2009/02/25

Em Braga, indecências nem no Carnaval


Passei o Carnaval como de costume no distrito de Aveiro (reportagem fotográfica no fim de semana!). Quando vi o telejornal à noite e ouvi este caso, nem queria acreditar. Faço minhas as palavras do Pedro Morgado: "Para lá do evidente moralismo, esta afirmação abre mais um precedente gravíssimo. Nem quero imaginar o que sucederia se estivesse nas mãos da PSP decidir o que deve e o que não deve ser exposto numa Feira do Livro..." Felizmente o Ministério da Administração Interna já condenou a medida...
(Ilustração roubada ao Pedro Vieira)

2009/02/22

Hoje soube-me a pouco

Depois do dérbi desta noite o Sporting é provisoriamente terceiro, mas poderia (e deveria) perfeitamente ser segundo. Esperemos que os golos que ficaram por marcar não venham a fazer falta. Dos que foram marcados, destaque para os do levezinho, claro.

2009/02/20

Vera Fisher


Já foi a mulher mais desejada do Brasil. Agora ainda é bonita, e ouve conselhos que o João Branco também deveria ouvir (ver entre os minutos 6:44 e 7:22).

2009/02/16

Grandes marcas com quanto por cento de desconto? (2)


Na sequência deste texto de Maio, e para que conste.
Refiro-me ao vinho tinto "Mestre Franco Reserva 2007", da Adega Cooperativa de Mourão (Granja-Amareleja).
No Continente, o preço "normal" é 4.99€. Com 50% de "desconto", a "grande promoção" fica em 2.49€.
Em qualquer Minipreço encontra-se o mesmíssimo vinho ao preço regular de 2.39€ (encontra-se também o vinho regional, sem ser reserva, a 1.99€.)
Em Novembro e em Janeiro eu tive cupões ("que complicação!", diria um concorrente de ambas as cadeias) respectivamente de 25% e 20% de desconto, com os quais o preço deste vinho passava a 1.80€ e 1.91€. Mas estes cupões que aparecem de vez em quando nem são o mais relevante. O importante é comparar o preço normal numa outra loja com o preço "de desconto" do Continente.
Não vou voltar a chamar a esta discrepância uma "vigarice". Vigarice, para mim, seria aumentar artificialmente o preço de um artigo para depois o vender, a um preço normal, chamando-lhe "promoção". Nunca tinha visto o vinho "Mestre Franco" no Continente, pelo que não sei se tal é ou não verdade. Interessa somente comparar a política de preços de uma cadeia de lojas com a qual (segundo ela mesmo afirma) "podemos contar".

2009/02/13

"Israel ainda pode vir a ser a terra do comunismo"

Um pouco de esperança, apesar dos desoladores resultados das eleições legislativas. Apontamentos interessantes, nomeadamente: um israelita que tenha sido contra a guerra de Gaza não tem muito por onde escolher. Entrevista publicada no Público.

Ele acredita em Mandela, Marx e Moisés

06.02.2009, Alexandra Lucas Coelho, em Telavive


Israel ainda pode vir a ser a terra do comunismo, segundo Dov Hanin. Sim, o comunismo falhou no século XX, mas a lição a tirar não é o capitalismo. Israel nunca esteve tão à direita. Em quem pode votar quem não apoiou a guerra? Num comunista. 85 por cento dos jovens de Telavive queriam-no para presidente da câmara

É uma espécie de senha. Pergunta-se a um israelita jovem, secular, cosmopolita, de esquerda, em quem vai votar e ele responde: Dov Hanin. Pergunta-se a outro - e outro - e outro, quem há de interessante na política israelita, e a resposta é: Dov Hanin.

