2008/05/30

O meu presidente

Não merece causar a celeuma que causou, mas hoje em dia tudo o que seja para atacar o governo tem honras de primeira página. Mesmo que não seja essa a intenção principal.
Refiro-me ao artigo de terça feira de Mario Soares no DN, que é um portento. Façam favor de o ler. Mário Soares continua a valer mais que qualquer convergência de esquerdas burguesas.

2008/05/29

Google takes on Portuguese, and wins

Um belo texto sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no Times de Londres. Curiosamente, via o blogue que mais se tem oposto a este acordo, o De Rerum Natura.

2008/05/27

O previsível CAA

Havia boas razões para apoiar quer o Chelsea quer o Manchester United na final da Liga dos Campeões. Eu fiquei contente pela vitória do Manchester, que queria que ganhasse. Porque o contrário era uma derrota do Mourinho (e eu gosto do Mourinho). E, sobretudo, pelo Cristiano Ronaldo.
Como era de se esperar, o Carlos Abreu Amorim estava pelo Chelsea. Não pelo Ricardo Carvalho nem pelo Paulo Ferreira, nem pelo Drogba ou pelo Ballack: seguramente, pelas origens do treinador Avram Grant.
Ah, como eu tenho pena que o Avram Grant não vá para treinador do Benfica, como se chegou a falar! Lá teríamos o CAA no Estádio da Luz, de kippah vermelha, a torcer pelo Benfica.

2008/05/26

Um governo de esquerda

“A igualdade é o valor mais nobre da democracia”, declarou a nova ministra da Igualdade de Espanha, a andaluza Bibiana Aído, no seu discurso de posse. (Via Corta-Fitas.)

2008/05/23

Dez anos de Expo 98


Só quem não viu a montra de uma agência de viagens de uma pequena cidade de Long Island, no estado de Nova Iorque (sem nenhuma comunidade portuguesa ao lado), com referências e anúncios exclusivos a Portugal (não só Lisboa e a Expo), com um "Gil" gigantesco por trás, poderá pôr em causa a importância que a Expo teve para a promoção do país.

2008/05/21

As conferências do divã



São em torno do livro A Globalização no Divã. Alguns dos autores deste livro são daqui, outros daqui, e ainda este. Hoje é a primeira conferência, Ciência e sociedade num mundo globalizado. Às 18 horas na Livraria Pó dos Livros, em Lisboa. Uma co-organização do Le Monde Diplomatique (em cuja página pode ser visto o programa todo). Eu serei um dos intervenientes. Apareçam!

2008/05/20

Um físico na prisão de Estaline

Saiu mais uma edição da Gazeta de Física. O meu objectivo não é fazer aqui publicidade (mas comprem! Leiam! Divulguem!). O meu objectivo é chamar a atenção para o artigo de Carlos Fiolhais lá publicado sobre Lev Landau, para ser lido em conjunto com este meu texto.

2008/05/19

Tudo no seu lugar



FC Porto campeão, Sporting vice campeão, vencedor da Taça de Portugal e apurado para a Liga dos Campeões: tudo no seu devido lugar. Tudo como já é hábito. Tudo como é justo que seja.
Esperemos que para o ano nem tudo seja assim, para que algo continue a ser assim. Espero que o Sporting continue a vencer a Taça e mantenha o apuramento directo para a Liga dos Campeões. Acredito que é possível, se os reforços previstos se concretizarem e se não houver venda de jogadores.
Os números não enganam: desde 1974 que o Sporting não ganhava troféus importantes em dois anos seguidos (campeonatos e taças). Desde 1971 que não ficava acima do terceiro lugar por dois anos seguidos (este resultado foi igualado o ano passado). Desde a década de 50 que não ficava acima do terceiro lugar por três anos seguidos.
Mas os números também não enganam: não fossem as penalizações do apito Dourado e o Sporting acabava o campeonato a 20 pontos do FC Porto que nem sequer foi um supercampeão. O ano que vem tem que ser melhor. Com o mesmo treinador e uma melhor equipa.

