2008/10/31

"Trick or treat!"

No passado nesta data costumava colocar no blogue onde escrevesse um vídeo com uma passagem de um episódio de uma das séries da minha predilecção - talvez a série mais maluca que eu vi até hoje.
(A propósito: tal como há quatro anos também afirmo que, apesar da crise e das eleições, hoje à noite o americano médio só tem a cabeça no Halloween.)
Este ano já coloquei esse vídeo, há duas semanas, a propósito de outro assunto. Tive que procurar outro, da mesma personagem. Lembrei-me de um bem a propósito da discussão que aqui se tem vindo a ter. Espero que seja suficientemente assustador, especialmente para o Nuno Ramos de Almeida. Bom Halloween para todos!

O libertarianismo em poucas linhas

Eu, cá para mim, tenho uma outra solução: voto em quem defender que o pouco dinheiro que há deve ficar no bolso dos portugueses, para eles o gastarem como quiserem.

O que eu quero é dinheirinho no bolso dos portugueses.


O RAF não quer “dinheirinho no bolso dos portugueses”: o RAF quer que o dinheiro fique no bolso dos portugueses que já o têm. É uma grande diferença. É uma grande diferença para quem tem muito dinheiro, e teria ainda mais se não pagasse impostos (como é o caso do RAF). E é uma grande diferença para quem não tem dinheiro nenhum e, graças aos impostos que o RAF e os libertários pagam, tem acesso a um mínimo de protecção social. Já para as classes médias e trabalhadores por contra de outrem que acreditem na redistribuição de riqueza, por muitos Jorges Coelhos e Varas que haja, o “dinheirinho” fica sempre melhor no Estado que nos bolsos de um libertário.

2008/10/30

Acácio Barradas

É triste ver partir alguém que nos habituámos a ler. Sobre Acácio Barradas escreveram o Daniel Oliveira e o José Mário Silva, que o conheceram. Eu limito-me a transcrever um texto para o velhinho BdE:
Pedro Mexia dixit: «A esquerda adora a rua». Deverá ser por isso que, após o 25 de Abril, o esquerdista Manuel Múrias, anteriormente nomeado director da RTP pelo marxista-leninista Oliveira Salazar, editou e dirigiu um jornal que justamente intitulou «A Rua». E também deverá ser por isso que o ex-director do «Independente», após um longo tirocínio eleitoral por feiras e mercados como líder de um partido de esquerda, já na qualidade de ministro da Defesa convocou para o Caldas uma manifestação de desagravo contra as atoardas com que a direita vilipendiou a sua honra, acusando-o de fraude na Moderna e exigindo a sua demissão. Assim se faz a História...

2008/10/29

Cinco Dias alargados

O horário é de Inverno, os dias ficam mais curtos, e convidam mais à leitura. Por isso os "Cinco Dias" não encurtam, mas alargam. Novos colaboradores vão entrar no Cinco Dias. Aqui apresento três.

O João Branco é um engenheiro aeroespacial, e é (mais um) gajo do Técnico. Viveu alguns anos na Holanda e gosta muito desse estranho país onde as pessoas se preocupam mais com o que fumam do que com o que comem. É um ciclista e algarvio militante, para quem as desigualdades em Portugal são culpa dos "homens do norte" (classificação que obviamente inclui os lisboetas).

O Paulo Jorge Vieira é um bairradino cidadão do mundo. Geógrafo de formação pela Universidade de Coimbra, é um trabalhador precário representante da "Geração 500 euros", que nunca sabe como vai ser o seu dia de amanhã. É activista na área dos direitos sexuais - feminista e direitos LGBT -, sócio fundador e actual presidente da direcção da associação "Não Te Prives". Foi membro da Comissão Excutiva do Fórum Social Portugues e da Comissão Executiva dos "Jovens Pelo Sim". Casou-se noutro dia em frente à Assembleia da República. A cerimónia até foi transmitida pela televisão, mas não foi válida.