A quatro dias das eleições, Israel está mais à direita que nunca nas sondagens. O líder da extrema-direita, Avigdor Lieberman, sobe, vai em terceiro lugar à frente dos trabalhistas, e Bibi Netanyahu já disse que, se for mesmo primeiro-ministro, lhe dá um ministério "importante".
A esquerda sente-se deprimida. Os políticos não o dirão, mas nas famílias de esquerda as conversas vão desde votar em Tzipi Livni para derrotar Netanyahu até sair do país. O centro-esquerda tem a opção de votar nos moderados do Meretz, mas isso é para quem apoiou a guerra de Gaza.
Em quem podem votar os israelitas que não apoiaram a guerra de Gaza? Em Dov Hanin.
O mais espantoso - num país tão consumista e americanizado como Israel - é que Dov Hanin é um comunista. Não um ex-comunista, um comunista-comunista.
Mas há três meses, quando se candidatou à Câmara de Telavive, as últimas sondagens deram-lhe nada menos que 85 por cento dos votos na faixa abaixo dos 35 anos - ou seja, a esmagadora maioria da juventude.
Foi com esses votos que Hanin acabou por ter uns notáveis 35 por cento do total dos votos, correndo contra o presidente da câmara, que se recandidatava com o apoio de todos os partidos, incluindo os religiosos.
Esta rara campanha - um comunista de um lado, todos os outros unidos do outro, e o comunista leva mais de um terço - foi "uma manifestação clara" de que há algo de novo na sociedade israelita, resume Dov Hanin, sentado num dos muitos cafés acolhedores de Telavive.
Uma hora depois, despede-se a dizer: "Ainda não verá a nova esquerda nestas eleições. Provavelmente, vai vê-la nas próximas."
Verdes e voluntários
Pai de três filhos, neto de rabinos da Bielorrússia, este advogado de 50 anos tem uma boa amostra do país na sua própria família alargada, "aí umas 150 pessoas", que discutem intensamente. Desde a direita do Likud ao próprio Dov, passando pelos partidos religiosos, há votantes para tudo - menos Lieberman.
A conversa começa com Hanin a oferecer um caderninho reciclado, que no verso é um bloco e no reverso é campanha. "As pessoas podem usá-lo." A mensagem é: não gastar dinheiro em coisas inúteis, até porque não o têm.
"Fizemos a campanha da câmara com o entusiasmo dos jovens. No dia das eleições, tínhamos 2500 voluntários por toda a cidade. Andar por Telavive era uma espécie de revolução. Éramos os únicos na rua. Não tínhamos dinheiro para grandes cartazes, então só fizemos uns anúncios que as pessoas podiam pôr nas varandas, e 3000 varandas em Telavive puseram-nos. Foi espantoso." Cada anúncio, diz, custou "menos de dois dólares".
Entretanto, as mesmas sondagens que lhe davam 85 por cento na faixa "menos de 35 anos" davam-lhe apenas 15 na faixa "acima de 50". "Ensinei Direito e Ciência Política e não conheço paralelo de uma divisão tão grande entre novos e velhos."
Os novos serão os menos ideológicos. Têm menos memória da guerra fria e do comunismo. O que é que Dov Hanin e o seu partido Hadash - que junta árabes e judeus - têm que os atraia?
"Há uma linha em Israel, que é a política de poder. Muita gente acredita nela, até as 'pombas' do Meretz, que apoiaram a guerra de Gaza. Mas quando se usa o poder encontra-se resistência, e usa-se mais poder, e há mais resistência, e do sangue vem mais violência. Esta é a História de Israel." E qual é a alternativa? "Não nos construírmos como uma fortaleza, mas como um lugar que procura uma relação neutra com o mundo árabe."
Dov Hanin não é sionista. Explica o seu não-sionismo assim: "Uma pessoa está a afogar-se no mar. Tem o direito de trepar para cima de um pedaço de madeira com uma pessoa lá em cima? A minha resposta é: sim, absolutamente. Mas tem o direito de deitar ao mar a outra pessoa? A minha resposta é: não, absolutamente. Essa é a diferença entre mim e um sionista."
Não questiona a fundação de Israel: "Os judeus foram vítimas de uma tragédia imensa no século XX. Têm o direito de se autodeterminar. O que não têm é o direito de discriminar os árabes. Portanto, se Estado judaico quer dizer autodeterminação, sim, se quer dizer discriminação nacional, não."
