
Eu pretendo ir para o sistema universitário. Já fiz o doutoramento há seis anos e nunca passei a prof. auxiliar. Porquê? Porque nunca fui assistente! Na prática o sistema de que o Miguel Campilho se queixa já não existe - as universidades já não contratam assistentes (pelo menos em ciências e engenharia), e ainda bem. Vejam se metem na cabeça - lugares no ensino superior, só para doutorados! É assim em qualquer país civilizado. É mais uma das boas medidas deste governo, que eu há muito ansiava.
Mas o mais incrível do texto do post é mesmo a interrogação final: "como cativar pessoal novo para o politécnico?" Em que mundo é que o autor vive? Num lugar com muito poucos doutorados, não? Eu conheço muitos doutorados prontos a aceitarem uma vaga no ensino politécnico. O ensino politécnico assim torna-se menos atraente a recém-licenciados, de facto. E ainda bem.

2009/07/22

No Quai Henri IV

Ali perto da Bastilha. Um rapaz diferencia-se, entre a multidão parisiense, por escarrar para o meio do chão com toda a gente a ver. Adivinham o que ele tinha estampado na camiseta? Certo (palavra de honra): “graças a Deus que sou português”!

2009/07/20

Ela quer ver o astronauta a descer na televisão

40 anos de “um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”. E quase 40 (39) de uma grande canção.

2009/07/19

Em Paris, em cada esquina um amigo

Paris continua a ser para mim uma cidade onde fiz (e continuo a fazer) muitos amigos. É um "ponto de acumulação" por onde toda a gente passa, onde se fazem amigos novos e onde se encontra aquele amigo que fizemos há uns anos na Cité Universitaire, que agora até está em Lisboa, onde nunca nos encontramos. Mas encontramo-nos por acaso em Paris. Ambas as coisas sucederam-me ontem.
Vou agora até Nantes. Mais tarde oontinuo com as crónicas parisienses.

2009/07/17

2009/07/16

"What do you need R-symmetry for?"

Foi essa a pergunta que o Ed me fez ao assistir ao meu seminário. Ter o Ed Witten na audiência não deixa ninguém indiferente; no meu caso, não estava propriamente nervoso, mas tenho a sensação de que despachei tudo a correr, uma vez que nem precisei de usar o tempo todo disponível, algo que comigo nunca acontece. Mas garanto-vos: foi uma experiência para muito mais tarde recordar.

2009/07/15

O sítio do costume...

...continua a servir boas refeições a um preço módico, embora agora esteja fechado ao fim de semana. Ainda é o meu local de almoço quotidiano em Paris. Anteontem foi um rôti de dinde avec du riz sauvage perfumé.

Paris a arder

O fogo de artifício foi lindo.

2009/07/14

120 anos da Torre Eiffel


...e 220 da tomada da Bastilha. Viva a Liberdade! E viva a Igualdade!

Voos e refeições, cinco anos depois

Deram desta vez sandes de salmão fumado com queijo fundido. Estão a melhorar a olhos vistos em comparação com há cinco anos, mesmo se sejam menos portugueses na comida (a comida portuguesa não é comida de avião, e ainda bem). Eu estava esganado de fome, e fui pedir outra sandes, como é meu hábito (era de noite, e o avião vinha com metade da lotação). Fiquei à conversa com a simpatiquíssima tripulação, e ainda me perguntaram se eu não queria mais uma sandes. O meu jantar (repito, ia esganado de fome de Portugal) foi, assim, três sandes de salmão fumado, dois copos (cheios - à portuguesa) de Fontanário de Pegões branco (da região do Sado, Rui), duas saladas de frutas e dois cafés. No serviço (em quantidade, qualidade e sobretudo em simpatia) não há nada que chegue à nossa TAP. E em segurança. E, já agora, nada a registar em termos de pontualidade. Bem pode a liberal tripeiragem fugir dela – não se admirem é de depois haver menos voos para o Porto e virem meio cheios. É o mercado. É a procura.
Custa-me escrever o que escrevo a seguir, mas tenho que ser sincero – se eu tivesse pago a viagem do meu bolso, dificilmente teria optado pela TAP. Teria prescindido do jantar, da leitura a bordo, teria pago menos cinquenta ou cem euros e optado por uma low-cost (que não a Ryanair). Mas uma vez que foi o estado a pagar, e o estado não paga low-costs (e obriga-nos a reservar em agências que cobram 40 euros só de emitirem um bilhete), vim em económica, no bilhete mais barato que encontrei. Felizmente foi a TAP. Quando são os contribuintes a pagar, não há nada melhor que a TAP. Quando não são, também é muito boa. E barata às vezes.