O Rui Curado Silva é físico nuclear/astrofísico. Fez estudos de doutoramento em Estrasburgo e de licenciatura em Coimbra, onde presentemente é investigador. É também um divulgador da astronomia junto do público. É europeísta, ecologista e interessa-se pelo problema do aquecimento global. É autor do excelente blogue Klepsýdra.

O João, o Paulo e o Rui são para mim três queridos amigos, com quem é um prazer partilhar este espaço. Muito bem vindos e boas postagens!

2008/10/28

Prémio "dardos"


Recebi o prémio "dardos" do simpático blogue "Homem ao mar!" de M. Ferrer, a quem agradeço a gentileza. É suposto eu indicar 15 (quinze) blogues! Para evitar um crescimento tão acentuadamente exponencial do número de blogues contemplados, vou só indicar dois: O Nadir dos Tempos e Klepsýdra. As razões da escolha? Passem pelo Cinco Dias e perceberão.

2008/10/27

1000

Postagem nº 1000 do Avesso do Avesso.

2008/10/24

A blogosfera agora tem o seu Carlos Castro

Há uma semana, escrevi que “a Fernanda tem não uma mas duas causas na vida: o casamento dos homossexuais e o aumento das rendas de casa.” Qualquer leitor do Cinco Dias sabia que se tratava de uma provocação à Fernanda Câncio, na sequência de uma polémica que aqui tivemos no verão e que agora não poderíamos retomar nos mesmos moldes. Qualquer leitor do Cinco Dias sabe, se tiver acompanhado essa polémica, que eu e a Fernanda estamos de lados opostos nessa questão (a do aluguer de casas – não a do casamento de homossexuais) e havemos de continuar a estar - tal é irreparável. Os leitores do Cinco Dias sabem que tal divergência (antiga) entre mim e a Fernanda não teve absolutamente nada a ver com as ocorrências recentes no blogue. Os leitores mais atentos do Cinco Dias sabem que eu gosto de dirigir este tipo de provocações à Fernanda, em postagens e em comentários. Os leitores do Cinco Dias, que obviamente conhecem a Fernanda, sabem ver aquela minha frase como uma provocação e não mais do que isso. O que nem mesmo os leitores do Cinco Dias saibam, mas eu acrescento, é que já o faço há mais de dois anos (aqui e aqui), quando nem eu nem a Fernanda sonhávamos que haveríamos de partilhar um blogue, e o Cinco Dias ainda nem existia. E que nunca deixei de fazer, mesmo quando ela já era membro residente e eu só comentava. E que nem por isso a Fernanda se opôs a que eu entrasse para o blogue. Não se pode por isso concluir desta minha provocação que existe alguma “ferida aberta”. Da minha parte – aqui falo em meu nome pessoal, e é só isso que posso fazer – não existe nenhuma ferida aberta (ou fechada) com os autores do Jugular, blogue de que serei leitor e comentador, e a quem desejo toda a felicidade.
Só que Paulo Pinto Mascarenhas conclui, na sua coluna semanal sobre blogues no Jornal de Negócios, que “as feridas da cisão à esquerda continuam longe de cicatrizadas”, baseado justamente naquelas minhas palavras. Não sei que interesse este tipo de fofocas da blogosfera terá seja para quem for: quem acompanha os blogues está a par do que se passa, e quem não acompanha, não é graças a elas que passará a acompanhar. Mas o Paulo Pinto Mascarenhas escreve-as no jornal, e está no seu direito – mesmo que sejam falsas, como é o caso, e dêem uma impressão errada do que se passa a quem não acompanha o caso na blogosfera. É para escrever as suas crónicas que lhe pagam. É esse o tipo de jornalismo que Paulo Pinto Mascarenhas estava habituado a fazer no semanário onde colaborou, antes de se tornar assessor no governo do fundador e figura tutorial desse mesmo semanário: um jornalismo que procura criar casos onde não há, e os envolvidos são sempre adversários políticos. É a isso que se resume a sua crónica – pelo menos a desta semana – no Jornal de Negócios. Seria interessante no entanto ver como tal crónica se referiria a um “caso” que ocorresse num blogue seu (ou que lhe fosse próximo politicamente). Já ocorreu pelo menos um caso no passado.