Diz antes: deveriam chamar-se "livres à Inácio"?

Nos comentários do Sporting-Porto, na SIC, em directo, Augusto Inácio, após a marcação de um livre contra o FC Porto por Miguel Veloso:
Toda a gente chama a estes livres "livres à Camacho", mas na verdade eles foram introduzidos por André Cruz e César Prates.

2008/05/16

Ir às fontes

Das origens da palavra "betinho" (uma novela brasileira, pois claro), do seu significado e da sua aplicação em diferentes contextos (a propósito do recente dicionário dos utilizadores de drogas) hoje, no Cinco Dias. Mete Chico Buarque.

2008/05/15

Bar des sciences


Debate entre Peter Stilwell e Clara Pinto Correia, hoje à tarde no Instituto Franco-Português em Lisboa.

2008/05/14

"Nunca haverá uma solução militar"

Via Esquerda Republicana, cheguei a um artigo do maestro israelo-argentino Daniel Baremboim a propósito dos 60 anos de Israel no El País. Um extracto:
En la actualidad, muchos israelíes no tienen ni idea de lo que sienten los palestinos, de cómo es la vida en una ciudad como Nablus, una prisión con 180.000 reclusos en la que no hay ni restaurantes, ni cafés ni cines. ¿Qué ha ocurrido con la famosa inteligencia judía? Ni siquiera estoy hablando de justicia o de amor. ¿Por qué se continúa alimentando el odio en la franja de Gaza? Nunca podrá haber una solución militar, porque dos pueblos luchan por una sola tierra. Por fuerte que sea Israel, siempre sufrirá inseguridad y miedo. El conflicto se devora a sí mismo y al alma judía, y siempre se le ha permitido que lo haga. Quisimos hacernos con tierras que nunca pertenecieron a los judíos y construir en ellas asentamientos. En ese hecho, los palestinos ven, y con razón, una provocación imperialista. Su resistencia, su no, es absolutamente comprensible, pero no los medios que utilizan para llevarla a cabo, ni tampoco la violencia o la inhumanidad indiscriminada.

Los israelíes debemos finalmente encontrar el valor para no reaccionar ante esa violencia, el valor de ser fieles a nuestra historia. Los palestinos no podían esperar que después del Holocausto nos ocupáramos de alguien que no fuéramos nosotros mismos: teníamos que sobrevivir. Ahora que lo hemos hecho, unos y otros debemos mirar colectivamente hacia delante. Aún no ha nacido el primer ministro israelí capaz de esa empresa. Fundamentalmente, hoy en día no hemos avanzado nada respecto a 1947, cuando las Naciones Unidas votaron la partición de Palestina. Peor aún: en 1947 todavía era posible imaginarse un Estado binacional, pero, 60 años después, parece algo inconcebible. Hoy en día, los israelíes, al referirse a una solución basada en la existencia de dos Estados, hablan de separación, de divorcio: ¡qué cinismo! Normalmente, los divorcios afectan a personas que en su día se quisieron... (...) Hace años que no vivo en Israel y soy muy consciente de que mi perspectiva es la de un forastero. A veces, la gente me pregunta "¿qué es un judío?". La respuesta es la siguiente: un judío que tiene experiencias antisemitas en el Berlín de 2008 es diferente al que las tenía en 1940. El de 1940 se sentía amenazado; el de la actualidad puede pensar en su propia tierra, en Israel. Hoy en día puedo decirle al antisemita que "o bien aprendes a vivir conmigo o podemos seguir cada uno nuestro camino. Y punto", y esto supone una diferencia fundamental. A medio plazo, soy pesimista respecto a Oriente Próximo, pero a largo plazo soy optimista. O encontramos una forma de vivir con el otro o nos matamos.

As saudades que eu já tinha deste homem

Que bom foi vê-lo no "Prós e Contras" a demonstrar o que é o "sistema"! Mas, sobretudo, que bom foi vê-lo, no mesmo programa, a responder a Miguel Beleza enunciando-lhe os males do capitalismo desenfreado, da presente globalização e do ultraliberalismo, e o estado a que tais práticas conduziram a economia mundial! Digam lá se eu não tinha razão - que belo presidente da República ele daria! Melhor do que presidente do Sporting.

