2006/08/31

A alcoolemia e a falta de preparação científica

Não posso deixar de assinalar que todo o regabofe à volta das multas para a taxa de alcoolemia “a 0,57 g/l” só revela falta de preparação científica básica (para além do jornalismo que só procura “criar casos”). Com efeito, dadas as condicionantes dos aparelhos usados, só assim se pode garantir que não se está a multar pessoas com uma taxa de alcoolemia de 0,43 g/l. É um princípio básico do direito – só punir quando se tem a certeza da culpabilidade. Mesmo que isso implique não punir alguns prevaricadores com sorte.

Para ler mais: o infalível João Miranda e o Nélson, que diz tudo.

2006/08/30

No chá com a Bomba

Já nada me espanta ou admira na Bomba Inteligente. É um blogue muito lido e muito referido e merece sê-lo, de facto: só na blogosfera é que se vê direita tão desavergonhada, e disso a Charlotte é mesmo um dos melhores exemplos. Eu não leio o referido blogue – o que conheço é de comentários e referências de outros blogues – a Charlotte é sobejamente conhecida por não aceitar comentários no seu blogue, mas ser presença frequente nas caixas de comentários de outros blogues, geralmente para deixar comentários de um nível não muito alto… O que eu não percebo é: se o blogue é tão fraco de ideias como dizem que é, por que razão há tanta gente a perder tempo com o que a senhora escreve? Principalmente malta de esquerda? Por que lhe dão tanta importância? Por que a lincam? Por que não fazem como Vital Moreira, vítima dos ataques mais baixos – não passa cartão, e também não linca? Haverá assim tanta gente interessada em ter os textos do seu blogue publicados pela Oficina do Livro? Este poderá ser o motivo por que tanta gente linca a senhora que, como alguém lhe chamou, é sobretudo uma “relações públicas” da blogosfera (eu diria antes da direita blogosférica). Mas… e estes cavalheiros? Que são amigos de um dos sócios de uma editora chamada “Má Criação” (pessoalmente julgo que um nome mais adequado seria “Mau Feitio”)? Não creio que tenham tantas dificuldades para publicarem, se acaso o entenderem – já têm acesso a uma editora. Mas então por que fará a Bomba Inteligente parte de uma lista tão selecta de blogues lincados? Garanto que não percebo como se fala assim de um blogue que se tem na lista de ligações permanentes. Ó cavalheiros: que falta de chá. Depois admiram-se de a Charlotte não vos convidar para o bridge!

2006/08/29

Uma raridade – uma foto de Grisha Perelman!

É provavelmente a única foto disponível do misantropo matemático russo sem se pagar direitos de autor. Foi tirada na State University of New York, em Stony Brook, durante uma série de conferências sobre o seu trabalho que Perelman deu na Primavera de 2003.
Na altura estudava na mesma universidade e assisti à primeira dessa série de aulas, e a uma aula preliminar que o meu orientador deu sobre as relações entre o trabalho de Perelman e a teoria de supercordas.
Ou seja: estive em frente ao Perelman. Eu e mais umas poucas dezenas de tansos. Ninguém lhe tirou uma fotografia. Perguntei ao meu orientador (que tira fotografias a tudo) se ele não teria uma. Não tinha – “he does not like cameras”. Se soubesse então a dificuldade que seria, anos mais tarde, obter uma foto do senhor, talvez tivesse à socapa tirado eu uma, mesmo sendo com a minha pobre máquina digital pioneira de menos de um milhão de pixeis.

Grisha Perelman, o matemático antivedeta

Adaptação de um artigo do Público de 20 de Agosto de 2006

Ainda não é oficial e nem está confirmado, mas o mais esperado por todos os matemáticos é que na próxima terça-feira seja anunciado o nome de Grigory Perelman como um dos vencedores da Medalha Fields. A atribuição do prémio decorrerá na cerimónia de abertura do Congresso Internacional de Matemática, no Palácio Municipal de Congressos de Madrid, na próxima terça-feira, e será presidida pelo rei Juan Carlos. Só não se sabe se o favorito à vitória estará sequer presente.
Nascido em São Petersburgo em 1966, Perelman começa cedo a revelar um talento excepcional para a Matemática, tendo ganho, ainda na escola secundária, uma medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática de 1982. Depois de se doutorar, na Universidade Estatal de São Petersburgo, Perelman mudou-se para os Estados Unidos da América, tendo sido investigador de pós-doutoramento no Instituto Courant e nas Universidades do Estado de Nova Iorque (Stony Brook) e da Califórnia (Berkeley). Já na altura o seu trabalho era considerado de alto nível. Em 1995 tinha convites de outras universidades americanas como Princeton e Stanford, mas decidiu regressar à sua São Petersburgo e tornar-se membro do Instituto de Matemática Steklov, posição que mantém até hoje.
A sua reputação de cientista isolado começou em 1996, quando recusou um prémio da Sociedade Europeia de Matemática para jovens talentos. Nos anos que se seguiram manteve-se isolado em São Petersburgo, sem publicar nenhum artigo nem contactar com nenhum colega de outra universidade. Muita gente pensou então que Perelman simplesmente abandonara a investigação em Matemática. “Ninguém sabia que ele estava a trabalhar na conjectura de Poincaré”, garante Michael Anderson da Universidade de Stony Brook. Mas em Novembro de 2002 Perelman revelou finalmente aquilo em que andara a trabalhar nos últimos oito anos, quando publicou em www.arxiv.org um “esboço” de uma prova completa. Imediatamente o artigo chamou a atenção nos EUA, tendo o autor sido convidado para dar minicursos em Stony Brook e no Instituto de Tecnologia do Massachussets (MIT) na Primavera de 2003. Nessa altura Perelman publicou mais dois artigos na internet com os pormenores da demonstração. Ainda hoje Perelman não os enviou para publicação em nenhum jornal, e não consta que pretenda fazê-lo.
Em 2000 o Instituto Clay, uma instituição privada de investigação em Matemática, estabeleceu os sete “problemas do milénio”, oferendo pela resolução de cada um deles um prémio de 1 milhão de dólares. A conjectura de Poincaré é um desses problemas. O prémio ainda não lhe foi atribuído; antes, um júri tem de considerar a sua prova oficialmente válida, algo que poderá estar eminente. Mas Perelman já anunciou não estar interessado no dinheiro.
Desde que regressou a São Petersburgo, Peterman não voltou a dar sinal de vida. Nenhum dos e-mails enviados quer a ele quer ao Instituto Steklov teve resposta. Nem mesmo os mais recentes, da organização do Congresso Internacional de Matemática, a convidá-lo para dar uma palestra principal (o que pode ser um sinal de que lhe pretendem mesmo atribuir a Medalha Fields). Na terça-feira acaba-se a expectativa.

(Nota: Como eu aqui anunciei no dia, Perelman faltou à cerimónia e recusou a medalha.)