2009/07/13

À Paris

...desta vez para os Encontros Marcel Grossmann, onde vou dar dois seminários cuja preparação me retirou muitas horas de sono na semana passada. É sempre um enorme prazer regressar a casa.

2009/07/12

O cu e as calças (3)

Fernanda,
condenar a violência policial injustificada é uma coisa. Que não tem nada a ver com este caso que referes.
Há muito boa gente (que fica muito entusiasmada com os protestos dos estudantes gregos - creio não ser o teu caso) que fala em "estado policial" e "fascista" cada vez que um polícia comete um excesso (acho muito bem que se apurem responsabilidades por esses excessos, atenção). Organizam vigílias e protestos. Mas não são capazes de terem uma palavra perante dois polícias que são baleados. Há muito boa gente (na blogosfera) para quem a vida de um polícia vale menos que as outras. Não queiras confundir tu o cu com as calças também.

2009/07/08

Physical Reality Of String Theory Shown In Quantum-critical State Of Electrons

Para quem questiona que a teoria de supercordas possa apresentar alguma vez resultados palpáveis, aqui está um mistério, em física da matéria condensada, que só foi explicado recorrendo a teoria de supercordas. O que mais custa aos críticos das supercordas é isto: não existe melhor educação em física teórica do que um doutoramento em teoria de supercordas ou num assunto relacionado (física estatística ou teoria quântica de campo). Assuntos que permitem (como nenhum outro) trabalhar em muitos outros campos. Eles sabem-no bem.
É com prazer que acrescento que um dos autores, o Koenraad Schalm, foi meu colega mais velho de doutoramento. É mais um produto da escola holandesa, uma das melhores em física teórica (Stony Brook, apesar de ser em Nova Iorque, pertence à escola holandesa em física teórica). Embora não tenhamos tido muito tempo em comum, o Koen serviu-me como exemplo e inspiração. Parabéns, Koen!
(E obrigado, Luís.)

2009/07/06

Novos blogues

Graças ao destaque que a Palmira teve a gentileza de dar ao meu texto "A revolta dos equiparados", o Carlos Santos descobriu o Avesso do Avesso e teve a gentileza de nos destacar como "blogue da semana". E não é um destaque qualquer: é nuns termos que eu, sem querer parecer falsamente modesto (que não sou), considero muito lisongeiros. Muito obrigado e um abraço ao Carlos pela gentileza!
E graças aos destaques da Palmira e do Carlos, também pude descobrir o blogue de um amigo, o Porto do Graal. O Valor das Ideias e Porto do Graal: dois blogues a seguir.

2009/07/03

O caso Pinho

O "esquerda.net" é muito influente: muitos blogues, mesmo de direita, republicam o vídeo lá publicado.
O melhor comentário foi do Pedro Lomba, no Facebook: "Afinal os chifres foram para Louçã ou para Bernardino? Parece haver uma disputa."
Também gostei do do Jornal de Negócios, citado pela Maria João Pires: Indicadores traem Manuel Pinho.
Dito isto, creio que globalmente o episódio foi bom para o governo. Livram-se (sem terem que o demitir) de um ministro que até poderia ser bom tecnicamente, mas era um desastre em comunicação. E as suas gaffes tinham sempre consequências políticas (como a da Farinha Maizena, que Paulo Rangel ainda lhe deve agradecer). Manuel Pinho era um embaraço para o governo, e saiu de forma apesar de tudo airosa.

2009/07/02

Partes baixas

Há alturas em que ignorante é o melhor que podemos supor de uma pessoa.
Sempre supus que quem se queixa de "Lisboa" por tudo e por nada só pode ser ignorante. Provavelmente conhece a Baixa do Porto (incluindo o excelente "Piolho", onde vou há doze anos) e pouco mais.
Comparar Mariano Gago a um agente da GNR, conhecendo-se a biografia do actual ministro do Ensino Superior (nomeadamente como dirigente associativo), na melhor das hipóteses revela ignorância. Na pior, é muito, muito baixo, e revela até que ponto se pode chegar para defender um emprego na universidade pública. Um emprego - assistente universitário de carreira - que não tem razão de ser nos dias de hoje, como já escrevi várias vezes. Mas essa já é outra conversa.

(Nota: o que defendo - há muito tempo - aplica-se a todos os assistentes universitários, e não ao assistente universitário Carlos Abreu Amorim em particular, bem entendido. Mas teria ficado bem a CAA esclarecer que é parte interessada quando escreve sobre este assunto.)