Bem vindo de volta a casa, Roca!

Aeroporto de Lisboa, zona de embarques, Janeiro de 2006

Agora só faltam o Caneira, o Hugo Viana... e o Ricardo (este último é um sonho).
E farto-me de rir com as críticas do costume ao Roca, e ao "fracasso" que constituiu a sua passagem por Inglaterra. Mas o Fábio tem alguma coisa a provar em Portugal? E quando - digam-me um só -, quando é que um jogador brasileiro teve sucesso no campeonato inglês? No espanhol, no italiano, ou pelo menos no francês ou no alemão. Agora no inglês? A ida do Rochemback para Inglaterra foi um grande rro, que finalmente foi agora corrigido. Há quase três anos que esperávamos por este dia. Bem vindo de volta a casa!

2008/05/12

2008/05/10

O provincianismo da praxe

Em tempos de semanas académicas, "Queima das Fitas" (ou é bênção? Nunca percebi), vale a pena ler o texto "E eles, pimba!" de Carlos Fiolhais e os respectivos comentários (incluindo o do João André), que têm a ver com os assuntos destes meus dois textos, a propósito deste outro.

2008/05/08

Luzes e sombras de Israel

Luces y sombras de Israel
Por MARIO VARGAS LLOSA

Si el conflicto palestino israelí no existiera, o hubiera sido ya resuelto de manera definitiva, el mundo entero vería en Israel uno de los éxitos más notables de la historia contemporánea: un país que en poco más de medio siglo -nació como Estado en 1948- consigue pasar del tercer al primer mundo, se convierte en una nación próspera y moderna, integra en su seno a inmigrantes procedentes de todas las razas y culturas -aunque, por lo menos en apariencia, de una misma religión-, resucita como idioma nacional una lengua muerta, el hebreo, y la vivifica y moderniza, alcanza altísimos niveles de desarrollo tecnológico y científico, y se dota de armas atómicas y de un ejército equipado con la infraestructura más avanzada en materia bélica y capaz de poner en pie de guerra en brevísimo plazo a un millón de combatientes (la quinta parte de su población).

Este logro es todavía más significativo si se tiene en cuenta que la Palestina donde llegaron los primeros sionistas procedentes de Europa, en 1909, era la más miserable provincia del imperio otomano, un páramo de desiertos pedregosos convertido ahora, gracias al trabajo y al sacrificio de muchas generaciones, en poco menos que un vergel. Es verdad que Israel ha contado con una generosa ayuda exterior, procedente principalmente de Estados Unidos, del que recibe anualmente cerca de tres mil millones de dólares, y de la diáspora judía, un factor que hay que tener en cuenta, pero que de ninguna manera explica por sí solo la impresionante transformación de Israel en uno de los países más desarrollados y de más altos niveles de vida del mundo. Por ejemplo, Egipto recibe una ayuda más o menos equivalente de Estados Unidos y nadie diría que le ha sacado el menor provecho para el conjunto de su población. Y los grandes países productores de petróleo, como Venezuela o Arabia Saudí, sobre quienes el oro negro hace llover desde hace muchos años una vertiginosa hemorragia de dólares, siguen, debido a la ineficiencia, el despotismo y la cancerosa corrupción de sus gobiernos, profundamente enraizados en el subdesarrollo. Ninguno de ellos ha aprovechado de sus recursos y de las oportunidades creadas por la globalización como Israel.

Es verdad que, en los últimos años, a medida que, gracias a su despegue industrial, sobre todo en el campo de las nuevas tecnologías, el crecimiento económico israelí se disparaba y el país dejaba de ser rural y se volvía urbano, la sociedad más o menos igualitaria y solidaria con la que soñaban las primeras generaciones de sionistas, y de la que todavía era posible encontrar huellas en el Israel que yo conocí hace treinta años, iba siendo reemplazada por otra, mucho más dividida y antagónica, donde las distancias entre los sectores más ricos y los más pobres aumentaban de manera dramática y el idealismo de los pioneros y fundadores de Israel iba siendo reemplazado por el egoísmo individualista y el materialismo generalizado que es rasgo universal de todas las grandes sociedades contemporáneas.