2006/08/28

Conjectura de Poincaré

Extracto de um artigo do Público de 20 de Agosto de 2006

A conjectura de Poincaré é fundamental na topologia, também chamada “geometria sem pormenores”, o ramo da Matemática que lida com as formas. Assim, em topologia dois objectos são considerados idênticos se puderem ser transformados um no outro sem dobrar ou rasgar, como se fossem feitos com uma massa elástica. Desta forma uma superfície esférica é, para um topólogo, equivalente à superfície de um copo, mas diferente de uma chávena com uma pega. Da mesma forma um toro (“donut”) é equivalente a uma chávena com uma pega, mas diferente de uma chávena com duas pegas. E assim sucessivamente, de forma que qualquer superfície finita com duas dimensões é equivalente a uma superfície esférica com um número finito (que pode ser zero, um, dois…) de pegas (ou “buracos”). Este resultado já era conhecido desde o século XIX.
A classificação de superfícies de dimensão superior (que não podem ser visualizadas em três dimensões) revelou-se bastante mais complicada. Poincaré conjecturou que todas as superfícies finitas de dimensão maior que dois sem nenhum tipo de “buracos” são topologicamente equivalentes a esferas da mesma dimensão, mas não foi capaz de provar. A conjectura de Poincaré já tinha sido provada para esferas de dimensões superiores a 4 por Stephen Smale (Medalha Fields em 1966) e para quatro dimensões por Michael Freedman (Medalha Fields em 1986). Restava somente o caso tridimensional, para o qual o matemático William Thurston, no final dos anos 70, propôs uma generalização. Tal como todas as superfícies fechadas bidimensionais podem ser construídas combinando somente duas formas, a esfera e o toro (a “pega”), também algo semelhante se passaria com as superfícies tridimensionais, que poderiam ser todas construídas a partir não de duas, mas de oito formas fundamentais. Só por ter proposto esta conjectura de geometrização, que automaticamente inclui a conjectura de Poincaré em três dimensões, Thurston, neste momento na Universidade de Cornell, foi igualmente agraciado com a Medalha Fields em 1986.
Richard Hamilton, da Universidade de Columbia, propôs no início dos anos 80 a aplicação ao estudo das formas de superfícies de uma técnica, chamada fluxo de Ricci, baseada nas equações de geometria diferencial como as que se utilizam na Teoria da Relatividade Geral. Este processo transforma uma superfície numa forma mais homogénea, redistribuindo a sua curvatura. Hamilton teve sucesso a aplicar este processo a objectos simples, mas os problemas surgiriam em objectos mais complicados que incluíssem pontos, chamados singularidades, cuja curvatura fosse infinita. Os topólogos poderiam removê-las, mas não havia garantias de que com este processo não se formassem singularidades novas. Seria Perelman a resolver este problema em 2002, ao demonstrar uma série de desigualdades que evidenciam que as singularidades acabam por se transformar todas em esferas ou tubos, num tempo finito após o fluxo de Ricci ter começado. Os topólogos poderiam assim removê-las e levar o fluxo de Ricci até ao fim, revelando a essência topológica dos espaços em questão e demonstrando as conjecturas de Poincaré e Thurston.
O grande entusiasmo causado pela prova de Perelman deve-se nem tanto ao resultado em si, que pelo menos no caso da conjectura de Poincaré era bastante intuitivo e que toda a gente dava como verdadeiro, mas mais ao método usado, tendo-se revelado ligações profundas até então desconhecidas entre diferentes ramos da Matemática.

De regresso

Consulta-se o arxiv, algo negligenciado nos últimos dias, e verifica-se que a Física ainda não acabou.
Entretanto, como é costume, após uma ausência "cai-nos tudo em cima". Por agora deixo-vos com dois textos com uma semana.

2006/08/22

A matéria escura existe!

O Grisha Perelman recusou a Medalha Fields, como era esperado (nem sequer lá apareceu) e entretanto foi descoberta a matéria escura (a melhor explicação que eu li sobre o assunto, e que me foi bastante útil, encontra-se aqui). Como eu disse para colegas da secção política: isto é como se tivesse havido um golpe de estado. Consegui acabar estas matérias (sem falar nas polémicas com a definição de planeta). Não fiz mais nada hoje. E agora vou para férias até domingo. Só então devo voltar a aparecer por aqui. Considerando o ritmo dos últimos dias, espero que nessa altura ainda restem alguma matemática e alguma física para eu falar!

Medalha Fields: conjectura de Poincaré

É hoje atribuída a Medalha Fields, e toda a gente espera que seja à prova da conjectura de Poincaré. No Público de domingo tentei explicar o assunto aos leitores, dentro das possibilidades minhas e do jornal. Fiz o melhor que pude, e é possível que ponha aqui o texto mais tarde. Entretanto vejam por que razões o The New York Times é o melhor jornal do mundo. Apreciem e comparem com o The Guardian, que adora tratar os cientistas como tipos excêntricos e meio malucos, dando sempre a ideia de que só por isso é que vale a pena dar notícias de ciência. E comparem também com o do Le Monde, que intitula "Un génie russe face à une énigme française". A conjectura de Poincaré é "francesa". Lembram-se da história de a ciência não ter nacionalidade? Mesmo assim o Le Monde traz a notícia para a primeira página da edição de domingo. Quando veremos uma notícia destas na primeira página de um jornal em Portugal?
De qualquer maneira, destes jornais o único que explica a conjectura (agora teorema) aos leitores é o The New York Times. E, modéstia à parte, o Público, claro.

Elusive Proof, Elusive Prover: A New Mathematical Mystery
By DENNIS OVERBYE
Grisha Perelman, where are you?

Three years ago, a Russian mathematician by the name of Grigory Perelman, a k a Grisha, in St. Petersburg, announced that he had solved a famous and intractable mathematical problem, known as the Poincaré conjecture, about the nature of space.

After posting a few short papers on the Internet and making a whirlwind lecture tour of the United States, Dr. Perelman disappeared back into the Russian woods in the spring of 2003, leaving the world’s mathematicians to pick up the pieces and decide if he was right.

Now they say they have finished his work, and the evidence is circulating among scholars in the form of three book-length papers with about 1,000 pages of dense mathematics and prose between them.

As a result there is a growing feeling, a cautious optimism that they have finally achieved a landmark not just of mathematics, but of human thought.

“It’s really a great moment in mathematics,” said Bruce Kleiner of Yale, who has spent the last three years helping to explicate Dr. Perelman’s work. “It could have happened 100 years from now, or never.”

In a speech at a conference in Beijing this summer, Shing-Tung Yau of Harvard said the understanding of three-dimensional space brought about by Poincaré’s conjecture could be one of the major pillars of math in the 21st century.

Quoting Poincaré himself, Dr.Yau said, “Thought is only a flash in the middle of a long night, but the flash that means everything.”

But at the moment of his putative triumph, Dr. Perelman is nowhere in sight. He is an odds-on favorite to win a Fields Medal, math’s version of the Nobel Prize, when the International Mathematics Union convenes in Madrid next Tuesday. But there is no indication whether he will show up.

Also left hanging, for now, is $1 million offered by the Clay Mathematics Institute in Cambridge, Mass., for the first published proof of the conjecture, one of seven outstanding questions for which they offered a ransom back at the beginning of the millennium.

“It’s very unusual in math that somebody announces a result this big and leaves it hanging,” said John Morgan of Columbia, one of the scholars who has also been filling in the details of Dr. Perelman’s work.

Mathematicians have been waiting for this result for more than 100 years, ever since the French polymath Henri Poincaré posed the problem in 1904. And they acknowledge that it may be another 100 years before its full implications for math and physics are understood. For now, they say, it is just beautiful, like art or a challenging new opera.

Dr. Morgan said the excitement came not from the final proof of the conjecture, which everybody felt was true, but the method, “finding deep connections between what were unrelated fields of mathematics.”

William Thurston of Cornell, the author of a deeper conjecture that includes Poincaré’s and that is now apparently proved, said, “Math is really about the human mind, about how people can think effectively, and why curiosity is quite a good guide,” explaining that curiosity is tied in some way with intuition.