2008/10/23

Bem leve



Ontem ele foi mais uma vez decisivo (e entrou para a história do Sporting: o melhor marcador nas competições da UEFA). Mas eu nem falo do golo de ontem, que foi uma colaboração com o Derlei. Falo do impressionante golo de sábado, contra a União de Leiria, que marcou o regresso de Liedson. Mais uma vez o levezinho é um exemplo de preserverança, de nunca dar nada por perdido. Vejam bem o vídeo. O Liedson cai (em falta?), mas não perde tempo: está rodeado de três adversários, mas ainda assim levanta-se, recupera a bola e remata para golo. Se fosse um jogador português ficaria sentado no chão a pedir falta, mesmo que ninguém lhe tivesse tocado!
Recordo que este jogador único até aos vinte e poucos anos era desempacotador num supermercado. É um exemplo para todos os portugueses (e não só jogadores de futebol).

2008/10/22

O Luís Lavoura tem sempre alguma razão

...ou não fosse ele físico teórico. Aqui se confirma:

"Comentário de Luis Lavoura
Data: 27 Junho 2008, 12:44


O Filipe Moura ganha facilmente a aposta.

De facto acho que nao faz sentido nenhum a Fernanda (e nao so) estar neste blogue na companhia de comunistas mal reciclados como o Nuno Ramos de Almeida ou o Filipe Moura. E que, se o objetivo da Fernanda e defender os direitos e liberdade dos homossexuais, nao precisa de andar em tao mas companhias, nos no Movimento Liberal Social tambem o fazemos. A diferenca e que somos a favor da liberdade na sua totalidade. Nao somos apenas a favor da liberdade de uma pessoa namorar com quem quiser, somos tambem a favor de ela poder arrendar a sua casa a quem quiser e ao preco que quiserem combinar. Acho que faz sentido ser coerente.

A Fernanda pense bem."

Agora de facto o Luis nunca tem toda a razão. Neste caso, quando afirma que o objectivo da Fernanda Câncio é defender os direitos dos homossexuais, assim, como se fosse o único. São extremamente injustas as pessoas que afirmam que a única causa da Fernanda é o casamento dos homossexuais. Conforme se confirma pelo seu primeiro texto no novo blogue Jugular, a Fernanda tem não uma mas duas causas na vida: o casamento dos homossexuais e o aumento das rendas de casa.
(Fernanda, um dia gostaria de voltar a encontrar-te, e que então me explicasses como podes pôr no mesmo texto as palavras "igualdade", "senhorios" e "inquilinos". "Igualdade", "senhorios" e "inquilinos" são três coisas incompatíveis, pelo menos na minha limitada cabeça.)
Despeço-me dos meus companheiros do Cinco Dias: foi um grande prazer conhecer-vos e espero que a gente se continue a encontrar por aí. Saúdo os membros do novo Jugular. (Saravá companheiro Vasco. Ana e Maria João: acreditam que o café da Dona Maria foi trespassado? Vi isso quando passei por lá noutro dia.) Vou continuar a ler-vos com prazer, e com certeza que haveremos de partilhar outras lutas no futuro. Até lá, eu continuo do avesso do avesso. E quem vier atrás que feche a porta.

Tenho coligido aqui no Avesso do Avesso todos os meus textos publicados na blogosfera. Aqui ficou então um texto meu publicado no Cinco Dias na semana passada, por altura da crise que assolou o blogue.

2008/10/21

2008/10/20

"Um descalabro chamado Queiroz"

Desde que o actual seleccionador entrouao serviço, praticamente não ligo à selecção. Não espero nada. Mesmo considerando o talento dos jogadores: se há coisa que eu vi, foi este treinador não obter resultados com os melhores jogadores. Deixo ainda assim aqu extractos de um artigo de João Marcelino.