Israel se jacta de haber cumplido esta veloz trayectoria histórica hacia el bienestar dentro de la legalidad y la libertad, respetando los valores y principios de la cultura democrática, algo que ha brillado y sigue brillando por su ausencia en todo el Medio Oriente. Ésta es una verdad relativa, que exige importantes matizaciones. Israel es una democracia en el sentido cabal de la palabra para todos los ciudadanos judíos israelíes quienes viven, en efecto, dentro de un Estado de Derecho, que respeta los derechos humanos, garantiza la libertad de expresión y de crítica, y en la que quien siente vulnerados sus derechos puede recurrir a unos jueces y tribunales que funcionan con independencia y eficiencia. He estado cinco veces en Israel, a lo largo de tres décadas, y siempre me ha impresionado la energía y la firmeza con que se practica allí la crítica, y la diversidad de opiniones en los periódicos y revistas publicados allí en lenguas a mi alcance, en debates y discusiones o pronunciamientos públicos de partidos, instituciones o figuras individuales formadoras de opinión. No creo exagerado afirmar que probablemente en ninguna otra sociedad se critica de manera tan constante, y a veces tan acerba, a los gobiernos de Israel como entre los propios israelíes.

Estas excelentes costumbres democráticas se reducen considerablemente, y a veces desaparecen por completo, cuando se trata del millón y pico de árabes israelíes -musulmanes en su gran mayoría y una minoría cristiana- que constituyen aproximadamente el 20 por ciento de la población. En teoría son ciudadanos a carta cabal, con los mismos derechos y deberes que los judíos. Pero, en la práctica no lo son, sino ciudadanos discriminados, para los que no existen las mismas oportunidades de que gozan aquellos y que tienen tanto los accesos a los servicios públicos -educación, salud- como al empleo, la adquisición de propiedades, o el simple movimiento físico, mediatizados, recortados o suprimidos con el argumento de que estas cortapisas y limitaciones son indispensables para la seguridad de Israel.

Pero los ciudadanos árabes israelíes, pese a todo ello, viven en condiciones envidiables si se compara su caso con el de los millones de palestinos del West Bank y, hasta ayer, de la Franja de Gaza, es decir los territorios que Israel ocupó en 1967, luego de la Guerra de los Seis días, en que derrotó a los Ejércitos de Siria, Jordania y Egipto. (El West Bank estaba entonces bajo el dominio jordano y Gaza bajo el egipcio). Esta victoria, de la que la gran mayoría de los israelíes se sienten orgullosos por razones militares y/o religiosas -su pequeño país derrotaba en un cerrar de ojos a una gran coalición militar del mundo árabe y recuperaba para los judíos la totalidad del ámbito de su historia bíblica-, convirtió a Israel en algo que ha sido su pesadilla desde entonces y lo que ha contribuido más que nada a desencadenar la antipatía o la franca hostilidad hacia sus gobiernos de una buena parte de la opinión pública internacional: en un país colonial. Y nada corrompe tanto a una nación, desde los puntos de vista cívico y moral, como volverse una potencia colonizadora. Coincidiendo con aquella conflagración de 1967, el general de Gaulle hizo entonces una descripción de los israelíes que generó una gran polémica (y mereció, entre otras muchas, la respuesta encendida de Raymond Aron). Los llamó "pueblo de elite, seguro de sí mismo y dominador". No estoy seguro de que entonces fuera cierto; pero sí lo estoy de que, de entonces a ahora, insensiblemente, y debido a la conquista de aquellos territorios así como a su enriquecimiento y poderío, Israel se ha ido acercando a lo que, cuando fue lanzada, nos pareció a muchos una injusta y exagerada descripción.En lo que concierne a su relación con los palestinos, todas son sombras que maculan moralmente el formidable progreso material y social de Israel. En los 38 años de ocupación, los palestinos han visto sus tierras expropiadas e invadidas por cientos de miles de colonos que, casi siempre alegando los derechos divinos, se posesionaban de un lugar y de unos campos, los cercaban y venía luego el Ejército a proteger su seguridad y a consumar el despojo, manteniendo a raya o expulsando a los despojados. Pese a las duras rivalidades que las enfrentan, tanto la izquierda como la derecha israelí, han coincidido en esta política de apoyar la multiplicación y el ensanchamiento de los asentamientos por colonos convencidos de que, actuando de este modo, cumplían la voluntad de Dios. Este proceder abusivo ha sido el mayor obstáculo para un acuerdo de paz, pues, a la vez que, de palabra, los gobiernos israelíes decían siempre desearla, en la práctica la desmentían con una política que a ojos vista iba aumentando y refrendando la ocupación colonial.