Há quem pense assim e defenda a solução de um único Estado, binacional, com judeus e palestinianos. Mas Hanin acredita em dois Estados. "Esta terra desenvolveu-se historicamente de forma diferente, e é a vontade destas duas nações viver separadamente."
Se fosse primeiro-ministro, "Jerusalém seria dividida em duas capitais". E quanto ao direito de retorno de quase dois milhões de palestinianos refugiados no Líbano, Jordânia e Síria? "Primeiro, reconhecer que têm esse direito. E depois a sua implementação prática tem que ser negociada entre as duas partes."
Estaria disposto a retirar centenas de milhares de colonos da Cisjordânia e Jerusalém-Leste? É possível? "É. Israel aborveu mais de um milhão de pessoas da ex-União Soviética, e muitos nem falavam hebraico. Os colonos ao menos falam hebraico."
Qualquer judeu tem o direito de vir para Israel. É o que se chama fazer aliyah. Dov Hanin manteria isto? "Israel deve continuar aberto a todos os judeus perseguidos por serem judeus."
Corrigir o século XX
Hanin sabe que a sua popularidade não vem de ser comunista, pelo contrário. Há quem o escolha apesar dele ser comunista e há quem o escolheria se ele não fosse um comunista.
"Como é possível votar num comunista em 2009?" é a pergunta de muitos israelitas de esquerda, que até acham Hanin "um homem bom", ou um "homem decente".
"Para mim, o comunismo é a tentativa radical de mudar o mundo", diz Hanin, para começo de resposta. "Vai dizer-me que já foi tentado, e tem razão. Essa tentativa falhou, e foram cometidos vários erros e crimes. O estalinismo foi um erro e criou muitos crimes. O estalinismo foi o maior desastre do comunismo. Muita gente concluiu que a única alternativa era o capitalismo e eu não aceito isso. A verdadeira lição é aprender com o que aconteceu no século XX. Não quero repetir esses erros."
Então, além do conflito israelo-palestiniano, que faria Hanin se fosse primeiro-ministro? "Libertava mais esferas da dominância do mercado. Um sistema em que cada cidadão tivesse direito a segurança social, saúde e educação financiadas pelo Estado." E nacionalizava bancos. "Há dois ou três anos as pessoas achariam isto perigoso, e veja-se o que aconteceu na América e em Inglaterra." A crise mundial, diz, "foi um sinal de como o capitalismo podia falhar".
Defender tudo isto tem um preço: "Agitaram bandeiras a chamar-me anti-sionista e apoiante dos refuseniks, por eu ter sido advogado de refuseniks." Como a esmagadora maioria dos israelitas, Hanin fez o serviço militar (entre 1976 e 1979, uma fase calma), mas recusou servir nos territórios palestinianos. Aqueles que recusam o próprio serviço militar são muito poucos e muito mal-vistos. "O Exército é a instituição mais forte de Israel", resume Hanin.
Exemplo de uma sociedade próxima do seu ideal? Pensa e não acha. "Há exemplos que podemos tirar de uma e de outra." Quais? "A segurança social da Escandinávia. O sistema de saúde em Cuba." Fica por aqui. O que ia buscar à América? "A cultura pop, o movimento antiguerra do Vietname, Martin Luther King." Obama? "Tem potencial. Espero que tenha a coragem de fazer o necessário."
Exemplos de líderes? "Nelson Mandela", responde de imediato. "Um líder da mudança, de uma mudança muito complicada, um homem sensato." Mais? "Karl Marx, claro. O maior pensador de todos, na capacidade de analisar a sociedade." Quando a crise rebentou, muito se disse que Keynes estava actual. "Keynes é um reformador, mas Marx está mais vivo que nunca. O que não terá chorado ou rido nesta crise..." E finalmente? "Moisés, o líder dos escravos, aquele que os levou da escravatura egípcia para o deserto, e nessa viagem longa fez deles um povo muito interessante. Foi um libertador. Pode perguntar-me: acha que Moisés existiu? Não importa. Vive na memória e na tradição das pessoas."
Essas pessoas são Israel, e o que Hanin gostava era que "Israel fosse o lugar de uma ideia para outras sociedades".