Nunca esperei nada de muito significativo desta nova etapa da selecção nacional com Carlos Queiroz. Há demasiados anos que o vejo como um treinador banal de alta competição, bom programador ao que dizem, disciplinado e trabalhador, bem relacionado, que utiliza o servilismo de uma parte da imprensa portuguesa ("professor" para aqui, "professor" para ali) para esconder a falta dos atributos que mais devem habilitar um homem com as suas funções: carisma, capacidade de liderança e sagacidade nas opções técnicas, sobretudo a partir do banco.

A ausência destas qualidades, a que se soma a falta de experiência significativa como jogador, já fora anteriormente visada nas passagens pelo Sporting (onde não ganhou ao leme da melhor equipa dos últimos 20 anos do clube), pelo Real Madrid (onde foi despedido) e pela selecção (em que falhou o apuramento para o Mundial de 1994). Descontando o trabalho às ordens de Alex Fergusson, um verdadeiro líder cuja longevidade desesperou o actual seleccionador nacional e o fez agora abandonar Manchester, o resto foram experiências irrelevantes no futebol do terceiro mundo.

Queiroz continua a recolher ainda hoje os dividendos do investimento feito em 1989 e 1991 com os títulos mundiais de sub-20, quando levou ao limite a capacidade familiar de alguns jovens com qualidade futebolística para os manter perto de 250 dias em estágios sucessivos - coisa absolutamente anormal para o escalão e que alguns desses jovens pagaram de forma dura em termos académicos e culturais. (...)

A propósito do descalabro da selecção de futebol, que está já seriamente em risco de falhar o apuramento para o Mundial, pode e deve dizer-se algumas coisas concretas. Por exemplo estas (e poderiam ser muitas mais):

Ao contrário do que pretende uma mentira tantas vezes repetida, o jogo com a Dinamarca foi mau. Portugal sofreu três golos, perdeu, e poderia, até, ter sofrido outros dois golos logo nos primeiros momentos do jogo. Ou seja, começou mal e terminou pior.

Não se percebe que na preparação do jogo tenha alertado para o facto da Albânia poder atirar alguma equipa para fora do Mundial e depois, na conferência de imprensa, já tivesse sido capaz de assumir, com atraso, que este era um jogo de ganhar. Ou seja, não foi capaz de colocar essa pressão nos jogadores antes, e só depois disse - obviamente por dizer e para ganhar espaço para os cinco meses de férias que se seguem até Março - que a selecção se vai apurar ganhando onde tiver de ser. Conversa fiada. Neste momento poucos são os portugueses apreciadores de futebol que acreditam nisso.

Queiroz disse três vezes na mesma conferência de imprensa, em Braga, que não sabe o que mais pode ou deve fazer para ganhar um jogo de futebol! Não foi deslize. Tenho a certeza absoluta que ele estava a falar verdade.

É normal um treinador perder- -se nos elevadores do estádio (!!!) e (mandar) justificar assim a sua falta ao compromisso contratualmente assumido de falar à televisão (TVI) que tem os direitos do jogo?

Prova-se que é uma absoluta estupidez esperar de um seleccionador a disponibilidade para "reorganizar" o futebol jovem. Um seleccionador não é um director técnico. Como o velho Aragonés provou, desse homem só se espera uma visão, uma estratégia e resultados concretos da missão.

Pergunto de novo: quanto vai pagar a FPF de indemnização a Queiroz se tiver de rescindir o contrato de quatro anos? Scolari, recorde-se, para comparar, nunca teve direito a mais de dois... Madaíl está enganado se pensa que poderá resistir à pressão da opinião pública depois de um eventual fracasso nesta campanha para o Mundial. Quanto muito, promoverá mais um excêntrico, como o euromilhões, porque esperar que Queiroz vá embora agora, e pelo próprio pé, promovendo uma mudança que seria boa para a selecção, é esperar de mais para quem o conhece.