No hay duda alguna de que, debido a sus enormes divisiones políticas internas, a la práctica del terrorismo, a la ineficiencia y torpeza de sus líderes, los palestinos han defendido muy mal su causa, desaprovechando a veces oportunidades como la que, a mi juicio -el tema es objeto de tremendas controversias en Israel y en Palestina- representaron las negociaciones de Camp David y de Taba en el año 2000, en los finales del gobierno laborista de Ehud Barak. Pero, aun así, y sin que ello signifique la menor justificación del salvajismo irracional de los atentados contra la población civil y de las bombas de los suicidas palestinos -voladura de autobuses, restaurantes, cafés, discotecas, tiendas-, los atropellos cometidos por el Gobierno israelí contra la población palestina en general -puniciones colectivas, demoliciones de casas, asesinato de líderes terroristas aunque para ello sea inevitable que mueran civiles inocentes, detenciones arbitrarias, torturas indiscriminadas, juicios de caricatura en que los jueces condenan a los acusados a largas penas sin que los abogados defensores puedan siquiera conocer el acta de acusación, que se mantiene secreta por razones de inteligencia militar, etcétera- son injustificables e indignas de un país civilizado.

Después del fracaso de los acuerdos de Oslo, que habían despertado tanta euforia en todo el mundo y en especial en Israel -yo estuve allí por aquellos días y viví ese entusiasmo-, y luego de la subida al poder de Ariel Sharon, bestia negra de los pacifistas y de todos los partidos moderados del país, las esperanzas de paz parecían enterradas por un buen tiempo. Nadie había promovido tanto como aquél la política de los asentamientos de colonos en los territorios ocupados ni nadie había saboteado con tanta vehemencia todos los intentos de solución negociada del conflicto -desde Oslo a Camp David y Taba- como el líder del Likud. ¿Quién hubiera dicho que la misma persona que dirigió la invasión militar de Líbano, que estuvo implicada en las matanzas de refugiados palestinos de Sabra y Shatila y que con su paseo provocador por la Plaza de las Mezquitas contribuyó a desatar la segunda Intifada y a frustrar los acuerdos de paz de Oslo, iba pocos años después, de manera unilateral, a cerrar los 21 asentamientos coloniales de la Franja de Gaza y a devolver esta tierra arrebatada al pueblo palestino?

¿Qué ha habido detrás de esta audaz iniciativa? ¿Una concesión táctica, para distraer la atención internacional mientras Israel acentúa la política de apropiación de las tierras del West Bank? ¿O un intento serio de mostrar al mundo la voluntad de Israel de poner de una vez por todas un fin razonable a este conflicto? ¿Qué piensan de ello los israelíes y los palestinos? Para tratar de averiguarlo, acabo de pasar quince días en Israel y en los territorios ocupados, hablando con gente de toda condición e ideología, viendo y oyendo lo más que podía y tratando de sobrevivir al calor, la intensidad de las vivencias y la fatiga. Porque en Israel y en Palestina se vive más que en otras partes y el tiempo parece durar allá menos que en el resto del mundo. Acaso esa sea la razón por la que tres de las cuatro grandes religiones de la historia de la humanidad tengan allí sus raíces y por la que ese puñado de kilómetros cuadrados haya hecho correr desde hace cuatro milenios más sangre y locura que cualquier otra región del mundo.