“You don’t see what you’re seeing until you see it,” Dr. Thurston said, “but when you do see it, it lets you see many other things.”

Depending on who is talking, Poincaré’s conjecture can sound either daunting or deceptively simple. It asserts that if any loop in a certain kind of three-dimensional space can be shrunk to a point without ripping or tearing either the loop or the space, the space is equivalent to a sphere.

The conjecture is fundamental to topology, the branch of math that deals with shapes, sometimes described as geometry without the details. To a topologist, a sphere, a cigar and a rabbit’s head are all the same because they can be deformed into one another. Likewise, a coffee mug and a doughnut are also the same because each has one hole, but they are not equivalent to a sphere.

In effect, what Poincaré suggested was that anything without holes has to be a sphere. The one qualification was that this “anything” had to be what mathematicians call compact, or closed, meaning that it has a finite extent: no matter how far you strike out in one direction or another, you can get only so far away before you start coming back, the way you can never get more than 12,500 miles from home on the Earth.

In the case of two dimensions, like the surface of a sphere or a doughnut, it is easy to see what Poincaré was talking about: imagine a rubber band stretched around an apple or a doughnut; on the apple, the rubber band can be shrunk without limit, but on the doughnut it is stopped by the hole.

With three dimensions, it is harder to discern the overall shape of something; we cannot see where the holes might be. “We can’t draw pictures of 3-D spaces,” Dr. Morgan said, explaining that when we envision the surface of a sphere or an apple, we are really seeing a two-dimensional object embedded in three dimensions. Indeed, astronomers are still arguing about the overall shape of the universe, wondering if its topology resembles a sphere, a bagel or something even more complicated.

Poincaré’s conjecture was subsequently generalized to any number of dimensions, but in fact the three-dimensional version has turned out to be the most difficult of all cases to prove. In 1960 Stephen Smale, now at the Toyota Technological Institute at Chicago, proved that it is true in five or more dimensions and was awarded a Fields Medal. In 1983, Michael Freedman, now at Microsoft, proved that it is true in four dimensions and also won a Fields.

“You get a Fields Medal for just getting close to this conjecture,” Dr. Morgan said.

In the late 1970’s, Dr. Thurston extended Poincaré’s conjecture, showing that it was only a special case of a more powerful and general conjecture about three-dimensional geometry, namely that any space can be decomposed into a few basic shapes.

Mathematicians had known since the time of Georg Friedrich Bernhard Riemann, in the 19th century, that in two dimensions there are only three possible shapes: flat like a sheet of paper, closed like a sphere, or curved uniformly in two opposite directions like a saddle or the flare of a trumpet. Dr. Thurston suggested that eight different shapes could be used to make up any three-dimensional space.

“Thurston’s conjecture almost leads to a list,” Dr. Morgan said. “If it is true,” he added, “Poincaré’s conjecture falls out immediately.” Dr. Thurston won a Fields in 1986.

Topologists have developed an elaborate set of tools to study and dissect shapes, including imaginary cutting and pasting, which they refer to as “surgery,” but they were not getting anywhere for a long time.

In the early 1980’s Richard Hamilton of Columbia suggested a new technique, called the Ricci flow, borrowed from the kind of mathematics that underlies Einstein’s general theory of relativity and string theory, to investigate the shapes of spaces.

Dr. Hamilton’s technique makes use of the fact that for any kind of geometric space there is a formula called the metric, which determines the distance between any pair of nearby points. Applied mathematically to this metric, the Ricci flow acts like heat, flowing through the space in question, smoothing and straightening all its bumps and curves to reveal its essential shape, the way a hair dryer shrink-wraps plastic.

Dr. Hamilton succeeded in showing that certain generally round objects, like a head, would evolve into spheres under this process, but the fates of more complicated objects were problematic. As the Ricci flow progressed, kinks and neck pinches, places of infinite density known as singularities, could appear, pinch off and even shrink away. Topologists could cut them away, but there was no guarantee that new ones would not keep popping up forever.

“All sorts of things can potentially happen in the Ricci flow,” said Robert Greene, a mathematician at the University of California, Los Angeles. Nobody knew what to do with these things, so the result was a logjam.

It was Dr. Perelman who broke the logjam. He was able to show that the singularities were all friendly. They turned into spheres or tubes. Moreover, they did it in a finite time once the Ricci flow started. That meant topologists could, in their fashion, cut them off, and allow the Ricci process to continue to its end, revealing the topologically spherical essence of the space in question, and thus proving the conjectures of both Poincaré and Thurston.

Dr. Perelman’s first paper, promising “a sketch of an eclectic proof,” came as a bolt from the blue when it was posted on the Internet in November 2002. “Nobody knew he was working on the Poincaré conjecture,” said Michael T. Anderson of the State University of New York in Stony Brook.

Dr. Perelman had already established himself as a master of differential geometry, the study of curves and surfaces, which is essential to, among other things, relativity and string theory Born in St. Petersburg in 1966, he distinguished himself as a high school student by winning a gold medal with a perfect score in the International Mathematical Olympiad in 1982. After getting a Ph.D. from St. Petersburg State, he joined the Steklov Institute of Mathematics at St. Petersburg.

In a series of postdoctoral fellowships in the United States in the early 1990’s, Dr. Perelman impressed his colleagues as “a kind of unworldly person,” in the words of Dr. Greene of U.C.L.A. — friendly, but shy and not interested in material wealth.

“He looked like Rasputin, with long hair and fingernails,” Dr. Greene said.

Asked about Dr. Perelman’s pleasures, Dr. Anderson said that he talked a lot about hiking in the woods near St. Petersburg looking for mushrooms.

Dr. Perelman returned to those woods, and the Steklov Institute, in 1995, spurning offers from Stanford and Princeton, among others. In 1996 he added to his legend by turning down a prize for young mathematicians from the European Mathematics Society.

Until his papers on Poincaré started appearing, some friends thought Dr. Perelman had left mathematics. Although they were so technical and abbreviated that few mathematicians could read them, they quickly attracted interest among experts. In the spring of 2003, Dr. Perelman came back to the United States to give a series of lectures at Stony Brook and the Massachusetts Institute of Technology, and also spoke at Columbia, New York University and Princeton.

But once he was back in St. Petersburg, he did not respond to further invitations. The e-mail gradually ceased.

“He came once, he explained things, and that was it,” Dr. Anderson said. “Anything else was superfluous.”

Recently, Dr. Perelman is said to have resigned from Steklov. E-mail messages addressed to him and to the Steklov Institute went unanswered.

In his absence, others have taken the lead in trying to verify and disseminate his work. Dr. Kleiner of Yale and John Lott of the University of Michigan have assembled a monograph annotating and explicating Dr. Perelman’s proof of the two conjectures.

Dr. Morgan of Columbia and Gang Tian of Princeton have followed Dr. Perelman’s prescription to produce a more detailed 473-page step-by-step proof only of Poincaré’s Conjecture. “Perelman did all the work,” Dr. Morgan said. “This is just explaining it.”

Both works were supported by the Clay institute, which has posted them on its Web site, claymath.org. Meanwhile, Huai-Dong Cao of Lehigh University and Xi-Ping Zhu of Zhongshan University in Guangzhou, China, have published their own 318-page proof of both conjectures in The Asian Journal of Mathematics (www.ims.cuhk.edu.hk/).