O pior de tudo é o seguinte: em três meses apenas, Queiroz cortou a relação da equipa nacional com o seu público. Como se vai reconstruir agora essa ligação?

2008/10/17

Ah se tivesse sido eu a escrever isto!

Pensará o Pedro Morgado: «Os outros não podem chamar "provinciana" a determinada atitude ou episódio. Só nós é que podemos. Faz lembrar aquela história: só os judeus é que podem contar anedotas sobre judeus (e rir-se delas). Caso contrário é-se anti-semita. Por isso é que nós até temos direito a destaque do CAA. Com referências ao "país do socratismo", como se a culpa fosse de Sócrates.»

2008/10/15

Das filhas da puta


Tal como à Fernanda Câncio, também a mim sempre me fez confusão insultar a mãe de alguém e não a pessoa em questão. No México, por exemplo, insultar a mãe é considerado um insulto pior do que insultar a pessoa. Deve ser característico das sociedades tradicionais com famílias mais matriarcais.
Outro aspecto que me faz muita confusão é, em inglês, não poder aplicar tal insulto a uma mulher. Se eu quiser dizer de uma americana ou inglesa que é uma “filha da puta” em inglês, não posso. Não se aplica. “Son of a bitch” é tão institucionalizado que até as suas iniciais SOB são usadas neste contexto (embora possam em Nova Iorque ter outro significado, por mim frequentado às vezes). “Daughter of a bitch” é coisa que ninguém diz. Será por cavalheirismo? Mas não será esta uma discriminação inaceitável de género? E será por isso que a Fernanda gosta tanto da língua inglesa?

2008/10/14

Confirma-se: o casamento gay distrai-nos de outros assuntos

No Blasfémias, por exemplo, nem uma palavra sobre o Krugman. O João Miranda só fala sobre o casamento gay. O mesmo se pode dizer do Insurgente, excepção feita a umas citações colocadas há uns minutos.

2008/10/13

Paul Krugman Nobel da Economia

E eu há cinco anos já o citava (num belo artigo - texto "Filipe Moura (2)"). Vale a pena lê-lo, agora e sempre.

2008/10/10

O Nobel de Nambu

Nambu foi galardoado pela aplicação da quebra espontânea de simetria à física teórica de partículas. Ora o melhor exemplo de aplicação da quebra espontânea de simetria neste campo reside no mecanismo de Higgs, em que as partículas adquirem massa através da presença do célebre bosão anónimo. Faria mais sentido atribuir-se o nobel a Nambu depois da descoberta do bosão de Higgs. Mas não “a propósito” do bosão de Higgs: se este for descoberto, há pelo menos seis físicos teóricos candidatos a receberem o nobel pelo mecanismo “de Higgs”, assim baptizado por ‘t Hooft: Higgs e mais cinco. Quando as regras do nobel só permitem três premiados em cada ano. Acrescentar-lhes Nambu aumentaria a confusão.
Isto se se descobrir o bosão de Higgs: se este nunca for descoberto, tal representa uma severa machadada na “quebra espontânea de simetria em física de partículas” (não noutros campos da física). A quebra espontânea de simetria é um fenómeno fascinante; porém, estritamente em física de partículas nunca foi observada em simetrias exactas, de gauge (no caso da simetria electrofraca tal constituiria o mecanismo de Higgs).
Desta forma, este prémio Nobel pode parecer um pouco prematuro. A não ser que se queira premiar a quebra espontânea de simetria nos casos em que esta é realmente verificada: em simetrias globais (que não são de gauge), aproximadas. Mas aí é também, naturalmente, um fenómeno aproximado. Se for este o caso (presumo que sim) parece-me óptimo, com dois reparos importantes.
É injusto premiar Nambu e não premiar Goldstone, que previu as partículas sem massa que se formam nesta situação (os justamente chamados bosões de Nambu-Goldstone, e que nas situações aproximadas de que eu falei correspondem a partículas de massa muito pequena, os piões). É portanto a segunda grande injustiça que se comete com este Nobel (em conjunto com Cabibbo). Este Nobel deveria, portanto, ter sido dividido em dois, um agora e outro noutro ano (até pela diferença nos temas).
Ao antecipar-se a atribuição deste prémio, está-se a reconhecer a importância desta ideia, mesmo que ela não se venha a verificar em toda a sua plenitude. Tal facto abre um precedente na história do Nobel da Física, e poderá dar origem a que venham a ser atribuídos prémios a ideias com origem nas teorias de supercordas (mesmo que estas não se venham a confirmar) e que tiveram aplicações para além destas teorias. Há vários exemplos: diversos tipos de dualidades, a holografia, a correspondência AdS/CFT... Nem de propósito, Nambu foi um dos grandes percursores da teoria de cordas (com a acção de Nambu-Goto). É o segundo prémio Nobel dado a um físico que trabalha ou trabalhou em teorias de cordas (depois de David Gross em 2004). A quem critica a teoria de cordas por criticar muitas vezes faria bem estudá-la um pouco...