2009/02/12

O biólogo evolucionista e o estadista americano

Hoje há dois bicentenários, qualquer um deles muito relevante.
De Charles Darwin muito se fala na blogosfera (e ainda bem). Do que li desejo destacar os textos dos biólogos Vasco Barreto e André Levy.
O outro bicentenário que não deve ser esquecido é uma das figuras políticas que para mim são mais inpiradoras: Abraham Lincoln, o primeiro presidente republicano dos EUA (na época em que o Partido Republicano era o mais à esquerda). Lincoln não recuou nas suas convicções antiesclavagistas, tendo por isso de travar uma guerra. Ganhou-a, soube manter a unidade nacional e – muito mais importante – conseguiu impor os seus ideais progressistas e democráticos, que triunfaram sobre o separatismo esclavagista sulista.
Numa altura em que se volta a falar de regionalização em Portugal, um processo que eu temo que venha a reforçar o poder de caciques reaccionários (não nos basta o da Madeira?) que demagogicamente protestam contra “Lisboa” e o “estado” (como se protesta aqui e aqui), é bom termos Lincoln sempre presente. Para mim, este presidente americano é um exemplo do verdadeiro estadista.

2009/02/11

"A ascensão da extrema-direita em Israel é alarmante"

A propósito das eleições em Israel, vale a pena recordar uma entrevista de Tom Segev a Alexandra Lucas Coelho no Público. Destaco:
Tom Segev, 64 anos, é um dos mais relevantes e traduzidos historiadores israelitas. Publicou “One Palestine Complete”, “The Seventh Million”, “Elvis in Jerusalem” e “1967”. Acabou de escrever uma biografia de Simon Wiesenthal, o “caçador” de nazis. Esta entrevista foi feita na sua casa de Jerusalém, cheia de livros e com uma velha primeira página de jornal emoldurada. É do dia em que o Estado de Israel foi declarado.

Entre os israelitas, esta guerra parece ter sido a mais popular em anos. É verdade?

Foi definitivamente mais popular que a anterior do Líbano, que não correu bem.

Há quem fale em euforia.

Não foi euforia, mas as pessoas dizem que algo tinha que ser feito contra o Hamas. Temos esta tradição de acreditar que determinamos a política palestiniana bombardeando o Hamas, ou quem não gostamos. E convencemo-nos de que é só uma organização terrorista. Mas é também um movimento político e religioso genuíno.
A tentativa de ditar aos palestinianos os seus líderes não resulta. Estão a disparar rockets até hoje.

O que é que a satisfação quanto à guerra revela sobre o estado da sociedade israelita?

Primeiro, nenhum país pode viver com rockets nas suas cidades. Netanyahu continua a dizer às televisões do mundo, consoante de onde vêem: “Imagine que isto acontecia em Lisboa...”

Com a diferença de que Lisboa não ocupa Espanha.

Mas é verdade que não é possível viver com rockets, sobretudo antes de eleições. Portanto, por várias razões, a sociedade israelita moveu-se para a direita – para a extrema-direita.
Agora temos um partido de extrema-direita muito forte [Yisrael Beytenu, dirigido por Avigdor Lieberman, em terceiro nas sondagens, à frente dos trabalhistas]. É o nosso Haider. O ódio racista agora é legítimo, ele está a legitimá-lo. E não é dirigido contra os palestinianos nos territórios, pior, é dirigido contra palestinianos que são cidadãos israelitas. É xenófobo, é racista. Este é o tipo de partido por causa do qual Israel chamou o seu embaixador na Áustria, quando Haider teve 25 por cento dos votos.
Porque é que é forte? Porque há um sentimento de desespero quanto à paz. A maior parte dos israelitas já não acredita na paz. Dêem-lhes paz, eles ficarão felizes, mas já não acreditam nisso.
Isto é fúria, mas também há um elemento de vingança.
Tendo em conta que não há hipótese de paz, que os palestinianos continuam a disparar rockets, que os governos anteriores falharam, primeiro com a guerra no Líbano, depois com toda a corrupção de Olmert – e este corrupto Olmert, que toda a gente odeia, vem com estranhas declarações sobre como devíamos devolver os territórios –, as pessoas moveram-se para o outro lado. Acho que é natural.
E não nos devemos enganar. Não são só pessoas vindas da Rússia. São também israelitas nascidos aqui. Portanto, ele [Lieberman] está a trazer ao de cima o pior que temos.
Geralmente diz-se que não há nenhuma sociedade democrática sem cerca de cinco por cento de fascistas. Mas este partido é muito mais forte. Acho isso alarmante.