Although these works were all hammered out in the midst of discussion and argument by experts, in workshops and lectures, they are about to receive even stricter scrutiny and perhaps crossfire. “Caution is appropriate,” said Dr. Kleiner, because the Poincaré conjecture is not just famous, but important.

James Carlson, president of the Clay Institute, said the appearance of these papers had started the clock ticking on a two-year waiting period mandated by the rules of the Clay Millennium Prize. After two years, he said, a committee will be appointed to recommend a winner or winners if it decides the proof has stood the test of time.

“There is nothing in the rules to prevent Perelman from receiving all or part of the prize,” Dr. Carlson said, saying that Dr. Perelman and Dr. Hamilton had obviously made the main contributions to the proof.

In a lecture at M.I.T. in 2003, Dr. Perelman described himself “in a way” as Dr. Hamilton’s disciple, although they had never worked together. Dr. Hamilton, who got his Ph.D. from Princeton in 1966, is too old to win the Fields medal, which is given only up to the age of 40, but he is slated to give the major address about the Poincaré conjecture in Madrid next week. He did not respond to requests for an interview.

Allowing that Dr. Perelman, should he win the Clay Prize, might refuse the honor, Dr. Carlson said the institute could decide instead to use award money to support Russian mathematicians, the Steklov Institute or even the Math Olympiad.

Dr. Anderson said that to some extent the new round of papers already represented a kind of peer review of Dr. Perelman’s work. “All these together make the case pretty clear,” he said. “The community accepts the validity of his work. It’s commendable that the community has gotten together.”

2006/08/21

Parabéns, Bill Clinton


Já este ano George W. Bush fizera 60 anos, e o impacto mediático foi incomparavelmente menor. O mundo sabe reconhecer como era muito mais seguro quando a nação mais poderosa estava sob a liderança deste rapaz pobre do Arkansas. Aquele a quem Toni Morrisson chamou "o primeiro presidente preto". O primeiro presidente pop. Embora atrasados, desejo dar ao (espero eu) futuro Secretário Geral da ONU os meus sinceros parabéns.

Marcelo Caetano

«Recebido "cortesmente" por um general à paisana, Marcelo assistiu inerme à passividade da GNR, enquanto o MFA tomava conta de Lisboa e o povo vinha espontaneamente para a rua. Chamou o ministro do Interior, César Moreira Baptista. Pediu pateticamente à Legião que combatesse. Tentou encontrar, e não encontrou, o Presidente da República. E, no fim, quando milhares de manifestantes se juntaram no Largo do Carmo concebeu mesmo o plano de os massacrar, fazendo descer uma unidade da GNR da Pedro V e subir outra do Camões para os "colher entre dois fogos". Lisboa inteira ouviu, em aberto, pela rádio os comandantes da GNR decidirem desobedecer a essa ordem criminosa. Curiosamente, Marcelo continuava no Brasil orgulhoso com a matança inútil que tentara perpetrar, muito indignado com o recuo da Guarda e sem a mais vaga consciência de que escapara por pouco à condenação e infâmia universal. (...)
O secretário de Estado da Informação, que observava no Grémio Literário a agonia do regime, pediu ao chefe de gabinete, Pedro Feytor Pinto, para persuadir Marcelo a negociar com Spínola, o putativo chefe do pronunciamento. Feytor Pinto conseguiu sem dificuldade a concordância de Marcelo. A seguir a uma complicada troca de recados, Marcelo telefonou pessoalmente a Spínola e apresentou a rendição do regime, para o poder "não cair na rua". Spínola, com a autorização do comando do Movimento, que "escutara" a conversa, partiu para o Carmo.
Entretanto, no Carmo, Salgueiro Maia parlamentava com o general comandante da GNR. Informado, Marcelo desconfiou que a GNR se preparava para o abandonar "ingloriamente" ao MFA (e ao povo), uma hipótese que o horrorizava para lá de tudo, e, como presidente do Conselho, exigiu conduzir ele próprio as conversações. Não se enganava. Salgueiro Maia apresentou um ultimato: ou ele, Marcelo, se constituía imediatamente prisioneiro do MFA ou o MFA "arrasava o quartel a tiros de canhão". Marcelo não se impressionou. Com a pose de autoridade que nunca lhe falhava, interrogou Salgueiro Maia, sem qualquer resultado, sobre a chefia do Movimento. No fim, Salgueiro Maia repetiu o ultimato: "arrasava o quartel". "Não arrasa coisa nenhuma", respondeu Marcelo. E comunicou ao capitão que pedira a Spínola para ir ao Carmo e que dentro de meia hora lhe tencionava "transmitir o poder". O capitão que fosse "acalmar" a "populaça" e que "aguardasse". Com uma "continência correcta", Salgueiro Maia obedeceu.
Logo a seguir, no meio de grande entusiasmo, Spínola entrou no quartel e encontrou o presidente do Conselho sentado num sofá, numa "atitude serena e digna". Na sala ao lado, César Moreira Baptista e Rui Patrício pareceriam "desmoralizados". Segundo Marcelo, antes mesmo de o cumprimentar, Spínola desabafou: "A que estado estes gajos [o MFA] deixaram chegar isto!" "Isto" era a multidão do Carmo e o povo na rua. Num livro de memórias (de 1978), Spínola transformou esta frase de general de cavalaria numa declaração histórica: "O estado em que Vossa Excelência me entrega o país." E acrescentou: "É tarde para Vossa Excelência reconhecer a razão que me assistia." Esta pequena diferença, acrimoniosamente discutida no futuro, escondia uma querela maior. Marcelo queria demonstrar a inconsciência de Spínola e a fraca autoridade que ele tinha sobre o MFA. Spínola queria passar a Marcelo a culpa da queda do regime e do desastre de África. De qualquer maneira, no Carmo, Marcelo cortou os devaneios de Spínola. Não era altura de "recriminações". Metido numa "viatura blindada", com Moreira Baptista e Rui Patrício, seguiu para a Pontinha sob os "vitupérios" da multidão. (...)
O próprio Marcelo, já no Brasil, agradeceu a Spínola o relativo privilégio do exílio, longe do PREC e da "festa" da esquerda. Nem Silva Cunha, nem Marcelo perceberam Spínola. Aferrolhados numa cadeia qualquer, a insignificância de Silva Cunha e Moreira Baptista não excitava ninguém em Portugal. Mas na Madeira, em Lisboa ou na Trafaria, Marcelo e Tomás seriam uma provocação constante.
Nenhuma das forças dominantes depois de Abril, e principalmente os militares, queria julgar Marcelo perante a Europa inteira. Lavar a roupa suja da guerra de África e, pior ainda, da "descolonização" que se preparava não convinha a ninguém. Toda a gente preferia não ver e não ouvir e esquecer depressa. Como preferia não falar na colaboração com o antigo regime, que ia de Spínola e do MFA a muita esquerda dura e pura. A presença de Marcelo e Tomás não permitia a grande lavagem e absolvição colectiva em que o PREC e a seguir a democracia assentaram. (...)
Convencido da sua razão e da virtude absoluta do antigo regime, Marcelo não se interessava e quase não comentava o que ia acontecendo em Portugal. Quando deixava cair a sua opinião, era em geral com um desprezo militante e um ressentimento mal escondido. O PREC ainda o "angustiou" e o levou a falar em finis patriae. Mas já não "partilhou" o "optimismo" da emigração política no Brasil com o 25 de Novembro: "Receio que a terapêutica em curso não vá por diante e que dentro de um a dois meses ocorra um novo golpe e de maior violência. Tudo resulta do equívoco que se criou na vida nacional com o 25 de Abril, na onda de falsa liberdade em que uns destroem a pátria e os outros, mesmo quando se opõem, colaboram nessa destruição."
Em Portugal nada podia correr bem, porque, se corresse, ficava em causa a presuntiva excelência da ditadura. Na véspera da primeira eleição para a Assembleia da República, Marcelo escrevia: "Pela via aritmética, clamando que são eleitos pelo voto popular, vemos alçados ao poder analfabetos, traidores e desonestos que conhecemos de longa data. Alguns nem serviam para criados de quarto e chegam a presidentes da câmara, a deputados, a governadores civis e mesmo, quando não querem, a ministros." A democracia portuguesa era necessariamente uma farsa.
E farsantes por definição as personagens que a representavam. Quando Soares foi ao Brasil, Marcelo escreveu: "O tal Soares aqui deu o espectáculo da sua mediocridade, da sua demagogia parva, e andou no meio da praticamente total abstenção dos portugueses, a fazer gestos vãos e gaffes valentes." Apareceu Eanes, numa visita oficial, e o ódio voltou: "Anda por cá agora o Generalíssimo (graduado) dessas bandas. Seco, cara de pau, com ar permanentemente zangado neste país de cordialidade e bom humor, é um desastre diplomático, mas representa bem a má consciência de um exército fujão e de regime que arruinou Portugal."
Nem a direita (da democracia, claro) lhe merecia mais benevolência. Continuava a acreditar em Diogo Freitas do Amaral, apesar do seu "complexo de esquerda", como "o único arrimo" da oposição ao PS e ao PC e achava que, se ele se entendesse com Sá Carneiro numa "frente antimarxista", "haveria talvez uma réstia de esperança". Mas tratava invariavelmente Sá Carneiro com uma certa desconfiança e desdém. Quando se fundou a Aliança Democrática (cuja "vitória" ele, de resto, desejava) mostrou logo o seu cepticismo: "O Sá Carneiro chefe de Governo? Não tem estofo, nem envergadura para isso e os seus colaboradores imediatos também pouco valem para governar o país. O Diogo tem muito mais categoria mas ainda está mais desamparado de figuras de segunda linha."
O professor de Direito e o discípulo de Salazar persistia em julgar políticos como assistentes. Na ordem, na regularidade e na obediência de Freitas reconhecia o seu mundo, em Sá Carneiro não. Mesmo depois de a AD ter ganho, continuou com "apreensões". A uma amiga, confessava: "o Francisco Sá Carneiro é certamente o menino Jesus para a Mãe, a minha amiga Francisca Lumbrales, mas é duvidoso que possa sê-lo ou parecê-lo para o país inteiro."
A opinião de Marcelo sobre Sá Carneiro, embora professoral e pouco lúcida, era temperada por um certo respeito. Com o resto da direita não se coibia. Ridicularizava a puerilidade de Francisco Balsemão, o "Francisquinho", com o seu Expresso e o seu lume no olho" e, numa altura em que o "Francisquinho" passou pelo Brasil, observou que "bem pobre" devia ser a "matéria-prima em Portugal", para "se recorrer a tão medíocre mensageiro". Jaime Nogueira Pinto não se saiu melhor: "No meu governo", explicava Marcelo, "publicava um jornalzinho subsidiado pelo SNI (com ordenado para ele)."
De qualquer maneira, com a sua fúria e o seu rancor, Marcelo Caetano percebeu do Rio o que muito boa gente não percebeu em Lisboa: a inevitabilidade da derrota de Sá Carneiro num confronto directo com Eanes. Considerava o general Soares Carneiro "excelente" e até "óptimo". A "manobra" de Sá Carneiro é que lhe parecia "mal conduzida". Marcelo suspeitava, e com razão, que Sá Carneiro ("nessas coisas mais autoritário do que o próprio Salazar") impusera a candidatura do general ao grosso da AD e que subestimava largamente a força de Eanes. Pior: Marcelo também previu, e acertou, que a recusa de Sá Carneiro e Freitas de governar com Eanes só os prejudicava a eles e acabaria por entregar Portugal a uma personagem de recurso. Aquela "aventura" era "imprudente". Infelizmente, na cabeça de Marcelo, esta clara análise política andava misturada com a ideia peregrina de que Adriano Moreira, uma bête noire, planeava aproveitar a confusão para se alçar a primeiro-ministro. E, se isso acontecesse, dizia ele a sério, preferia o socialismo. O passado nunca o largava. (...)
Começou também a ficar progressivamente sozinho. A emigração política do PREC voltou quase toda a Portugal e a que não voltou preferiu ignorar os meios do exílio. Morreram alguns fiéis e a própria família o ia ver com menos regularidade. Insistiram com ele para que viesse à Europa, ao Sul de França, ou a Paris. Recusou. Não queria que pensassem que ele passeava pela Europa, como um turista vulgar. O Brasil era o seu lugar: um lugar de martírio.»