(Original no El Pais, 18/09/2005, na sequência de uma visita do autor e da filha a Israel)

2008/05/07

Santa Apolónia e a crise alimentar

Imperdível o artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso desta semana.

Acompanhado pelo seu incontornável ministro dos Gastos Públicos, Mário Lino, José Sócrates anunciou mais uma "obra estruturante" para o país: investir cerca de duzentos milhões de euros do Estado para multiplicar por quatro a área do terminal marítimo de contentores de Alcântara, no coração de Lisboa. A obra é um velho sonho do Porto de Lisboa - tapar o rio com contentores ou o que seja para que os lisboetas desfrutem dele o menos possível. E é também um velho sonho da empresa que detém, por concessão, o monopólio do negócio dos contentores no porto de Lisboa: a Liscont, pertencente à Mota-Engil (sim, a de Jorge Coelho). Para servir os interesses da empresa, o Estado vai então gastar dinheiro a dragar o rio e a enterrar o comboio e redesenhar os acessos rodoviários à zona, porque não é brincadeira fazer escoar milhares de contentores diariamente do centro da cidade. Oferece-lhe ainda uma área de luxo para desfrute em exclusivo e a histórica Gare Marítima de Alcântara, com os painéis de Almada, por onde gerações de portugueses partiram para a emigração ou para a Guerra de África e gerações de turistas desembarcaram em busca da cidade debruçada sobre o rio. Mas a Liscont também investe a sua parte: 227 milhões. Condoído do seu esforço, porém, o Governo compensa-a por esse magnânimo gesto, prorrogando-lhe por mais vinte e sete anos, até 2042, o monopólio que detém e que expirava dentro de sete anos.
Portanto, saem dali os paquetes de passageiros que, desde que me lembro, desde que o meu avô me levava a vê-los em criança e eu aos meus filhos, era a única coisa de interesse em Alcântara e uma das coisas que faziam de Lisboa uma cidade diferente. E para onde vão? Vão para onde deviam ir os contentores: para uma extrema da cidade e da frente de rio, para Santa Apolónia. Parece-vos absurdo que se lembrem de pôr os turistas a desembarcar numa ponta desabitada da cidade e os contentores a desembarcarem nas Docas, junto aos Jerónimos e à Torre de Belém? Não, não é absurdo: faz parte de um plano maquiavélico do Porto de Lisboa (mais um), arquitectado passo a passo. Com o abandono da Doca de Passageiros de Alcântara e a sua transferência para Santa Apolónia, onde nenhuma infra-estrutura existe para os acolher, o Porto de Lisboa tem assim uma excelente oportunidade para lançar mãos àquilo de que mais gosta: a construção e especulação imobiliária à beira-rio. A APL propõe-se construir um contínuo de edifícios em Santa Apolónia ocupando uma frente de rio de 600 metros para o novo terminal de passageiros (até se prevê a construção de um hotel, partindo do raciocínio lógico que os turistas, uma vez acostados ao cais, abandonarão os seus camarotes já pagos a bordo para se irem instalar no hotel em frente ao navio...). De modo que, de um só golpe e com a habitual justificação do interesse público para enganar tolos, os engenheiros que nos governam acabam de roubar mais um bom pedaço de rio a Lisboa: 600 metros em Santa Apolónia e outros tantos em Alcântara. Chama-se a isto uma expropriação pública em benefício de interesses particulares.

E, como de costume, quando se trata de dispor da cidade e do rio, com pontes ou terminais de contentores, é Sócrates e a sua equipa do Ministério das Obras Inúteis quem faz a festa e lança os foguetes. Se é que Lisboa tem um presidente de Câmara, mais uma vez ninguém o viu nem ouviu.