O psiquiatra palestiniano Eyad Sarraj diz que a sociedade israelita está doente.

Não é como se o Hamas fosse um movimento liberal, democrático, aberto... O melhor que se pode dizer é que temos duas sociedades doentes, aqui. O Hamas é apoiado por uma maioria de pessoas em Gaza – porque é que apoiam uma organização tão horrível? Para mim, qualquer sociedade que se desloque em números maciços para a extrema-direita está de alguma forma doente. O fascismo é uma espécie de doença.
O desespero quanto à paz, o sentimento de que a política não serve para nada, e a continuação do terrorismo palestiniano – tudo isto levou a Lieberman.

A guerra em Gaza fortaleceu Lieberman?

Absolutamente. E é também um resultado de Lieberman, porque este é o tipo de pessoas que pressiona o governo, e com a eleição era inevitável que a guerra acontecesse.
Começou quando começou por causa dos rockets, das eleições, de serem os últimos dias de Bush, de ser época de festas, e de os céus estarem azuis, tornando fácil os aviões voarem. Era inevitável.
Não nos levou a lado algum. Não há um cessar-fogo que não pudéssemos ter alcançado antes. E a coisa alarmante é o pouco que os israelitas se estão a importar com a destruição de Gaza.

2009/02/10

Rescaldo futebolístico do fim de semana

  1. Destaco a reacção de Jesualdo Ferreira, a afirmar que o FC Porto tinha "perdido dois pontos" depois do empate com o Benfica, arrancado após um penálti claramente inexistente (mas que não mereceu nenhuma referência). É preciso falta de vergonha na cara e falta de respeito pelo Benfica, onde Jesualdo até já trabalhou (e eu nem sou do Benfica).
  2. Do jogo de Alvalade ainda não vi imagens conclusivas, nomeadamente sobre o terceiro golo. Mas comprova-se uma vez mais que o Sporting é sempre prejudicado. O Braga é roubado perante o Benfica e o FC Porto; não é roubado perante o Sporting porquê? É injusto.
  3. É nestas alturas que se deve exibir o nosso orgulho. Passeei-me hoje pelo campus de Gualtar, em Braga, com o meu cachecol do Sporting. Muitos sportinguistas vieram ter comigo.
  4. Arranjem uma playstation ao Pedro Morgado.

2009/02/09

Carmen Miranda

A maior embaixatriz da cultura brasileira faria hoje cem anos.



É originária de Marco de Canaveses, como recorda a canção de David Byrne e Caetano Veloso.

2009/02/08

Desidério Murcho, os "pobres", o metro e a escola pública

Na sua habitual linha de pensamento político liberal, Desidério Murcho pergunta quais as vantagens e desvantagens de um imposto único. Tal já havia sido objecto de debate entre o Luís Aguiar Conraria (que, aliás, já tinha apresentado a ideia, e responde a Desidério) e Vital Moreira (que havia respondido à altura por duas vezes). As respostas ao texto de Desidério nos comentários são boas (particularmente a do anónimo Artur), mostrando que, mais do que económica, esta é uma questão política. Mas, lendo os mesmos comentários, reparei num particularmente significativo do próprio Desidério:
Ter dois milhões de euros no banco e viver em Chelas num apartamento de 20 mil euros, sem carro e andando de metro é algo bizarro, não? Isto devia ser evidente.