(Vasco Pulido Valente, Marcelo Caetano - A queda e o Exílio, Público, 17 de Agosto de 2006)

2006/08/20

Quem é fixe, quem é?

Embrenhado da melhor filosofia católica (refiro-me à Universidade, faculdade de Economia) de que “não há almoços grátis” (no Brasil chama-se antes a filosofia do “portuga do botequim”), o André Azevedo Alves, em comentário, não deixou de lembrar que o meu agradecimento era “plenamente justificado”. (Entretanto o AAA vai citando a seu bel-prazer frases descontextualizadas, mas eu já nem estou para me chatear.) De facto eu sou adepto da gratidão, mas o meu objectivo quando falo de O Insurgente, blogue de que sou leitor desde o princípio, não é “fazer subir os contadores de visitas”: é antes expressar a minha opinião (e tratando-se do blogue em questão, a minha discordância). De qualquer maneira eu não deixei de agradecer, da mesma maneira que o Miguel, um gajo fixe do mesmo blogue, já havia feito antes. E só espero que ele me perdoe o “soarismo” do adjectivo. Na altura nem me passou pela cabeça notar que aquele era um “agradecimento plenamente justificado”. Lá está – modéstia à parte, eu sou mesmo um gajo fixe.

2006/08/18

Quotas de mulheres

O Presidente da República finalmente promulgou a lei que prevê quotas mínimas de mulheres nas listas dos partidos. A questão não é unânime à esquerda, tendo dado origem a uma interessante discussão no Caderno de Verão. Aqui eu não concordo com a posição do António Figueira, que em geral eu gosto tanto de ler.
A maior falácia usada contra as quotas é mesmo a questão do “mérito”, conforme já discuti aqui. Genericamente os deputados não têm mérito nenhum! É evidente que seria melhor fazer uma reforma em que os deputados passassem a ter mérito. É muito mais difícil, claro. Mas isso não invalida que não se avance com outras reformas necessárias. Muito cinicamente: o que é que a lei das quotas pode trazer de mau? Creio que haverá sempre lugar para os poucos deputados e deputadas competentes, pelo que o pior caso possível seria substituir-se uns quantos homens incompetentes por umas mulheres incompetentes. Ou seja, deixar tudo na mesma. Na mesma, não: uma das principais funções do Parlamento (mais do que juntar “os mais competentes”) é ser representativo. O Parlamento assim torna-se mais representativo, pelo que ficamos melhor com a lei das quotas. Queria ainda dizer ao António Figueira que, embora estas não sejam nenhuma panaceia, a esquerda não deve deixar cair de todo as engenharias sociais.