À falta de outros interessados no assunto e face à suprema nulidade política dos governantes do mundo desenvolvido, é a ONU apenas que parece preocupada com a escalada avassaladora do preço dos alimentos, a acrescentar à da energia. Entregues a si próprios, os mercados e os governos reagem de acordo com a lei do salve-se quem puder, dando um lindo exemplo prático das delícias da globalização: os países exportadores de alimentos fecham as portas de saída para evitar problemas políticos internos; os países exportadores de petróleo recusam-se a intervir no mercado para fazer estancar a subida do crude, empolada artificialmente; e os que não têm petróleo, como a Itália e a Inglaterra, regressam em força ao carvão e que se lixe o aquecimento global, com o incremento da mais poluidora fonte de energia. Assim entramos numa espiral de loucos: a alta do preço do petróleo faz subir o preço dos alimentos e o preço destes o do petróleo; os especuladores da finança e do imobiliário, cuja ganância mergulhou a economia mundial em crise, fogem agora das bolsas para as matérias-primas, como o petróleo, os alimentos e a água, fazendo aumentar ainda mais o seu preço; os países que têm dinheiro mas precisam de energia dedicam-se a comprar terras aos pobres de África e da Ásia para nelas produzir biocombustíveis, a partir dos cereais; menos terras agrícolas, menos comida ainda: aqueles que não têm nem alimentos, nem energia nem terras disponíveis, só podem esperar morrer de inanição - segundo a ONU são trezentos milhões em todo o mundo ameaçados de morrer de fome.

Mas a crise do preço da alimentação é também um momento de ajuste de contas com o passado recente, em países como Portugal. Antes de entrarmos na UE produzíamos mais de metade do que comíamos, tínhamos ainda um mundo rural e agrícola e um país relativamente equilibrado entre o interior e o litoral, a província e as grandes cidades. Mais de duas décadas depois, o que vemos? Produzimos menos de um quarto daquilo que comemos; à força de subsídios, desmantelámos a frota pesqueira e deitámos fora toda uma cultura e saber que demorara gerações infinitas a apurar, passando a importar todo o peixe que vem à mesa; gastámos fortunas a pagar aos agricultores para eles abandonarem os campos ou ficarem sentados a ver em que paravam as modas, sem investir, sem inovar, sem arriscar - até lhes demos uma barragem, a maior da Europa, para eles se distraírem a fazer regadio, já que diziam que as culturas de sequeiro não davam, mas, assim que se viram com a barragem feita, venderam as terras aos espanhóis, agarraram nas mais-valias que os contribuintes lhes tinham facultado e agora só querem regressar ao local do crime para fazer urbanizações turísticas à beira de Alqueva; de caminho, desmantelámos a fileira florestal tradicional, substituindo-a por um oceano de pinheiros e eucaliptos, contribuindo ainda mais para a desertificação e os incêndios de Verão, porque um ex-ministro, hoje muito bem na vida, declarou solenemente que "os eucaliptos são o nosso petróleo verde"; enfim, como resultado último de toda esta clarividência, gastámos os rios de dinheiros europeus que nos poderiam e deveriam ter garantido a solvabilidade e independência económica para sempre, a construir auto-estradas e duas megacidades onde as pontes e os terminais de transportes de toda a ordem nunca são suficientes para acolher o Portugal que fugiu do interior morto.

Demos cabo do país e não foi por falta de avisos nem por particular estupidez dos governantes. Foi, claramente, para servir os interesses particulares que vegetam perpetuamente à sombra do Estado. Essa clique infecta dos falsos empresários e dos traficantes de influências que sugam toda a riqueza do país.