Para eu ser “bizarro” para o Desidério, só me falta mesmo ter dois milhões de euros no banco. Mas, portanto, escolhas pessoais como não ter carro e opções cívicas como andar de transporte público são, para Desidério, para “pobres”. (Um rico que as tome é “bizarro”.)
Curiosamente o mesmo Desidério Murcho muito insiste na elevação de conteúdos ensinados na escola pública, insurgindo-se contra o preconceito de considerar que os pobres “não gostam” de ciência, filosofia ou literatura a sério como motivo para “aligeirar” os conteúdos dos programas de ensino. Desidério defende o ensino na escola pública da melhor ciência, da melhor filosofia, da melhor literatura. Para percebermos melhor o conceito de escola pública de Desidério Murcho, convinha que ele respondesse a uma ou duas perguntas, relacionadas com este seu comentário. Um “pobre” que se interesse por ciência ou literatura ou filosofia, é bizarro? Um rico que ande na escola pública, é bizarro? Se Desidério achar que sim, julga que a escola pública é “para pobres”. Se achar que não, não é bizarro, por que raio é que o haveria de ser o andar de metro?

2009/02/05

Rescaldo da Taça da Liga

Já aqui o Nélson apontou os pormenores técnicos como só ele sabe. É claro que não conheço nenhuma prova em que não fosse o Guimarães a ser apurado para as meias finais. O importante não é isso: é a ambiguidade no regulamento da Taça da Liga. Tudo isto porque em lugar de uma definição matemática precisa, quem escreveu aquele regulamento resolveu escudar-se num termo de uso corrente em Portugal com significado errado, e afinal com um significado oficial bem diferente. Embora desportivamente julgasse que deveria ser o Guimarães a passar, confesso que simpatizava com as reivindicações do Belenenses. É que só neste país é que o regulamento de uma prova oficial é escrito nesta forma displicente e pouco rigorosa! Se fosse o Belenenses a ter passado, seria uma lição importante para este país pouco habituado à Matemática e às ciências exactas.
Entretanto o Sporting goleou o FC Porto como não goleava há 33 anos e chegou à final da Taça da Liga. Eu trocava bem esta final por estar na meia final da Taça de Portugal (de onde o Sporting foi tão mal eliminado), cujo sorteio se realiza hoje...

2009/02/04

O voto por correspondência

Funciona mais ou menos assim: há dois envelopes. Colocas o teu voto num, mais pequeno, que é lacrado. Coloca-lo dentro de um outro, e adicionas um documento assinado que te identifica. Fechas o segundo envelope. (Percebeste, Maria João?) Um processo seguro, e o segundo envelope garante confidencialidade. Creio que são os segundos envelopes que são depositados nas urnas, tornando-se indistinguíveis, antes de serem abertos.
Foi assim que eu votei nas últimas presidenciais. Ainda assim, tive de me deslocar ao consulado, pois encontro-me recenseado em Portugal apesar de na altura viver no estrangeiro. Foi o consulado que enviou o meu voto para a minha secção de voto em Portugal. Não percebo por que não o poderia fazer eu mesmo, em casa. Tal como não percebo por que só me deixavam votar assim (estando eu no estrangeiro) nas presidenciais e não nas legislativas ou autárquicas ou europeias. Tal como não percebo por que não é permitido a qualquer pessoa fazer isto para qualquer eleição, desde que comunique a sua ausência no dia das eleições a tempo à mesa. É assim que funciona noutros países, onde o voto por correspondência é corriqueiro. Facilita a vida às pessoas e diminui a abstenção.
Esteve portanto muito bem Cavaco Silva no seu veto. Só lamento que este processo do voto por correspondência não se alargue.
Ironicamente, a única vez que votei por correspondência foi para votar contra quem agora assegurou a continuidade deste tipo de voto...

2009/02/02

Regressa o Dr. House



"Do que eu gosto mais na personagem [Dr. House] é a sua absoluta confiança na racionalidade humana para resolver os problemas. (...)
Espanto-me quando vejo pessoas entusiasmadas com tratamentos ou curas "naturais" e "tradicionais", "como se fazia antigamente". Antigamente vivia-se trinta anos!"

(Hugh Laurie em entrevista a Conan O'Brien, Dezembro de 2008. Cito de memória, mas não desvirtuo o que foi dito.)