2006/08/17

Pequeno momento muito umbiguista



1 (1) O Avesso do Avesso 586 (+193)
2 (2) Luís Almeida 313 (+11)
3 (13) Lis Online 228 (+144)
4 (3) Substrato Blog Endrominado 222 (+59)
5 (6) Sorumbático 195 (+85)
6 (26) Diário da Roanita 166 (+118)
7 (11) Sesimbra 160 (+70)
8 (4) «Fragmagens» 155 (+30)
9 (36) . AnaBond . 150 (+112)
10 (5) Welcome to Elsinore 146 (+34)
11 (16) Klepsydra 110 (+44)
12 (10) SingleWhiteMale Blog 106 (+7)
13 (7) O céu sobre Lisboa 103 (-1)
14 (31) O Homem do Leme 97 (+55)
15 (8) M&M 94 (-9)
16 (19) Sabor a sal 88 (+28)
17 (22) Se quiseres subir ao céu... 88 (+36)
18 (15) Carlos Moura 84 (+15)
19 (18) Grilices 84 (+23)
20 (42) O Observador 77 (+43)

Obrigado a todos (e ao Blasfémias, Insurgente e Aspirina B; e já agora à Dia D). Voltem sempre.

2006/08/16

O mistério de Ettore Majorana continua a intrigar

...ou a demonstração do pluralismo da secção de Ciência do Público. Artigo publicado no Público de 13 de Agosto.



Ettore Majorana, um influente físico teórico italiano, desapareceu aos 31 anos em circunstâncias nunca explicadas. Passaram esta semana 100 anos sobre o seu nascimento e a especulação em torno do que se terá passado aumentou. Terá ele encenado o seu sumiço? A questão é controversa.
Majorana foi aluno de doutoramento de Enrico Fermi, que em conjunto com Paul Dirac introduziu o conceito de fermião (daí o nome), o tipo de partículas que constituem a matéria ao nível mais elementar, englobando os quarks e os leptões (como o electrão), e que têm um comportamento quântico distinto dos bosões (partículas que constituem a radiação). Cada fermião tem uma antipartícula, com a mesma massa e cargas diferentes: por exemplo, o antielectrão é o positrão.
Majorana aprofundou o trabalho de Fermi e Dirac, verificando que em certas circunstâncias existe um tipo de fermiões (chamados justamente de Majorana) que são a sua própria antipartícula, Foi o primeiro a propor que os neutrinos poderiam ter massa, algo que só em 1998 foi confirmado experimentalmente. Para Fermi, Majorana era um génio só comparável a Newton ou Galileu.
A produção científica de Majorana é muito influente, mas foi curta, pois o cientista desapareceu numa viagem de barco entre Palermo e Nápoles. Embora o caso tenha sido investigado, o seu corpo nunca foi encontrado.
Tal facto permitiu toda uma série de especulações sobre se Majorana se teria suicidado, teria sido raptado ou simplesmente estaria ainda vivo com outra identidade. Houve mesmo quem dissesse que seria um sósia seu que estaria no barco. O físico Erasmo Recami publicou um livro onde investiga a possibilidade de mais tarde Majorana ter vivido na Argentina.
Recentemente, surgiram hipóteses mais abstrusas. Num artigo disponível em http://www.arxiv.org, o físico ucraniano Oleg Zaslavskii, da Universidade Karazin Kharkiv, propôs que esta ambiguidade à volta do seu destino poderia ser uma simulação concebida pelo próprio Majorana para demonstrar a sobreposição quântica, segundo a qual uma partícula pode existir simultaneamente em dois estados quânticos mutuamente exclusivos. A proposta não é credível e não pode ser levada à letra. Já foi desmontada em blogues de cientistas, como o de Andrew Jaffe, do Imperial College, ou o português My Guide to Your Galaxy.
Na base da proposta estão as mensagens que Majorana enviou antes de desaparecer a Antonio Carrelli, director do Instituto de Física da Universidade de Nápoles, onde trabalhava.
Carrelli recebeu um telegrama de Palermo em que Majorana lhe pede que ignore uma carta que lhe teria escrito antes. Na carta, Majorana anuncia para breve o seu "desaparecimento repentino". Segue-se ainda outra missiva, onde Majorana revela que "o mar o recusou" e, como tal, regressaria no dia seguinte, "junto com esta carta", embora renunciasse ao seu cargo. A carta chegou, mas Majorana nunca regressou a Nápoles.
Numa passagem Majorana diz esperar que "o telegrama e a carta tenham chegado juntos". Estaria Majorana, de carácter introspectivo e pouco sociável, de alguma forma afectado pela nova teoria da Mecânica Quântica?
No romance La Scomparsa di Majorana, de 1975, editado em português pela Rocco, o escritor Leonardo Sciascia, siciliano como Majorana, propõe que este decidira desaparecer por ter previsto a invenção da bomba atómica, e por recear que Mussolini e Hitler pudessem utilizar o seu trabalho com esse objectivo. Supõe que o cientista, profundamente católico, estaria retirado num mosteiro.
Esta perspectiva de Majorana como crente é reforçada num artigo na última edição da revista CERN Courier, no qual o físico Antonino Zichichi relata que, segundo o seu confessor, Monsenhor Riccieri, Majorana experimentara crises místicas, mas que a hipótese de suicídio no mar deveria ser excluída. O resto Riccieri não poderia revelar, por segredo de confissão. Cem anos depois do seu nascimento, o destino e as motivações de Majorana permanecem um mistério.


Nota: Foi-me pedido que escrevesse sobre o centenário de Majorana e o referido artigo de Oleg Zaslavskii, que apesar de não ter credibilidade foi noticiado no New Scientist. Não dei deliberadamente grande destaque ao referido artigo, e fiz questão de incluir as melhores refutações que encontrei. Uma delas foi no blogue português My Guide to Your Galaxy, escrito por um estudante de física ultraliberal e antiesquerdista primário, destaque frequente no Insurgente. Como não poderia deixar de ser - mas nesta altura não deixa de ser bastante irónico... - o autor deste blogue, Sérgio dos Santos, estudante do Instituto Superior Técnico, no mesmo curso que eu, já escreveu um artigo... na Dia D!
O meu artigo foi submetido à editora de Ciência na sexta feira e publicado no domingo, bem antes de toda esta polémica despoletar. É um pequeno exemplo, mas espero que demonstre ao João Miranda que as minhas palavras sobre "a ciência de qualidade não ter credo, ideologia ou nacionalidade" não são só meras palavras ou declaração de intenções. São para levar a sério. A ciência de qualidade, qualquer que seja a sua origem, tem lugar na secção de Ciência do Público e em qualquer coisa escrita por mim... Gostaria de poder dizer o mesmo (mas não posso) do Blasfémias, e muito menos do Insurgente...

“Junk science” o quê?