Não me admira nada que até o presidente da Companhia das Lezírias - uma empresa estatal que ocupa as melhores terras agrícolas de Portugal e que o empresário Américo Amorim tentou há tempos privatizar a seu favor - venha dizer que não pode deixar de aproveitar a "oportunidade" do futuro aeroporto de Alcochete para se lançar também na especulação imobiliária em parte dos terrenos que lhe cabe administrar. A bem do "ordenamento do território", é claro. A sua desfaçatez é um exemplo eloquente das razões pelas quais chegámos a este ponto de desesperança. Mas será que o senhor, ao menos, não lê jornais e não sabe que estamos à beira de uma severa crise alimentar? Será que não lhe explicaram que o objectivo da Companhia das Lezírias é a agricultura e não a especulação turística? Ou achará, como o eng.º Sócrates, que, no futuro vamos todos comer betão e jogar golfe?

2008/05/06

O metro mais bem planeado e os autarcas mais inteligentes

Há sessenta anos que há aeroporto na Portela, e há cinquenta que há metropolitano em
Lisboa. Há quantos anos há metro no aeroporto (dentro da cidade)? Ainda não há; estão a construí-lo. Há cinquenta anos que os utentes do Aeroporto de Lisboa poderiam usar o metro para lá chegar – se a estação do aeroporto existisse. Não existe, e os autocarros são escassos e não estão preparados para bagagens – na sua maioria, os utentes têm que ir de carro ou táxi. Parece que a estação de metro finalmente vai ser inaugurada… pela mesma altura em que o aeroporto da Portela supostamente será desactivado.
Não sei há quantos anos existe a estação de comboios de Santa Apolónia, mas foi muito antes de haver metro. Desde que há metro que os utentes da estação de Santa Apolónia poderiam usar o metro para lá chegar – se a estação de Santa Apolónia existisse. Já existe: foi inaugurada há quatro meses. Construí-la foi uma monumental obra pública, que teve seriíssimos problemas durante a sua execução, demorou anos e anos e custou o triplo ou o quádruplo do inicialmente previsto. E quatro meses depois de inaugurada a conclusão de tão longa empreitada, tão trabalhosa, tão cara e tão custosa para os lisboetas, qual é a ideia? Encerrar a estação de Santa Apolónia à actividade ferroviária (e guardá-la para “terminal de cruzeiros” – é bem sabido que quem faz cruzeiros em Portugal anda de metro todos os dias). Digam lá – há coisa mais bem planeada que o metro de Lisboa? Haverá pessoas mais iluminadas que os autarcas de Lisboa?

2008/05/05

Grandes marcas com quanto por cento de desconto?


Anuncia-nos o Continente o vinho tinto regional da Adega Cooperativa de Nelas (colheita normalíssima) a 2,50€, com 50% de desconto em cartão, ou seja, para portadores do cartão “Continente” o referido vinho sai ao módico preço de 1,25€ a garrafa. Aparentemente um grande negócio… não se desse o facto de o preço normal desse mesmo vinho, no Minipreço, ser 1,39€. Então, das duas uma: ou o Continente vende em geral o vinho muito mais caro do que o Minipreço, ou o preço deste vinho foi inflacionado durante esta promoção, de forma a um desconto de 0,14€ ser assim apresentado como de 50%, ou seja, de 1,25€. Este tipo de inflação temporária, de forma a um pequeno desconto ser apresentado como substancial, é prática comum nas grandes superfícies (não só do Continente). A ASAE deveria estar atenta a estes casos. Se o mais importante aqui é a liberdade de o hipermercado fixar os preços do vinho, há que ser consistente com o preço fixo não só durante o período de promoção. Neste caso, haveria que obrigar o Continente a vender aquele vinho ao preço regular de 2,50€ durante um período considerável, digamos seis meses.

2008/05/04

No Dia das Mães

...e em todos os outros ouçamos Chico Buarque. A escolha para hoje: Cuidado com a outra, da autoria de Nélson Cavaquinho e Augusto Tomaz Jr., do álbum Sinal Fechado.

2008/05/02

Proselitismo de 1º de Maio

Em plena Alameda, na concentração da CGTP, resguardados da multidão, cá atrás, dois mórmones perguntam-me, com sotaque americano: "o senhor não quer preencher o nosso questionário?" Bem em frente ao antigo Império, sede da Igreja Universal do Reino de Deus.