Para ler mais: The Reference Frame e Cosmic Variance (aqui e aqui).

2008/10/09

O Nobel de Kobayashi e Maskawa

Cada um dos galardoados com o Prémio Nobel da Física em 2008 merece por si este reconhecimento. Dito isto, é bastante discutível a forma como foram agrupados. Uma das formas de ver isto, mesmo para um leigo, consiste em notar como o anúncio do prémio de Nambu aparece separado do de Kobayashi e Maskawa. São dois prémios de física teórica de partículas, particularmente do conhecido modelo padrão das interacções electrofracas. Mas pouco mais têm em comum.
Claro que Kobayashi e Maskawa tinham que receber o prémio juntos, mas estranha-se este não ter sido atribuído igualmente ao italiano Nicola Cabibbo. A descoberta destes cientistas é a universalidade das interacções nucleares fracas, generalizando-as para os casos em que há mais do que uma família de quarks. Kobayashi e Maskawa estabeleceram o resultado (através de uma matriz de massa, cujos vectores próprios são os estados físicos) na forma final, com três famílias de quarks. O trabalho de Cabibbo é anterior, e aplica-se somente a duas famílias. A matriz de massa escrita por Cabibbo só tem assim um parâmetro (o ângulo de Cabibbo) - actua num espaço bidimensional, das duas famílias de quarks, mudando-as de base. Mas a ideia física básica, a universalidade, está lá. Kobayashi e Maskawa introduziram (naquele que é o terceiro artigo mais citado da história da física) uma matriz para três famílias, contendo mais parâmetros que por sua vez dão origem ao fenómeno da violação de CP (cuja descoberta experimental foi premiada com o prémio Nobel em 1980, e que deverá estar na origem da assimetria bariónica do universo), e que não seria possível somente com duas famílias. Esta matriz chama-se CKM (Cabibbo-Kobayashi-Maskawa), ilustrando bem o facto de ser uma generalização (fisicamente mais rica, é verdade) do trabalho original de Cabibbo. Por isso mesmo considero uma injustiça que este prémio Nobel não seja partilhado igualmente entre os três autores da matriz CKM (que vai continuar a ser conhecida assim, apesar de só dois deles terem sido galardoados). Isto não quer dizer de maneira nenhuma que eu considere que Nambu não merece um prémio Nobel. Mas isso discutirei noutro texto.