O João Miranda tem o direito de pensar o que quiser sobre a ciência que eu faço para escrever textos como este. Já o usar o termo “anacleto” quando se refere a mim, parece-me desonesto, ainda mais num texto sobre ciência. Não é de agora que o João me lê. Não é de agora que ele sabe que eu tenho sérias divergências com o Bloco em assuntos científicos. Traduzidas em textos meus como este (com a ressalva de Francisco Louçã ser ele próprio um economista bastante competente, apesar de não entrar no Dia D). Ou este. E sobretudo textos como este, este e este, no Blogue de Esquerda, dedicados a desmontar baboseiras ditas por bloquistas e outros tipos de animadores culturais. O último valeu-me uma certa animosidade por parte do assessor de imprensa, manifestada mais tarde, uma vez mais a propósito da ciência (ler os comentários).
E falar na “falta de pluralismo” na secção de ciência do Público parece-me disparatado. Quanto muito deveria haver pluralismo nas diferentes áreas científicas que são cobertas e esse existe. Agora o conceito de pluralismo em ciência é discutível. Ao contrário de muitas luminárias (infelizmente) de esquerda, eu acredito que existe algo que pode ser classificado como “verdade”, e o objectivo da ciência é descobri-lo. Acredito que pode definir-se, dentro de certos limites, se algo é ou não “verdade”, e a partir daí deixa de haver espaço para “pluralismo”. Este conceito é muito mais fácil de definir nas ciências exactas (certas luminárias infelizmente de esquerda nem devem acreditar na existência de ciências exactas). Mas embora também existam sem dúvida “verdades” em Economia, esta não é uma ciência exacta. Ao contrário do que o João Miranda nos tenta convencer, há lugar para pluralismo em Economia. Em particular, é possível mesmo – suprema ousadia! - não concordar com ele! É tudo uma questão de condições fronteira, como eu disse uma vez.
Só se o João Miranda está preocupado com o pluralismo político da secção de ciência. Mas aí, embora eu não faça a mínima ideia do posicionamento político dos meus colegas, e nunca tenha falado de política desde que lá estou, asseguro-lhe que tal é irrelevante na referida secção. Conforme já escrevi repetidamente – ler por exemplo os comentários deliciosos a este texto – a ciência de qualidade não tem e nem pode ter ideologia, nacionalidade, credo… O que não significa que os cientistas – que são homens e mulheres – não os tenham: é evidente que os têm. Grave seria que argumentos de ideologia, nacionalidade ou credo contassem para alguma coisa em ciência, e que devido a eles a boa ciência ficasse pelo caminho. (No caso da secção de ciência de um jornal, que deixasse de ser publicada.) Se é essa a acusação do João Miranda à secção de Ciência do Público, ela não tem qualquer fundamento. Embora não me caiba a mim demonstrar nada, tentarei reforçar o que disse com um exemplo recente de um texto que me deu muito gosto escrever (e que já tinha intenção de pôr aqui de qualquer maneira). Já a seguir.

2006/08/15

15 de Agosto, dia de André Azevedo Alves

E pronto: aqui temos a resposta do André Azevedo Alves (fala-se no Insurgente e aparece logo ele), com a dose de histeria que seria de esperar de um fã da Ann Coulter e das “guerras santas”. O texto vem com uma imagem do Mao Tse-Tung, e de facto utiliza um estilo bem maoísta: o de caricaturar o alvo a atacar (neste caso, eu) e depois… atacar a caricatura. E não faz a coisa por menos: declara-me logo como “activista da extrema esquerda”! Eu nunca escondi a ninguém que sou de esquerda – fiz questão de o declarar na entrevista para a selecção dos cientistas candidatos a estagiarem no Público. Esquerda independente, disse eu na altura. E saliente-se que o jornalismo científico, que tenho a honra de ter sido convidado a fazer por algum tempo, não tem nada a ver com política. De resto é bem sabido que fui durante muito tempo colaborador do Blogue de Esquerda, de onde saí por divergências públicas com outro colaborador, nomeadamente por eu apoiar na eleição presidencial esse conhecido extremista que é Mário Soares. De resto, para o André Azevedo Alves e os seus modelos intelectuais da Fox News, metade do Partido Democrata americano é de “extrema esquerda”. Angelina Jolie, Sean Penn, Susan Sarandon, Michael Moore, Howard Dean (só para dar exemplos norte-americanos) são de “extrema esquerda”. O epíteto ”extrema esquerda” faz parte portanto da referida táctica maoísta, combinada com a mentalidade McCarthista – que o André Azevedo Alves gosta de defender – de ver conspirações comunistas em todo o lado.
Já o que francamente me surpreende é o de “activista” – logo eu que não sou e nem nunca fui filiado em nenhum partido ou organização política. O que saberá o André Azevedo Alves da minha actividade política para me declarar “activista de extrema esquerda”? Motivos mais sólidos tenho eu para julgar que o André Azevedo Alves é um activista do Opus Dei, e no entanto não o declaro.
Quanto às considerações do André Azevedo Alves sobre a “pobreza intelectual” dos meus textos: a opinião dele é livre. Conforme já disse uma vez, não me afecta a opinião sobre “pobreza intelectual” de criacionistas e de quem acha que a fonte suprema do conhecimento é a Bíblia.
Finalmente, o Dia D. Apesar de toda a histeria do André Azevedo Alves, é claro desde o princípio que eu não ponho em causa a independência (política ou de qualquer tipo) da publicação. Pelo contrário: no pouco tempo que levo na redacção do Público e em Portugal, já lá vi entrevistas a membros do Bloco de Esquerda e capas com militantes do Partido Socialista. Referia-me somente às duas colunas de opinião que são publicadas semanalmente. E aí desafio quem ler este texto a pesquisar os arquivos de O Insurgente. Todas as segundas feiras lá encontrarão ligações para dois textos do Dia D. Pelo menos um (quando não são os dois) texto de opinião é assinado por um autor de O Insurgente. O outro, quando não é de um autor de O Insurgente, é de um membro de um dos vários blogues da mesma linha e frequentemente citados em termos elogiosos pelo Insurgente. Sumariamente, em cada segunda feira há ligações para blogues amigos de O Insurgente a propósito de textos no Dia D. E não se vê isso em mais nenhum blogue. Não sou eu o único a ver isso, e só não vê quem não quer. No meio das insinuações e acusações sem fundamento do André Azevedo Alves eu não li nada que desmentisse este facto.

2006/08/14

Segunda feira, dia de Dia D (II)

A cada segunda feira, é publicado mais um Dia D. Se não se lembram do que é o Dia D, eu recordo-vos: é um suplemento do jornal onde estagio, que tem como subtítulo “A Economia que lhe interessa”. Todas as segundas feiras, o Dia D publica duas colunas de opinião. Na escolha de colunistas por parte do Dia D observa-se uma grande diversidade: os colaboradores do blogue O Insurgente vão-se todos revezando nessa função, o que demonstra especial preocupação com a imparcialidade, visto que O Insurgente, como é bem sabido, é constituído por gente das mais diversas proveniências ideológicas, e defendem todos ideias muito diferentes. Para aumentar o leque de opiniões disponíveis, e para ninguém pôr nenhum defeito, de vez em quando um dos colaboradores é um autor de um dos blogues satélite, ou algum dos comentadores mais frequentes de O Insurgente (daqueles que, a cada novo texto do André Azevedo Alves, logo surgem nas caixas de comentários do blogue – daquelas da haloscan – a largar uma porção de “smileys”). Maior variedade de opiniões, só mesmo na Soeiro Pereira Gomes, numa reunião do Comité Central. Estranhava-se por isso a ausência do chefe. Quando veríamos as muito católicas opiniões do André Azevedo Alves no Dia D? Foi hoje! Hoje é que foi mesmo o Dia D! E garante um muito maior leque de opiniões. É que com o André Azevedo Alves como articulista, poderemos ter em breve acesso na imprensa a opiniões que, verdade seja dita, mais ninguém publica (nem no Insurgente). Não tarda nada e leremos no Dia D artigos a defenderem o criacionismo e a invasão de todos os países árabes, e a branquearem o senador McCarthy. A não perder.

PS: A verdade é que, felizmente, o conteúdo noticioso do resto da revista Dia D não obedece à agenda Insurgente. Ainda hoje, por exemplo, é publicada uma crítica altamente elogiosa ao livro An Inconvenient Truth, de Al Gore, classificado como "uma obra demolidora e genial". O que não é propriamente a opinião de O Insurgente. Se a revista é assim no conteúdo noticioso, por que será que se nota esta predominância nas colunas de opinião dos "defensores da escola austríaca" e os seus compagnons de route (ou antes "road companions", que esta malta não gosta de francês)? Não haverá outros economistas?

2006/08/12

Coimbra é uma lição

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra dá o exemplo: para o seu quadro docente só entram doutorados. Uma causa que há muito defendo, nunca escondendo que sou parte interessada, mas sei que estou a lutar por uma causa justíssima. (Pode ser que um dia eu conte aqui as histórias por que já passei a candidatar-me a posições docentes no Ensino Superior Politécnico.) E agrada-me ver que os sindicatos defendem uma medida crucial para a qualidade do Ensino Superior em Portugal.

2006/08/10

A praga das alforrecas

Estamos no pico do Verão e, com a interdição de algumas praias espanholas mesmo na altura em que são mais procuradas, fala-se em força na “praga das alforrecas”, devido às altas temperaturas das águas (aquecimento global) e à pesca excessiva. Devido, em suma, à actividade do homem. Agora é que o assunto está mesmo na ordem do dia. Mas outros jornalistas, revelando o seu notável poder de antecipação, já falavam no caso há três semanas atrás, antes de as praias serem invadidas por turistas.
Entretanto, para aqueles que se recusam a admitir o aquecimento global: que as alforrecas nunca lhes mordam o pezinho.

2006/08/08

Uma força europeia para quê?

Extracto de um artigo de Álvaro Vasconcelos no Público de hoje:

A guerra do Líbano, envolvendo três vizinhos da União Europeia com quem ela procura constituir uma área de democracia e paz, veio colocar de forma brutal a questão da violência, da sua legitimidade, das normas e regras do seu emprego. Estamos a falar do uso da força envolvendo entidades que fazem parte daquela que é provavelmente a mais ambiciosa política externa da União - a que desenvolve em relação aos países da sua periferia sul, com quem, no quadro do processo de Barcelona e da nova política de vizinhança, procura constituir uma área integrada, baseada na experiência dos alargamentos.
O envolvimento europeu, com forças militares, no Sul do Líbano exige da União uma condenação inequívoca da violência ilegítima e uma definição muito clara de objectivos. Caso contrário, a União poderá estar a envolver-se numa estratégia que não é a sua e perder o capital de simpatia e atracção de que goza na região.
É a credibilidade da União e de alguns dos seus Estados-membros, como a França, que explica por que uma tal força só pode ser liderada por europeus. Do Líbano a Marrocos há um desejo de mais Europa e por isso a União tem que ser capaz de corresponder não só às expectativas em termos de deliver, mas também, e sobretudo, em termos de política. Para que a União continue a ser uma alternativa para a paz e a democracia no Médio Oriente, a sua política não se pode confundir nem com a da Administração Bush nem com a de Israel.
Para a União, a violência é um último recurso, que só deve ser utilizado quando todos os demais estiverem esgotados. A repugnância europeia pelo uso da força, a convicção de que ela deve ser regulada e de que os que a usam em desrespeito dos valores e direitos fundamentais devem ser condenados tem de ser a característica fundamental da política externa da União. Pode haver Estados-membros que usem a força numa perspectiva de potência tradicional, mas a União nunca o poderá fazer sem pôr em causa os seus princípios fundadores.

2006/08/07

Segunda feira, dia de Dia D

A cada segunda feira, é publicado mais um Dia D. Se não sabem o que é o Dia D, eu explico-vos: é um suplemento semanal do jornal onde estagio. A cada número desta revista há secções que não falham: nas colunas de opinião há sempre espaço para 2 (dois) colaboradores de O Insurgente.
(Não sabem o que é O Insurgente? é um blogue onde se tenta vender a quem quiser comprar ideias como "a quase hegemonia da esquerda e um peso completamente desproporcional da extrema esquerda nos media e na opinião publicada.")
Há ainda uma secção, “A Minha Web”, onde uma figura conhecida vem relatar-nos as páginas da rede que costuma frequentar. Esta semana o escolhido foi um jovem escritor e (esporádico) ex-companheiro de blogue meu, o José Luís Peixoto. Pelos vistos o exclusivo Insurgente no Dia D esgota-se na opinião...

2006/08/06

O meu amigo Artur

Este rapaz é um geniozinho, como podem ver por ser orador convidado do mais importante simpósio internacional de Física Matemática. Mesmo ao lado nem mais nem menos do que o Ed Witten (consultem o horário), que é só o físico mais citado de sempre e mais influente da actualidade. E é meu amigo - uma grande honra para mim - como podem ver se consultarem a página dele. E companheiro de jantaradas sempre muito bem regadas. Enquanto ele não ganha a medalha Fields, espero que hoje ele acrescente mais uma foto na página dele. A discutir com o Witten. Sempre de copo de vinho na mão, claro.

2006/08/04

As emoções e as decisões irracionais

aqui tinha referido que só era capaz de me aborrecer com pessoas de quem gostasse. Não só de me aborrecer: por vezes perder as estribeiras e mesmo ter atitudes irracionais. Parece que agora essa minha conclusão foi confirmada num estudo científico. Nada de muito surpreendente, não é? O que ainda assim me distingue é que eu vou ainda mais longe: a minha definição de “pessoas de quem gosto” é mesmo “pessoas com quem sou capaz de tomar atitudes irracionais”.

2006/08/03

Aspirina comenta

Recentemente o Aspirina B introduziu um sistema de selecção de comentários: só aparecem no blogue os comentários que são previamente aprovados pelos autores do mesmo. Não tenho nada contra o procedimento por princípio; realmente andava admirado pela ausência da Brigada Bigornas e, especialmente nestes tempos de crise no Médio Oriente, do Euroliberal. A única dúvida que me resta é a seguinte: será que eles aceitam comentários do Luís Rainha e dos seus heterónimos?

Adenda: parece que o sistema de selecção de comentários era temporário e alheio à vontade dos autores do Aspirina B - os RIAPAS voltaram e em força... Mas a pergunta pode manter-se, mesmo se baseada numa suposição.

2006/08/01

I want my MTV

E porque o tema é Dire Straits, e porque a MTV faz hoje 25 anos, fica aqui um vídeo histórico. Money for nothing and chicks for free. Grande vídeo. Grande música.

Clareza buarqueana

Bastou um pequeno texto, aliás uma pequena frase no fim, para a Ana Sá Lopes clarificar a posição da Fernanda Câncio. Obrigado, Ana. Que pena eu tenho por ter perdido o Francis no outro dia, mas não estava em Lisboa. Já tem bilhetes para o Coliseu, em Novembro?
Quanto aos Dire Straits, a minha explicação sobre a minha posição seria tão clara como uma explicação da Fernanda Câncio. Assim cheia de "mas"... Mas defendo claramente que o Mark Knopfler é um dos melhores guitarristas de sempre. Gosto de ouvir o Alchemy enquanto estou a guiar.