2008/10/08

Da tradução para o acordo ortográfico

Não sei se seria essa a intenção original do autor, mas como comentário (assinado por "Antónimo") a este texto da Fernanda Câncio encontra-se um excelente argumento a favor do acordo ortográfico da língua portuguesa. Passo a transcrevê-lo (ligeiramente adaptado para este contexto):
Embora as editoras mais do que abusem (por exemplo, é raro pagarem direitos de autor - só o fazem a consagrados -, escondem as vendas a sete chaves e os livros que saem aí com jornais e revistas - tiragens de 30 mil exemplares - têm um custo de produção de 90 cêntimos) é um bocado complicado os livros em português ficarem ao preço de um da Penguin, não é?
Uma Guerra e Paz da Penguin, em inglês tem centenas de milhões de leitores. Até podiam dar os livros que não se sentia. Não há direitos de autor e imagino que as traduções foram pagas há décadas. Se os nossos leitores ainda preferem ir comprá-los em vez dos desgraçados três mil exemplares que a exemplar tradução portuguesa não esgota, mesmo se publicada desde 2005, a coisa piora.
No fundo, paga 15 euros por uma coisa que não custou nada a produzir em vez de pagar 60 euros por algo que custou consideravelmente mais.

Pois é, Fernanda, o que falta para termos livros baratos em português é um verdadeiro mercado global do livro em língua portuguesa!

(Já agora: à entrada da livraria do Instituto Superior Técnico está um anúncio desta editora onde ela se gaba de publicar "autores nacionais", e recomenda aos estudantes que escolham os livros por ela publicados em detrimento das "traduções brasileiras" (inclui mesmo a frase "Não estudes por traduções brasileiras!"). Esta editora tem desenvolvido um trabalho meritório na publicação de bons livros técnicos de autores portugueses. Mas precisava de os "promover" utilizando um "argumento" tão mesquinho e rasteiro?)

2008/10/07

Prognósticos só no fim do campeonato (que vai ser longo)

Mas, face a isto (Paulo "Peseiro" Bento? Ninguém merece tal comparação), só me resta reafirmar isto e isto. No fim a gente fala.

2008/10/06

Será estado de negação?

Em uma semana o Sporting perdeu (bem em ambos os casos) com os seus dois principais adversários na corrida ao título de campeão. Eu continuo a achar que foram dois acidentes de percurso. Que o Sporting tem a melhor equipa, o melhor treinador e uma grande possibilidade de ser campeão. Assim regressem os lesionados.

2008/10/03

Deolinda

Uma semana depois do Arraial do Caloiro, foi isto que "ficou no ouvido", Musicalmente, o arraial valeu a pena sobretudo por este grupo de Lisboa.

2008/10/02

Na segunda fase do metro do Porto

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, queria uma linha a percorrer a avenida da Boavista. Mas o governo central não lhe fez a vontade, e avança antes com uma linha a percorrer a rua do Campo Alegre. Seguiu o parecer da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que afirma que esta opção trará mais utentes. E contrariou a câmara. Um exemplo para os defensores da regionalização. Deve ser por isso que aqui ainda não se escreveu uma linha sobre este assunto.

2008/10/01

Após o arraial do caloiro no Técnico

É claro que o presidente do IST, Carlos Matos Ferreira, ao proibir as praxes, tinha que fazer alguma concessão aos alunos. E essa concessão foi realizar o arraial do caloiro no campus do Técnico. Ficámos melhor assim. Para não haver praxes humilhantes (e este ano eu não as vi) poderia haver um arraial no campus do Técnico por semana. Todas as boas universidades têm festas no campus.
Só quem não tem ideia do que é ouvir boa música, beber e conviver com amigos e de repente olhar para trás e ver que tudo aquilo se passa naquela mesma alameda onde se passa todos os dias (e nem se olha bem para ela) é que pode criticar a presença do arraial na Alameda. E mirar as torres e os feios pavilhões desenhados pelo Pardal Monteiro? Vê-se o Técnico de outra forma completamente diferente através do arraial. E é importante que se veja. Durante o semestre o Técnico pode tornar-se um local deprimente. A recordação do momento daquele arraial durante o semestre é importante. Tal como é importante que o arraial se realize no Técnico mesmo e não em sítios que só alguns lisboetas conhecem e que caloiros com 18 anos (e mesmo alunos mais velhos)não conhecem. Atrai muito mais gente. E ainda bem que é assim.